<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140</id><updated>2011-07-07T16:43:53.425-07:00</updated><title type='text'>CAMINHOS DE PAPEL</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>108</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-9165814048264443397</id><published>2010-01-31T15:10:00.000-08:00</published><updated>2010-01-31T15:10:16.876-08:00</updated><title type='text'>POEIRA DO TEMPO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;ESTA CRÔNICA FOI ESCRITA ANOS ATRÁS, NUMA DE MINHAS PRIMEIRAS VISITAS À SÃO LUÍS DO PARAITINGA.&amp;nbsp; NESSA OCASIÃO, OS ESTADOS UNIDOS DEFLAGRAVAM A OPERAÇÃO "TEMPESTADE NO DESERTO",&amp;nbsp; INVADINDO O IRAQUE E&amp;nbsp;IMPONDO A SUA "PAX ROMANA" DE ENFIAR A DEMOCRACIA PELA GOELA ABAIXO DE QUE OS DESAFIASSEM.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;...........................&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal entrando na cidade e ainda com o carro sacolejando nas ruas com calçamento de pedra de São Luís do Paraitinga, passei a observar o casario antigo daquela que, um dia, foi chamada por D. Pedro II, de cidade-presépio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estacionei o carro na rua principal e fui andando por ali, apenas olhando. Os antigos sobrados estão bem conservados; são o orgulho da cidade, assim como suas festas. Fazendo contraponto ao dia cinzento, as cores alegres dos prédios passavam uma impressão de bem-estar naquelas ruas estreitas, levando-me a esquecer as notícias frescas sobre o distante Iraque.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como turista que se preza, saquei da câmera e comecei a fotografar. Um ou outro morador prestava um pouco mais de atenção em mim, viajante perdido num sábado pós-Carnaval. E era verdade; com um tempo prometendo chuva parecia haver raros forasteiros pisando nas solenes pedras que abrigam todos os anos movimentadas festas de Momo e a Festa do Divino Espírito Santo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vestígios da alegria recente ainda existiam. Perto de uma casa vi dois bonecões e não resisti em tirar uma foto. Da janela, um senhor olhou-me sério e curioso, mais isto que aquilo. Ao pedir-lhe licença para fotografá-los, abriu um vasto sorriso, concordando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após eu ter clicado, ele se aproximou para dois dedos de prosa, contando que aqueles bonecos haviam saído no carnaval recém-findo. Fizeram sucesso dançando as marchinhas tocadas nos três dias de Momo e eu fiquei sabendo só tocarem esse gênero de música nos desfiles carnavalescos, uma tradição local. Não escondeu seu entusiasmo ao falar da Festa do Divino, que em maio voltaria a alegrar a cidade. Proseamos por meia hora até eu retornar à bucólica praça onde alguns idosos jogavam dominó, tão alheios à minha pessoa e ao mundo, levando-me a pensar sobre o que saberiam eles sobre o resto do planeta. Tudo bem; não estavam isolados da civilização; era possível ver que muitas casas tinham uma antena parabólica sobre o telhado trazendo notícias de guerra num distante país de mil e uma negras noites. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu inesperado interlocutor de momentos antes, contudo, mostrara-me que o mais importante era mesmo o contato humano, pouco importando àquela gente que um simples apertar de botões vermelhos acabaria com o bucolismo que os cercava e com a guerra nas areias do deserto iraquiano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo voltou a fechar e uma fina garoa começou a umedecer as pedras lisas. Voltei ao carro e, saindo da cidade, dei uma última olhada pelo espelho retrovisor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá atrás, perdida nos contrafortes da Serra do Mar, a cidadezinha aos poucos ia desaparecendo no meio da neblina, como se esta fosse uma tempestade de areia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;...........................&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Por uma dessas coisas que o destino não explica, em janeiro deste ano, parte da cidade foi arrasada pelas chuvas de verão.&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que se espera não é ajuda política como andam fazendo por aí.&amp;nbsp; A cidade e seus moradores querem seu patrimônio de volta.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apenas isso.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-9165814048264443397?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/9165814048264443397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=9165814048264443397' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/9165814048264443397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/9165814048264443397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2010/01/poeira-do-tempo.html' title='POEIRA DO TEMPO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-4219225087589879489</id><published>2009-11-24T03:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T03:15:04.982-08:00</updated><title type='text'>SANDRA, ANTES E DEPOIS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tripla premiação em 1º lugar em Concurso Literário da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, em 2002, juntamente com "&lt;em&gt;Clarice&lt;/em&gt;" e "&lt;em&gt;Considerações à hora do jantar&lt;/em&gt;".&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(trabalhos&amp;nbsp; registrados no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Reprodução autorizada desde que mencionada a fonte".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O temporal acabado de cair fez descer a temperatura, coisa nem tão incomum assim em São Paulo num fim de dezembro, mas suficientemente incômoda para me fazer atravessar a rua até o bar defronte ao escritório, pensando num bom conhaque. Precisava de uma bebida que me compensasse da persistente chuvinha e depois de driblar pedestres apressados e automóveis imobilizados entrei, indo me sentar num lugar de onde podia observar através da grande janela a azáfama tragicômica daquelas pessoas na vã tentativa de fugir do ano se esvaindo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A bebida pouco mexeu com meu estado de espírito, em nada parecido com o movimento do lado de fora do vidro ou mesmo ali dentro, onde risadas e conversas do tipo “tudo de bom no ano que vem” indicavam uma festa acontecendo, fazendo com que eu me esforçasse para ficar imune àquela aleivosia mascarada com rodadas infindáveis de chope e porções de fritas, atitude justificável, aliás, para alguém saído há menos de um ano de um casamento que até então se arrastava procurando por uma sobrevida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus pensamentos foram interrompidos quando Sandra entrou no bar, quase sem ser notada em meio daquele bulício. Entre suas virtudes aparentes, incluía-se a de ser discreta em qualquer ambiente onde se apresentasse. Indo direto ao caixa pediu um maço de cigarros e enquanto aguardava pelo troco, correu os olhos ao redor parecendo explorar aquele terreno, contudo num visível cuidado de passar despercebida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nossos olhares se cruzaram e ela permitiu-se um leve sorriso, ao qual respondi com outro igual e levantando ligeiramente a taça de conhaque num cumprimento. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto Sandra guardava o troco em sua bolsa, fiquei a observá-la com um interesse indefinido. Na verdade, sua presença pouco chamava a atenção das pessoas além daquilo que lhe convinha, visto ser a secretária da presidência da empresa, levando-a também a vestir-se sempre de maneira sóbria mas elegante. Ali pelos quarenta, como eu, não obstante bonita e um certo charme, dificilmente passaria por uma &lt;em&gt;femme&lt;/em&gt; &lt;em&gt;fatale&lt;/em&gt;, daí não ser lá dentro motivo de comentários mais apimentados. Trabalhava um andar acima do meu, e nossos contatos eram marcados por assuntos profissionais; apenas ocasionalmente conversávamos sobre outras coisas, fosse no café dos funcionários no terceiro andar ou no elevador. Ao sair, entretanto, no lugar de seguir pelo caminho mais direto até a porta, enveredou por entre as mesas agora tomadas e parou perto de mim. Olhei-a surpreso e estupidamente calado. Foi ela quem falou primeiro:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Parece que você está um tanto desanimado neste fim de ano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tratei de procurar alguma tranqüilidade e desfazer a impressão de desatenção: &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— É verdade. Essas festas pouco me animam. — Sem conseguir raciocinar melhor, disse sem muita convicção: — Parei para um conhaque e passar o tempo. Pelo menos até essa chuvinha diminuir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentindo-me idiota com essa conversa boba, percebi a necessidade de pelo menos dar mostras de educação:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não quer sentar-se?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela aceitou, não deixando de me surpreender. Até onde eu sabia, ninguém conseguira ou tentara algo induzindo-a a deslizes comprometedores. Talvez por isso, hesitei sobre o que fazer diante dessa situação incomum. Tratei então de oferecer-lhe um conhaque, aproveitando o pretexto do entardecer garoento .&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nova surpresa por aceitar. Chamei o garçom, pedi-lhe a bebida e uma outra para mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abrindo a bolsa, ela pegou do maço de cigarros, abriu-o e colocou um nos lábios. Outra vez fiquei no papel de bobo, pois não tinha como acendê-lo. Sandra aliviou meu embaraço perguntando com delicadeza se me incomodaria por fumar, mas ao mesmo tempo pegando seu isqueiro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de uma tragada com visível prazer, jogou a cabeça para trás soprando a fumaça, fazendo-a subir em meio a tênue luz do ambiente já perdendo a claridade externa. As bebidas chegaram, ela pegou a sua e provou-a de olhos fechados como se estivesse experimentando do néctar dos deuses. No momento seguinte, voltou ao mundo terreno:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Que estranha maneira de fechar o ano. A não ser que eu me engane, você está realmente desanimado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concordei, balançando a cabeça:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Se não a conhecesse como secretária, diria que é psicóloga. Ou vidente. Matou a charada só de olhar para mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Nem uma coisa, nem outra, sorriu levemente. Uma dedução, apenas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Você está certa, disse-lhe antes de tomar um pouco da bebida. — Tenho pouca vontade de festejar seja lá o que for. O ano está indo embora, mas o que irá mudar além de alguns dígitos no calendário? Dê uma olhada ao nosso redor, aqui dentro ou lá fora: na semana que vem, e na outra, e na outra, tudo continuará do mesmo jeito. Inclusive nós mesmos, concluí fazendo uma apologia do desânimo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra vez o sorriso suave, mostrando-se compreensiva:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Por experiência própria, devo concordar com você. Ainda assim, não há ninguém com quem repartir isso? Quero dizer, esse estado de espírito sendo dividido com alguém...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive de devolver-lhe o sorriso. Mesmo eu sendo pouco cavalheiro, Sandra conseguia me mostrar como as pessoas são surpreendentes. Pelo que conhecia dela, de ver ou ouvir falar, nunca esperaria uma conversa tomando esse rumo, até porque minha vida não era um segredo guardado a sete chaves. Por outro lado, sabia ser precipitado tirar qualquer ilação daquela pergunta jogada de forma quase displicente no ar, pois salvo engano maior, percebia-lhe a necessidade de conversar com alguém e, como eu, ainda tateava à procura das palavras certas. Assim pensando, conclui mal não haver em falar-lhe sobre meu visível desânimo, contar coisas de uma vida dissolvida num casamento medíocre, acabando por me levar até alguma mesa de bar de quando em vez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com os braços cruzados sobre a mesa permaneceu ouvindo e, eu diria, com interesse. Depois, pegou novamente da taça e após molhar os lábios com o líquido, ficou a olhá-lo. Seus olhos castanhos pareciam refletir a cor da bebida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu também tenho pouco para comemorar, comentou sem poder esconder alguma tristeza na voz. Você não estava de todo errado quando me julgou psicóloga. Contra a vontade de meu pai, vim para São Paulo tentar a USP e por quase dois anos fiz das tripas coração em trabalhinhos aqui e ali para manter meus sonhos. No fim, desisti e acabei indo parar nessa empresa. Felizmente, consegui me dar bem, mas... o mundo perdeu uma doutora. Como compensação, completou sorrindo agora de um jeito irônico, ganhou uma eficientíssima secretária executiva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devagar, tomou outro tantinho do conhaque e permaneceu balançando o líquido em seu recipiente. Fiquei olhando com um misto de curiosidade e carinho, aquela mulher ali à minha frente, em muito parecida comigo. Duas pessoas quebrando a cara no mundo e esperando acontecer algo para aquecê-las da garoa das ruas, daí ficarmos ainda algum tempo conversando sobre nossas vidas, experiências, como se fôssemos velhos amigos. Tínhamos várias coisas em comum, nos deixando à vontade e levar-me num ímpeto, talvez incentivado pelo conhaque, a perguntar-lhe:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— O que diria de passar a noite de Ano Novo comigo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tendo voltado a girar a taça no ar, Sandra parou esse movimento aí mesmo. Seus olhos adquiriram tal brilho, como se o conhaque estivesse sendo flambado. Pareceu enrubescer e não me surpreenderia se o jogasse em mim, ou simplesmente se levantasse e fosse embora. No entanto, era uma mulher cheia de surpresas e eu descobria isso aos poucos. Colocou devagar o recipiente sobre a mesa e fitou-me nos olhos de forma tão intensa, desarmando-me a ponto de não conseguir antever sua reação a partir daquela pergunta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Você disse que quer passar a noite comigo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu disse que quero passar a&lt;em&gt; noite de Ano Novo com você&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse momento, eu a senti hesitar diante desse jogo de palavras, o que me animou a levar a proposta adiante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Certamente, já notou sermos duas pessoas sem alguém com quem repartirmos nossas tristezas, mão tocando mão... Enfim, nenhum ombro a servir de apoio. O que proponho é ficarmos juntos na passagem do ano, estourarmos um champanhe à meia-noite e depois continuarmos nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tudo platonicamente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Tudo platonicamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela cruzou os braços sobre a mesa e ficou a me olhar com uma expressão que não se definia entre a mera surpresa, indignação ou se estava divertindo-se com aquilo tudo. Não demorou, contudo, a chegar a uma conclusão:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Para quem não quer festejar coisa alguma, você está sendo bastante contraditório, mas... a ideia me agrada&amp;nbsp; Em seguida riu baixinho, comentando: — Devo estar maluca. Meu pai teria um enfarte se ouvisse isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorri, sem nada dizer. Ela prosseguiu:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu tinha idade e juízo suficientes para sair de casa; penso ter também agora para aceitar sua proposta. Calou-se por instantes e depois completou:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Muito bem. Nesse caso, gostaria que fosse em meu apartamento, se não tiver nada contra. Respirou fundo, como querendo reforçar sua decisão: — Talvez eu esteja mesmo precisando esquecer mais um ano se acabando e comemorar a chegada do Ano Novo como as pessoas... hum... normais. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomei outro gole maior do conhaque procurando reafirmar meu autocontrole, por instantes parecendo balançar:— Não tenho nada contra. Nem mesmo de nos portarmos como pessoas normais. E aproveitei para emendar: — Eu levo o champanhe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tomou o restante da bebida antes de concluir:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Eu o esperarei às nove. Farei uma comidinha gostosa, conversaremos ou, se preferir, analisaremos nossas frustrações, e esperaremos pelo Ano Novo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concordando, tomei o restante do conhaque e enquanto esperava pela conta peguei-lhe o endereço. Despedimo-nos com um beijo no rosto e a acompanhei até a porta. Fiquei vendo-a atravessar a rua em direção ao estacionamento e pensando no que estava fazendo a ela. Ou seria o contrário?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Iria descobrir logo, pois faltavam apenas duas noites para se fechar o ano. E, o óbvio, começar outro. Só não imaginava como seria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;......................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pontualidade não está entre minhas parcas virtudes, pois só fui tocar a campainha do apartamento de Sandra depois das nove e meia. Ao contrário da noite anterior, esta recuperara o calor habitual de qualquer fim de dezembro e havia o prenúncio de chuvas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela abriu a porta junto com o sorriso de quem nem de longe ameaçava uma censura pelo meu atraso. Vestia um conjunto de saia e blusa, apropriadamente brancas, diferindo em muito dos trajes formais do escritório e deixando-a bem mais jovial, diferente daquela secretária circunspecta&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Flores! — exclamou surpresa. — Pensava não existirem mais homens que ainda fizessem dessas coisas, disse enquanto apanhava o maço de rosas vermelhas que eu lhe oferecia:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Meio convencional, penso. Mas achei que iria gostar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após guardar o champanhe na geladeira, tratou de ajeitar as rosas no vaso sobre um móvel, enquanto eu examinava o ambiente. Sala razoavelmente grande; um confortável sofá, uma estante com livros diversos e um inesperado piano de armário.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não sabia que gostava de música, comentei embora soubesse também não conhecer quase nada sobre ela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Ajuda a passar o tempo e a esquecer algumas coisas, disse-me num tom enigmático ao qual não dei muita importância. — Fique à vontade; o jantar está quase pronto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em pouco tempo estávamos à mesa saboreando o jantar sem maiores requintes, mas delicioso, lembrando-me um ar caseiro num passado perdido e do qual eu procurava escapar. Mesmo pensando em caminhar noutra direção, não tinha a certeza do que realmente queria. “Tudo platonicamente”, tentei acreditar. “Tudo platonicamente”, repeti a mim mesmo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sandra colocava o garfo na boca com delicadeza e, a cada movimento para apanhar algo sobre a mesa, a blusa, que normalmente se permitiria dois botões abertos, tinha um terceiro, fazendo nesses movimentos deixar aparecer ligeiramente a junção dos seios roliços e instigantes. Entretanto, fazia isso com tal naturalidade e não me deixava pensar serem gestos premeditados. Não conseguia vê-la ardilosa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Findo o jantar, ela pôs à mesa a fruteira de onde retirou um cacho de uvas. Enquanto conversávamos, ela pegava os grãos e um a um levava-os à boca, distraidamente, pousando-os com delicadeza nos lábios carnudos e deles retirando sua polpa de forma lenta e decididamente sensual. Ainda assim, os belos olhos castanhos nada deixavam transparecer e se estivesse fazendo uma espécie de jogo sabia estar guardando seus trunfos para a hora certa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, estaria mesmo ou seria eu que estava querendo me convencer disso?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais tarde e já retirada a mesa fui sentar-me no sofá. Sandra dirigiu-se ao aparador e em uma bandeja de prata onde havia uma garrafa de licor e alguns cálices, colocou da bebida em dois deles e veio sentar-se perto de mim. Ofereceu-me a minha, fizemos um discreto brinde e provamos de seu gosto. Como se isso fosse hábito arraigado nela, o fez de olhos fechados parecendo aproveitar de toda sua essência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu a observava fascinado. Seus gestos lembravam um ritual ao qual ela se entregava de corpo e alma. Sentado à curta distância, parecia-me sentir o mesmo êxtase que a dominava. O corte na lateral da saia, deixava à mostra pouco mais que palmo e meio da coxa cruzada sobre a outra perna e novamente ocorreu-me a idéia de um jogo, no qual os contendores procuravam ter domínio mútuo total. Como por instinto, eu tentava fechar minhas defesas. Só não sabia contra o quê. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A conversa continuou fluindo, descompromissada. Voltamos novamente a nossos passados, levados à baila em conta-gotas como se quiséssemos nos poupar. Porém, era evidente o assunto servir apenas de pretexto para que cada qual estudasse o outro, planejando o próximo lance. Era esta a impressão reinante e eu com a nítida sensação de estar me deixan-do tomar por uma paranóia inexplicável, se é que paranóicos sabem que o são.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sandra levantou-se, pegou meu cálice vazio e colocou-o juntamente com o seu na bandeja, indo em seguida até o piano e sentando-se na banqueta. Como se fosse uma criança, a fez dar duas voltas, o que em outras circunstâncias, não nesta noite, talvez me surpreendes-se. Sorrindo, olhou para mim parecendo pedir desculpas por uma travessura. Eu não só a desculpava, como achava tudo aquilo delicioso. Invadia-me uma sensação agradável em vê-la assim descontraída, mas não me escapava o detalhe de ela ter um perfeito controle de seu &lt;em&gt;savoir-faire.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltando-se para o piano, levantou a tampa do teclado. Olhou-o como um duelista escolhendo suas armas e dedilhou algumas notas, de imediato fazendo-me lembrar a Sonata Kreutzer. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora suas atitudes sugerissem descontração, imaginava-a uma habilíssima enxadrista, astuciosa no movimento de suas peças mesmo eu entendendo naquela obra caber ao violino propor o desafio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava ali o nó da questão. Nessa aparente inversão de papeis, cabia-me aceitar o repto e enfrentá-la em seu terreno, aceitando os termos. Tornava-se impensável recuar, pois cada movimento seu sempre se antecipava aos meus. Em breves segundos, tentei recompor os acontecimentos. O que, então, deveria esperar desde aquela noite no bar? Numa fração de tempo me vi possuído de inominável ridículo. Como podia ter pensado que nosso encontro se resumiria a um jantar, um espocar da garrafa de champanhe e um até breve? Na verdade, ela era quase uma desconhecida quando a convidei para o conhaque, mas agora ficava claro ter sido disparado um processo emocional, cujas conseqüências eu ainda não conseguia medir. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo tornou-se meu aliado. Mostrei-lhe o relógio dizendo faltar pouco para a meia-noite. Ela sorriu e foi buscar o champanhe e duas taças. Fomos até o terraço tendo pela frente a bela vista da região destacada pela beleza dos fogos de artifício explodindo em mil cores, indiferentes à chuva contrapondo-se àquele colorido. Fiz saltar a rolha que voou para o asfalto molhado, lá embaixo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Servimo-nos da bebida, erguendo as taças num brinde cheio de presságios. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Feliz Ano Novo, disse-lhe. Ato contínuo, depositei um curto e suave beijo em seus lábios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu sorriso não revelou surpresa e complementando o reflexo do colorido da noite nos olhos, abriu caminho a palavras ditas com doçura:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— O mesmo para você.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém impensadamente disparou um artefato lá da rua e, subindo por entre os prédios, veio estourar perto da sacada onde nos encontrávamos. Sandra deu um gritinho de susto agarrando-se instintivamente em meu braço, assim permaneceu enquanto assistíamos, calados, ao espetáculo de cores e sons. Agradava-me sentir o toque da mão cálida, ainda trêmula, e poderia jurar estar mesmo sentindo o pulsar de seu sangue no ritmo das explosões.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A barulheira foi arrefecendo e voltamos para a sala. Ela serviu mais um pouco da bebida e inesperadamente disse:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Não vá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei-a, calado a princípio, pois tal como no jogo, surpreendia-me colocando meu rei em xeque e levando-me a procurar a defesa:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Estamos fugindo ao nosso trato, disse-lhe como numa defesa mal planejada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em momento algum ela sentiu-se acuada e sua proposta surpreendeu-me:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Ficaria mais tranqüila se dormisse aqui. Seja sensato: é noite de Ano Novo. Chove. Muitas pessoas beberão além da conta e sairão dirigindo pelas ruas pondo em risco suas vidas e a de outros. Há um quarto de hóspedes onde você poderá ficar à vontade. E completou com pinceladas de malícia: — A menos que tenha algo contra. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorri, sem dizer nada, mas nesse momento a proposta se mostrava irrecusável. Não me passava pela cabeça, absolutamente, questionar o trato desfeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de ajudá-la a pôr alguma ordem na sala e na cozinha, ainda conversamos um pouco mais, tudo com aquela naturalidade típica de uma rotina de anos; um perfeito clima platônico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela ajeitou com presteza o quarto de hóspedes, deixando que me instalasse realmente como hóspede. Fechei a porta e sentei-me na beira da cama, estudando o pequeno ambiente: um armário, uma mesinha de cabeceira, uma escrivaninha com um microcomputador (que segredos haveria em sua memória?), um pequeno televisor e poucas coisas mais. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tirei a roupa e deitei-me sobre o lençol macio, recendendo a novo. Deixei apenas a luz do abajur iluminando o ambiente e ali fiquei, estático, mãos cruzadas sob a nuca, pensando no inusitado da situação, quase surreal. Por mais que quisesse pensar o contrário, via naquilo tudo mais outro lance do jogo e, a exemplo de qualquer jogo, deveria haver a defesa ou o contra-ataque. Eu simplesmente não sabia qual seria a jogada seguinte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase duas da manhã apaguei a luz mas, conciliar o sono, quem conseguiria? Percebi que Sandra fora para seu quarto, ao lado. Na noite agora silenciosa, eu podia imaginar cada movimento; uma porta de armário se abrindo, sapatos sendo jogados a um canto, um cabide caindo ao chão. Visualizei-a despindo-se: a blusa sendo largada sobre uma cadeira, a saia colocada num cabide e dependurada no móvel. Fechei os olhos e tentei vê-la em suas roupas íntimas. Brancas, provavelmente. Depois, em gestos lentos desabotoando o sutiã, jogando-o sobre a cama e, finalmente, a derradeira peça de roupa descartada. Pensei em sua nudez, ela sempre tão recatada e jamais dando ensejo a especulações e desejos mal resolvidos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mesma silenciosa noite me deixou entender que ela se deitava. Podia perceber o amassar do colchão e um ligeiro rangido da madeira da cama logo aquietada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava sem sono e poderia apostar que do outro lado da parede o mesmo ocorria. O mostrador luminoso do relógio revelou-me o tempo terrivelmente lento: duas e quarenta. Do quarto contíguo vinha o ruído abafado do corpo se revirando, insone, na cama delatora. Em que estaria pensando? Voltou-me ao pensamento a idéia da Sonata e, era forçoso reconhecer, desagradou-me imaginar que se ela a executava bem, é porque haveria — ou teria havido — alguém a fazer-lhe contraponto. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três e cinco, ouvi-a abrindo a porta do quarto. Alguns segundos de silêncio e depois o clique-clique do isqueiro. Notei seu caminhar, mesmo descalça, pela sala. Depois, a porta do terraço aberta com cuidado e logo fechada, talvez por causa do frio vindo com a madrugada úmida exigindo calor para todos os corpos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava tenso. Imaginei-me levantando, um pretexto qualquer, e encontrando-a sentada no sofá, e a surpresa descaradamente fingida de parte a parte. E depois, tudo acontecendo naturalmente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A porta de seu quarto fechou-se novamente, com o cuidado de tentar não deixar isso transparecer. Fiquei olhando através do escuro, como se elaborasse um lance para jogar naquele negrume, na incerteza se deveria ser uma tática defensiva ou de ataque. Uma indecisão que me atormentava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei com a claridade do sol querendo invadir o ambiente. Num primeiro momento, fiquei sem entender nada até me localizar no tempo e espaço. Espreguicei-me e enquanto esfregava os olhos, tudo foi repassado por minha cabeça vindo feito um vagalhão de encontro à minha memória.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vesti-me e saí para a sala. Ao abrir a porta, o cheiro forte de café despertou todos os meus sentidos. Encontrei Sandra na cozinha; calça de moleton e uma camiseta, fresca e linda como eu jamais a vira em todos esses anos, tão perto de mim e ao mesmo tempo tão distante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Dormiu bem? perguntou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Feito um anjo, brinquei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;— Como eu, sorriu numa deliciosa mentira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentamo-nos para o café, misturado com frases soltas na mesa entre biscoitos e croissants e, como se houvesse um acordo tácito, sem menções à noite anterior. Servi-me da bebida quente, adicionei leite e açúcar e enquanto brincava com a colherinha, fiquei observando-a passar manteiga no pão tostado que a fez derreter-se. Sandra levou a fatia à boca e mordeu-a com delicadeza para, em seguida, apertar os lábios como querendo tirar deles o excesso do creme.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse instante, mergulhei fundo naqueles olhos cor de mel, com a certeza de o xeque-mate ter sido dado e de que ela sabia que o faria, desde aquela noite no bar quando decidiu aceitar o desafio e mover suas pedras, para deixar num outro tempo duas obscuras histórias de vida. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-4219225087589879489?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/4219225087589879489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=4219225087589879489' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/4219225087589879489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/4219225087589879489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2009/11/sandra-antes-e-depois_24.html' title='SANDRA, ANTES E DEPOIS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-4730736134837587953</id><published>2009-06-10T14:01:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T14:55:41.472-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>REATIVANDO O BLOG  (10/06/2009)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O texto abaixo foi publicado no jornal de bairro "Gazeta do Tatuapé", por alguem cujo nome nem vou citar - pois não merece aparecer - e o texto seguinte, foi uma resposta minha, publicada também nesse jornal:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O MAIS CRUEL DOS MALES"   (Edição de 23 de maio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Redator:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aos moços, dou um conselho:  não fiquem velhos.  Verdade que as opções são poucas.  Ou morrer ou lutar contra a velhice.  E morrer não seria a melhor solução.  E a luta sempre resulta em partida pertida e inglória.&lt;br /&gt;Entre os processos da natureza, a velhice é o mais cruel;  Implacável.  Insidiosa, ataca por todos os lados e abre as portas para as moléstias mortais.  É uma espécie de HIVa longo prazo.  Ataca o coração, o pulmão e todas as demais vísceras.  Não esqueçamos da fiação arterial e venosa, da coluna, sem falar na atividade cerebral e na osteoporose.&lt;br /&gt;Os moços compadecidos, os quarentões assustados e os próprios velhos apelam para tudo e inventam essas bobagens de terceira idade, clubes e associações que trabalham contra o isolamento e tristeza.  Ninguém acredita naquilo.&lt;br /&gt;Você já viu um velho casal, vestido à moda dos anos 30, tentando dançar um tango? É patético, apesar de alguns considerarem docemente ridículo.  Inventam várias teorias sobre a velhice.  Ginástica, dieta, malhação, corrida, etc.&lt;br /&gt;Veja a situação da bela mulher, rica, endeusada, ao se deparar com as primeiras rugas.  E aquelas ruguinhas junto aos lábios?  Dr.  Pitanguy era mestre em disfarçar anomalias, porém o milagre é passageiro.&lt;br /&gt;Não há milagre permanente.  Esticam a pele e fazem um "peeling", que é uma raladura na cutis.  Lindo, a princípio, mas efêmero.  Com o tempo, já não há mais onde esconder as cicatrizes atrás das orelhas, ou no couro cabeludo, que aparado encurta, deixando a testa enorme, quase careca.&lt;br /&gt;E os cabelos brancos?  Eles são pintados, porém fogem do natural.  Anatureza dá cor de fio em fio, cada um em sua tonalidade.  Uns mais claros, outros mais escuros.  O conjunto é uma obra inimitável, que profissional nenhum conseguirá obter.  E, finalmente, se envelhece a cabeça, a inteligência, as idéias, a alma.&lt;br /&gt;O velho tenta se equiparar às audácias dos jovens ou mesmo excedê-las, mas não se convence.  Fica até ridículo.  Suas idéias são fruto do seu tempo, do que acumulou.  Isso pode ser camuflado, mas não modificado.  As células cerebrais não se renovam como as demais, afirmam os entendidos.  Até mesmo idéias de gênios mortos envelhecem.  Vide Freud,Einstein etc.  Dizem os moços, com veemência: "eu queria, quando chegar à sua idade, ter essa lucidez".   Lucidêz?  Afinal o que ele esperava?  Que a gente já estivesse caduco?  Que lástima".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sendo assim, enviei a carta abaixo ao jornal, que a publicou na semana seguinte, em  24 de maio:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"&lt;em&gt;CONFESSO QUE VIVI&lt;/em&gt;"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"&lt;em&gt;Peço perdão a meus parentes, amigos, enfim, a todos que me conhecem.  Ousei viver, assim como o fez Pablo Neruda, porém muito longe da ousadia a caracterizá-lo e que deixou marcas que jamais serão apagadas das lembranças a serem carregadas pela História.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Tenho 67 anos e ousei envelhecer.  Tivesse eu lido, trinta ou quarenta anos atrás, as linhas que li na edição passada desta Gazeta, na página "O povo quer saber", intitulada "O mais cruel dos males", com certeza teria morrido em vida, pois segundo o que depreendi dessa leitura, avancei demais na minha ideia de viber em harmonia comigo mesmo, com aqueles que sempre me cercaram, e com o mundo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Sou doente, posto que sou idoso.  Toda minha experiência de vida não foi suficiente para me dar a perceber que insistia em procurar a morte lenta, aquele tipo de morte a que são condenados todos aquels que ousam encarar o tempo e sempre se adaptando a ele.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Aquela leitura me fez ver qye fui, e continuo sendo - já que isto é inerente à minha personalidade - um louco visionário (ou seria melhor dizer, um velho fora de seu tempo?), pois não acato as normas a que devem, segundo a leitura que fiz nesta página no domingo passado, se submeterem os assim chamados "velhos".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Será que devo me arrepender de frequentar academia, mesmo fazendo-o por orientação médica?  Deveroa eu me sentir ridículo em fazer musculação, byke, body balance ou hidroginástica?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Nesse meio conheci outras pessoas, aumentei meu círculo de relacionamentos, tudo inadvertidamente, pois ainda não havia descoberto que há muito tempo eu deveria ter me acomodado num sofá, encarando os progra,as da tarde na TV e arruinando de vez minha coluna lombar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Neste momento, me sinto ridículo por participa de clubes e associações que lutam contra o isolamento e a tristeza, pois só agora descobri que não é essa a diretriz que deveríamos nos impor.  E eu que sempre acreditei nelas!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Danço tango mal-e-mal.   Ainda assim, ousei dançar, caracterizado, juntamente com um grupo da extinta Oficina Cultural Raul Seixas, em plena praça Sílvio Romero, durante uma comemoração de aniversário do bairro.   Mas como invejo aqueles que o fazem com maestria, não se importando se estão criando estereótipos.  Ah, como os invejo!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Gosto, também, de ir à tarde a uma sessão de cinema, no shopping.   Mas, segundo a conceituação agora dada aos idosos, fica ridículo querer ir assistir a nova saga dos tripulantes da Enteprise, ainda que faça isso já há quarenta anos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Gosto de caminhadas e tenho feito trilhas com mochila às costas; acampei há até pouco tempo, e nunca me importei - ó ignorância minha - se essa era uma atividade reservada aos jovens e ágeis.  Claro, juventude de espírito, descobri com aquela leitura na semana passada, é coisa para poetas e loucos, talvez mais estes do que aqueles.  Não para pessoas como eu, que agora estão ganhando uma nova consciência de que velhice significa morte em vida.  Pelo menos essa foi a lição passada nessa leitura.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Não vou mais tentar compreender Einstein.  Não vou mais discutir Freud.  O tempo deles, como aprendo agora, já passou.  Não cairão totalmente no esquecimento, pois serão lembrados pelo ridículo atróz de persistirem em serem gênios após o seu tempo.  Não mais lerei Neruda já que, insidiosamente, tenta nos convencer através de sua autobiografia, que viver vale a pena".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-4730736134837587953?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/4730736134837587953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=4730736134837587953' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/4730736134837587953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/4730736134837587953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2009/06/reativando-o-blog-10062009-o-texto.html' title=''/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-755382256936217341</id><published>2009-01-18T06:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T06:28:18.388-08:00</updated><title type='text'>ARCA DE NOÉ</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"&gt;CONTO CLASSIFICADO EM 4º LUGAR NO CONCURSO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, CUJO TEMA ERA "PLANETA TERRA, ANO 2050".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;OS DEZ PRIMEIROS CONTEMPLADOS NAS CATEGORIAS CONTO, CRÔNICA E POESIA, TIVERAM SEUS TEXTOS PUBLICADOS EM ANTOLOGIA EDITADA PELA EdUFF.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;            É um ponto perdido na imensidão do Atlântico Norte, conhecido apenas pelos capitães das duas naves de guerra.  Pode parecer estranho que seus respectivos comandos não saibam onde exatamente estão a fragata americana &lt;em&gt;USS John Wayne&lt;/em&gt; e o submarino nuclear russo &lt;em&gt;Nikita&lt;/em&gt;, este uma homenagem a um antigo líder político reabilitado pela terceira vez.&lt;br /&gt;            Neste ano de 2050 nada mais é de estranhar em vista do que está ocorrendo por todo o planeta.  A exemplo do que ocorrera lá pela metade do século passado, a guerra fria ressurgiu, e agora o governo de cada um desses países tem razões de sobra para ficar atento às atividades do outro. &lt;br /&gt;            O presidente americano, segundo a política dos republicanos ortodoxos de seu governo, afirma serem os russos inimigos reais do mundo ocidental, eles que ao final do século XX viviam percorrendo a Europa com o pires na mão.  Do lado russo, o presidente Putin II., filho bastardo de um líder político do início do milênio tem pensamento análogo.&lt;br /&gt;            A situação mundial, aliás, está caótica.  Guerras pontuais, revoluções, tudo, enfim, é pretexto para que cada lado acuse o outro de tentar expandir seus domínios.   A unidade européia balança perigosamente; tropas austríacas estacionadas na fronteira germânica alimentam essa paranóia.  O islamismo  ganha terreno nos países da comunidade.  Por seu lado, Holanda,  Dinamarca  e Suécia, recém-convertidas, pregam o Alcorão à força.  A Espanha tenta, também por meios violentos, separar-se do país basco.&lt;br /&gt;            Na América Latina a situação não é diferente.  Os países que um dia formaram o que chamavam de Mercosul, vivem às turras.  Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, têm em seus governantes, expoentes do crime organizado e brigam por uma posição melhor no mercado internacional de drogas.  Só não se expandem mais porque os Estados Unidos mantêm um rígido controle sobre a mercadoria que entra em seu território e a Colômbia combate duramente o tráfico.&lt;br /&gt;            A Ásia, por seu lado, nunca deixou de ser problema;  Índia e Paquistão estão  em guerra e, recentemente,  cada qual lançou uma bomba atômica no outro.   Morreram cerca de 13 milhões de pessoas, o que no contexto indo-paquistanês não passa de mero detalhe.  Tropas japonesas guardam a fronteira entre as Coréias do Norte, do Sul e do Centro, enquanto Taiwan ameaça pela enésima vez invadir a China continental.&lt;br /&gt;            Na África espalham-se as epidemias de laboratório e, em termos militares, seus países não pesam no panorama mundial.  Destaque apenas para o apartheid imposto pelos negros às minorias brancas no Sul.&lt;br /&gt;            Mesmo a Igreja, em sua proverbial sabedoria, está sem saber o que fazer.  O Vaticano, adquirido na década de vinte pela Igreja Universal  do Reino de Deus, vem através do papa Macedo II pedir paz e compreensão entre os povos, mas a infinita sabedoria e fé do piedoso pontífice não é ouvida.&lt;br /&gt;Qual o papel, então, dos dois navios perdidos no meio do oceano, a meio caminho entre a Europa e os EUA?&lt;br /&gt;            Seus comandantes já se haviam contatado semanas antes e, em segredo, elaboraram um plano visando assegurar a paz mundial.  Era simples: cada uma dessas naves iria para a costa de seu respectivo país e ameaçaria jogar uma bomba nuclear em uma de suas maiores cidades,  caso os dirigentes não se dispusessem a entabular conversações sobre paz.  Simples e direto, achavam.&lt;br /&gt;            Mas não é tão simples como pensam.  No navio americano não há unanimidade entre seus oficiais.  O Imediato critica reservadamente seu capitão e não tem, realmente, intenções de ver seu país alinhando-se com a Rússia.  Todavia, não consegue evitar que suas idéias cheguem a seu superior.   Este o chama às falas:&lt;br /&gt;            —   Muito bem, Sr. Jones.  Quero saber aqui e agora quais são suas intenções face aos meus planos.  Advirto-o que pretendo levar essa estratégia adiante, nem que para isso tenha de passar por sobre meus oficiais.&lt;br /&gt;            —   Senhor, com todo o respeito, devo informá-lo que eu e outros elementos da tripulação não concordamos com seus planos.  É preciso que saiba, também: faremos o que for necessário para impedir tal insanidade.&lt;br /&gt;            —    Nesse caso, considere-se detido.&lt;br /&gt;            —   De maneira nenhuma, senhor.  E mais: o míssil que o senhor pretendia apontar para  New York  está  direcionado para o submarino russo.   Os russos,   o senhor bem sabe, sempre foram nossos inimigos. Mesmo durante esses anos em que se pensava estarem eles realmente querendo a paz, na verdade tramavam contra a soberania, o modo de vida e a existência dos Estados Unidos da América.&lt;br /&gt;            —    A idéia é absurda.  Se estivessem tramando contra nosso país, teriam agido durante o governo  Schwazenneger.  Esse sim, um irresponsável.&lt;br /&gt;            —    Eu e os homens que me apóiam faremos tudo para evitar esse contato.  Portanto, considere-se detido o senhor.  E, por favor, largue esse revolver.&lt;br /&gt;            —     Jamais.  Trate de modificar o alvo do míssil.&lt;br /&gt;            —     Nunca.   Dê-me a arma e...&lt;br /&gt;Mostrando que fala a sério, o capitão não hesita em atirar em seu primeiro-oficial.&lt;br /&gt;            —     Merda, capitão.  O senhor... enlouqueceu...&lt;br /&gt;            —     Afaste-se desse painel, Sr. Jones.  É uma ordem.&lt;br /&gt;            —     Para o diabo com suas ordens.  Eu disse... que vou... impedi-lo.&lt;br /&gt;            Sangrando e quase sem forças, o Imediato alcança o botão de disparo do míssil e o aciona.  O navio estremece quando a mortífera arma sobe aos céus e depois desce, mergulhando no oceano.&lt;br /&gt;            —    Marujo, mexa-se, vocifera o capitão.  Vá para o sonar.  Acompanhe o míssil.&lt;br /&gt;            O trêmulo marinheiro assim o faz.  Com os fones no ouvido e uma expressão parva, procura localizar o artefato.  De repente, grita:&lt;br /&gt;            —     Jesus Cristo!   Acertamos o submarino, capitão.&lt;br /&gt;           Lívido, o comandante fica sem ação alguma enquanto olha pelas janelas da ponte.  O mar parece em efervescência, causada pelo impacto da arma contra a nave russa.  O marinheiro vem tirá-lo desse torpor:&lt;br /&gt;            —   Capitão!  Capitão!  Eles contra-atacaram. Devem ter detectado o disparo antes de irem para o inferno e dispararam um míssil.&lt;br /&gt;            Ainda paralisado, o comandante vê o foguete russo sair das águas subindo na frente de uma esteira de fogo e depois, lá no alto, virar seu nariz na direção da fragata e descer com tudo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.......................................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trezentos e trinta quilômetros da Terra, a tripulação do ônibus espacial Bill Gates olha, estarrecida, as labaredas atômicas devastando a face do planeta.  O dantesco espetáculo dura horas até que uma nuvem cinzenta acaba por cobrir tudo.&lt;br /&gt;            Silenciosos, ficam todos os doze tripulantes —  dez homens e duas mulheres —  a olhar para o nada.  Debaixo das nuvens provavelmente a vida fora extinta.  O comandante da espaçonave chama-os à razão:&lt;br /&gt;            —  Bem, senhoras e senhores:  parece que temos um problema.  Tudo indica que não sobrou viva alma lá embaixo.&lt;br /&gt;            —   O que faremos, coronel?&lt;br /&gt;            —   Aquilo que a finada humanidade e o destino esperariam de nós:  vamos repovoar a Terra. &lt;br /&gt;            —    O QUÊ???  Indagam em uníssono as duas tripulantes.&lt;br /&gt;            Imagina-se que nas setenta e duas órbitas restantes muita discussão vai rolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-755382256936217341?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/755382256936217341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=755382256936217341' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/755382256936217341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/755382256936217341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2009/01/arca-de-no.html' title='ARCA DE NOÉ'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-8211393910571480298</id><published>2008-12-01T16:28:00.000-08:00</published><updated>2008-12-01T16:30:52.723-08:00</updated><title type='text'>CANÇÃO E POESIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Numa noite dessas, depois de eu e minha mulher sairmos do mini-auditório do SESC da Avenida Paulista, caminhávamos até a estação do metrô conversando sobre a brilhante apresentação que havíamos acabado de assistir.   Tínhamos visto uma aula-show com o, entre outras coisas, músico, professor de Literatura, crítico literário e musical, Arthur Nestrovski e a não menos versátil cantora Suzana Salles, na qual o tema abordado fora  “O lugar da canção”.&lt;br /&gt;Comentávamos, então, que esse gênero vem sendo, de certa forma, vítima de um desinteresse do público em geral, talvez porque em tempos de modalidades, digamos assim, mais esfuziantes, ou mais apropriadamente, de fácil deglutição, a grande mídia não tem lhe dado a devida importância, motivada por interesses nem tão difíceis assim de serem compreendidos.&lt;br /&gt;Dentro dessa conversa, fiz uma comparação com a música clássica que, em meu entender, avança num caminho que ao longo do tempo chegará à sua extinção.&lt;br /&gt;Talvez esteja eu com um viés pessimista em meu olhar.  Porém, há quanto tempo não surge uma sinfonia do porte de uma &lt;em&gt;Tragic,&lt;/em&gt; de Schubert, ou da &lt;em&gt;Pathétique&lt;/em&gt;, de Tchaicovsky?  Veremos um novo Beethoven?   Alguma nação tem, hoje, um Wagner para enaltecê-la?  &lt;br /&gt;Num paralelo, a música popular sobrevive de maneira análoga.   No meio do lixo midiático encontramos, ainda, compositores e trabalhos dignos de figurarem no rol das grandes obras musicais, pois se não lhes bastassem belas melodias, trazem poesia e um inconfundível lirismo em suas letras.  &lt;br /&gt;Foi através desse olhar que se deu a aula-show a que me referi.   Dentre as músicas cantadas e comentadas, por Suzana e Nestrovski, vimos tesouros de artistas como Chico Buarque, Tom Jobim, Paulinho da Viola, Zé Miguel Wisnik, Caetano e outros,  mostrados com a sensibilidade com que Suzana Salles nos brindou, e a profundidade da análise e comentários das letras enquanto poesia, por parte de Nestrovski.  Esse conjunto valeu-nos uma noite inesquecível e o sentimento de que será preciso muito tempo para que tudo, erudito ou popular, seja apagado pela poeira dos anos.&lt;br /&gt;Otimista que sou, mais ainda por assistir a um espetáculo de tal nível, guardo a esperança de que as pessoas acordem a tempo de evitar que tais tesouros sejam levados pelo tempo e se transformem em remotas memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-8211393910571480298?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/8211393910571480298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=8211393910571480298' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/8211393910571480298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/8211393910571480298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2008/12/cano-e-poesia.html' title='CANÇÃO E POESIA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-939669214584432441</id><published>2008-11-13T07:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T07:22:27.820-08:00</updated><title type='text'>ESCOLA DEPREDADA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso que fiquei estarrecido!   Quando liguei a TV, um helicóptero mostrava imagens de adolescentes correndo sobre telhados e jogando telhas ao chão.   Pensei estar diante de mais uma rebelião numa dessas assim chamadas unidades educacionais.  Porém, na medida em que a imagem abria, constatei se tratar da Escola Estadual “Amadeu Amaral”, no bairro do Belenzinho, onde estudei na década de 50 e hoje com quase cem anos de existência, que estava sendo destruída por delinqüentes, numa briga entre alunos.&lt;br /&gt;As câmeras mostravam carteiras e mesas jogadas no pátio interno, vidraças arrebentadas e nem o pára-raios escapou da fúria dos anormais.&lt;br /&gt;Que indigência mental e moral!   Lembrei-me dos tempos em que freqüentava aquele estabelecimento, quando os alunos entravam em salas de aula, em fila, sempre sob o toque da sineta do “seu” Júlio.  Também me vieram à memória, os ensinamentos de dona Iracema, os quais não esqueci até hoje e que me serviram como alicerce daquilo que sou e do que construí.&lt;br /&gt;Bons tempos aqueles,  em que os mestres eram respeitados e valorizados.   Na pedagogia simplificada daqueles tempos não havia espaço para malabarismos pedagógicos.   As crianças aprendiam, e os que não sabiam repetiam o ano.   Não era como hoje, quando políticas educacionais destrutivas, não obstante o objetivo louvável de permitir o acesso de todos à escola, colocam bons e maus alunos no mesmo patamar, fazendo-se um nivelamento por baixo e levando a um aprendizado cada vez mais deficiente.&lt;br /&gt;Ser professor significava ter status, merecer respeito por parte de alunos, autoridades e sociedade.   Os salários, se não eram nababescos, permitiam viver com decência, não precisando o docente recorrer a outros meios de subsistência.&lt;br /&gt;É honroso para mim, ter em meu círculo de relacionamentos, professores (irmã, parentes, amigos).  O exemplo maior está na figura de minha mulher, a qual vi durante todos esses anos, dedicar-se com todas suas forças ao magistério.   Como eu, hoje ela não vê soluções a curto ou médio prazo mostrando que a decadência do ensino público seja um mal passageiro.    Por enquanto, infelizmente, temos de ouvir afirmações tais como a de que “estudar não é necessário”.   Parte das conseqüências dessa filosofia está estampada agora nos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-939669214584432441?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/939669214584432441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=939669214584432441' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/939669214584432441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/939669214584432441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2008/11/escola-depredada.html' title='ESCOLA DEPREDADA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-396691501376790705</id><published>2008-10-10T18:40:00.000-07:00</published><updated>2008-10-10T18:45:21.426-07:00</updated><title type='text'>INTENÇÕES</title><content type='html'>Poesia escolhida em concurso, para participar do livro do X PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA, da Prefeitura e Secretaria de Cultura de Piracicaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;COLOCOU O BOMBOM&lt;br /&gt;NOS LÁBIOS ENTREABERTOS&lt;br /&gt;DA NAMORADA,&lt;br /&gt;E COMO QUEM ESPERA PELO INCERTO,&lt;br /&gt;COM A LÍNGUA TIROU DOS DEDOS&lt;br /&gt;VESTÍGIOS DE DESEJOS.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-396691501376790705?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/396691501376790705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=396691501376790705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/396691501376790705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/396691501376790705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2008/10/intenes.html' title='INTENÇÕES'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-2852383224281516721</id><published>2008-09-24T17:41:00.000-07:00</published><updated>2008-09-24T17:44:43.876-07:00</updated><title type='text'>II SEMANA DA CANÇÃO EM SÃO LUÍZ DO PARAITINGA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cidadezinha, perdida entre o Vale do Paraíba e a Serra do Mar, mais parece, bem lá do alto da estrada e aos olhos de quem vai chegando, um presépio.    Não foi por acaso que o Imperador D. Pedro II chamou-a de cidade-presépio.&lt;br /&gt;É assim que os olhos e a emoção reconhecem São Luíz do Paraitinga, suas ruas de calçamento de pedras e seu casario colonial.&lt;br /&gt;São Luíz, no entanto, não vive só de lembranças.   Seu Carnaval já extrapolou os limites de seu território e diz para quem quiser ouvir e ver, que é ali que se toca e se dança, nessa data, a marchinha, música popular urbana nascida nos ranchos e cordões carnavalescos, arrastando para  as ruas, em seu compasso binário, multidões animadas.  &lt;br /&gt;De longa tradição, na pequena São Luíz, o profano e o sagrado convivem pacificamente e, além das festas de Momo, também há espaço para a festança do Divino, com suas vinte procissões pisando as ruas de pedras centenárias, mesclando folia e devoção.&lt;br /&gt;Há dois anos, contudo, uma nova atração surgiu na cidade e de imediato polarizou a atenção dos amantes da boa música brasileira.  &lt;br /&gt;Suzana Salles, cantora e entusiasmada admiradora da música popular brasileira, com uma bagagem músico-cultural pra ninguém botar defeito e por sua grande paixão pela cidade, foi chamada para ser a Curadora da Semana da Canção Brasileira que, neste ano, chegou à sua segunda edição.&lt;br /&gt;A julgar pelos resultados obtidos, pode se dizer que é a segunda de inúmeras Semanas que ainda virão.   Produzida de forma a privilegiar a nossa música, além de levar à cidade inúmeros nomes de projeção na MPB, abriu importante espaço a talentos locais, cantores e compositores que concorreram a prêmios, deleitando aqueles que lá estiveram.&lt;br /&gt;Além disso — e talvez o mais importante — criou também oficinas didáticas para crianças e para professores.  Promoveu ainda, encontros e palestras sempre objetivando o ensino, a divulgação e o amor pela música brasileira, que sofre cerco constante de intervenções nem sempre se coadunando com nossa cultura.&lt;br /&gt;A imagem gravada na memória de quem lá esteve na última semana, é a de uma festa a encantar corações e mentes.   Eu e minha mulher, que não pensamos duas vezes para nos atirarmos em jornadas como essas que mexem com nosso sentimento de brasileiros, só lamentamos o fato de termos ido apenas na sexta-feira.   Todavia, pegamos o encerramento do festival, com um nevoeiro serrano no sábado e o calor pra lá de humano de um contagiante final de noite domingueiro com Antônio Nóbrega, o grande artífice da música brasileira, fazendo todo o povo dançar na praça.   Fosse apenas isso e já teria valido a viagem.   Mas foi muito mais.&lt;br /&gt;Como diz a própria Suzana, em depoimento no blog da II Semana, “Vá lá. Vai fazer bem a você”.   Nós fomos e nos fez muito bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(SUGESTÃO:   CONHEÇA O SITE &lt;a href="http://www.semanadacancao.com.br/"&gt;www.semanadacancao.com.br&lt;/a&gt;, e se inteire do que foi a II Semana, vendo depoimentos, fotos e outras informações.   Vale a pena conhecer esse trabalho)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-2852383224281516721?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/2852383224281516721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=2852383224281516721' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/2852383224281516721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/2852383224281516721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2008/09/ii-semana-da-cano-em-so-luz-do.html' title='II SEMANA DA CANÇÃO EM SÃO LUÍZ DO PARAITINGA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-8857118560190840367</id><published>2008-07-22T10:19:00.000-07:00</published><updated>2008-07-22T10:34:12.700-07:00</updated><title type='text'>FAZENDO "ARTE"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“&lt;em&gt;O impulso e a cegueira fizeram com que apagassem a minha obra. Quem vai me indenizar?”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O autor dessa frase, Rafael Guedes Augustaitiz, formando do Centro Acadêmico de Belas Artes, bairro da Vila Mariana, São Paulo, reclama, esperneia, xinga, só porque funcionários daquela instituição (particular), apagaram as pichações que ele e outros delinqüentes promoveram na fachada e dependências internas do prédio do Centro, a título de “&lt;em&gt;trabalho de conclusão de curso&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Confesso:  após uma primeira leitura, fiquei meio sem entender o que ele queria dizer, mesmo lembrando do que dissera anteriormente um “guru” cultural, cujo nome me foge no momento, que pichação é pura expressão da liberdade de comunicação.&lt;br /&gt;Sendo assim, li novamente a matéria e a conclusão foi a mesma:  o cretino acha que pegar tubos de spray e sair por aí vandalizando a propriedade particular ou um bem público é “&lt;em&gt;expressão de arte&lt;/em&gt;”, tudo sob a alegação de que tratava-se  de “&lt;em&gt;ação performática e de protesto para discutir os limites e o conceito da arte&lt;/em&gt;”  (palavras do próprio energúmeno).&lt;br /&gt;Contudo, a estupidez, a ignorância e a prepotência nunca andam sozinhas e nem são fruto de uma só pessoa num determinado contexto; logo surgiu um abaixo-assinado em solidariedade ao imbecil, pedindo que se dê a ele a chance de se defender, com os seguintes argumentos: “&lt;em&gt;Pichação&lt;/em&gt; (com ch mesmo, conforme o Aurélio – grifo meu) &lt;em&gt;pode ser crime&lt;/em&gt; (&lt;strong&gt;?&lt;/strong&gt;) (grifo da Folha de São Paulo), &lt;em&gt;mas também é arte, e a faculdade perdeu a chance de surfar na vanguarda da mais moderna e atual de todas elas.   Sempre foi assim.  O MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York) torceu o nariz para os trabalhos de Andy Warhol e Basquiat foi ridicularizado pelos mesmos acadêmicos que hoje o idolatram.  A arte de verdade às vezes incomoda e demora a ser entendida”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lamentável também é ver a solidariedade prestada pelos grafiteiros Otávio e Gustavo Paldolfo, “&lt;em&gt;osgêmeos&lt;/em&gt;”, como são conhecidos, cujo trabalho está exposto na Tate Modern, em Londres, e que tiveram a infelicidade de ver um de seus trabalhos – uma grafitagem num dos muros da avenida 23 de maio, - apagada por limpadores da prefeitura que não entendiam “aqueles rabiscos”.&lt;br /&gt;Fica posto isto: grafite é uma coisa; pichação é outra, bem diferente.   Se me pedirem para grafitar o muro de minha casa, eu permito.   Se pedirem (como se pichadores tivessem esse resquício de civilidade) para pichar, eu soltaria os cachorros atrás deles.&lt;br /&gt;Uma última colocação: eu duvido que algum dia, num futuro nem tão distante assim, Warhol e Basquiat sejam nivelados a um tal de Rafael Guedes Augustaitiz.   Fosse eu um deles, e se vivo fosse, me mataria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de informação:&lt;br /&gt;1)      a mesma faculdade outorgou, em abril, ao prefeito Gilberto Kassab, o título de professor honoris causa, pela implantação do programa Cidade Limpa.&lt;br /&gt;2)      No dia do atentado, cerca de 40 jovens chegaram durante a noite – alguns mascarados, como convém a qualquer bandido – e perpetraram aquele ato.  Brigaram com os seguranças do prédio até a chegada da Polícia Militar e sete dos vândalos foram presos, incluindo-se aí o mártir Rafael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-8857118560190840367?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/8857118560190840367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=8857118560190840367' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/8857118560190840367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/8857118560190840367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2008/07/fazendo-arte.html' title='FAZENDO &quot;ARTE&quot;'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-3906963859617613839</id><published>2008-05-02T17:32:00.000-07:00</published><updated>2008-05-02T17:35:49.562-07:00</updated><title type='text'>NIEMEYER</title><content type='html'>Na solidez dos memoriais,&lt;br /&gt;na imponência das catedrais,&lt;br /&gt;retas e curvas exalam&lt;br /&gt;suspiros imortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidades surgem do nada,&lt;br /&gt;edifícios transpiram vida.&lt;br /&gt;Avenidas cruzam o vazio,&lt;br /&gt;pontes vencem os rios,&lt;br /&gt;o espaço é uma encruzilhada,&lt;br /&gt;encontro de várias saídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênio que libera sonhos,&lt;br /&gt;dá asas à liberdade.&lt;br /&gt;Seu sonho incontido&lt;br /&gt;não encontra o mural do proibido.&lt;br /&gt;Sua luta transcende fronteiras,&lt;br /&gt;quebra barreiras no tempo e espaço,&lt;br /&gt;uma vida de desafios,&lt;br /&gt;feita com alicerces de cimento e aço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal um caminhante vagabundo,&lt;br /&gt;faz da reta a sua estrada&lt;br /&gt;e de uma curva desenha o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-3906963859617613839?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/3906963859617613839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=3906963859617613839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/3906963859617613839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/3906963859617613839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2008/05/niemeyer.html' title='NIEMEYER'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-2198390972131242037</id><published>2007-12-04T16:57:00.000-08:00</published><updated>2007-12-04T17:01:25.131-08:00</updated><title type='text'>MULHER EM LUTA     (c)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na noite quente e abafada, a chuva acabada de cair, forte mas pouca, só faz aumentar a sensação de sufoco tornando o ar  quase irrespirável.  O corpo suado da mulher revira-se  na cama espaçosa e mal aproveitada; o travesseiro ao lado, vazio, aumenta sua inquietude e o mostrador luminoso do relógio parece afirmar ter a hora  muito mais que sessenta minutos. &lt;br /&gt;            No jardim, as sombras do arvoredo tentam violar a veneziana e entrar no quarto como fantasmas lúbricos  obcecados em tocá-la.   Seu sangue ferve de desejo.  Os pensamentos atravessam as paredes e percorrem ruas e becos numa desesperada busca.&lt;br /&gt;            Ah, a humilhação...   Arrastar-se aos pés de seu homem, até isso fizera por ele que, mesmo numa altivez doentia, sempre a contemplou com horas de prazeres inauditos fazendo-a vibrar em cada célula.  Corpo sobre corpo, mãos indecentes percorrendo-lhe os lugares mais recônditos e aquele gozo parecendo descer dos céus para explodir no desprezo do animal-macho  abrindo feridas de longa cicatrização. &lt;br /&gt;            Seu amor-próprio está dilacerado.   Que importa?   Tem seu homem e dele não abrirá mão.   Dolorosamente, não consegue dar conta da ilusão a consumi-la, conduzindo-a para uma falsa certeza de posse.&lt;br /&gt;            Noite quente e de insônia.   Ela tem o corpo a  arder  e molhar a cama.  Incontida, molha-se.  Recorda daquela língua de serpente aproveitando do sal de seu corpo.  Sal e leite.  Ela morde o travesseiro lembrando-se da posse incondicional, total.&lt;br /&gt;            Lentamente, desliza para o lado oposto da cama.  O vazio faz uma lágrima escorrer, mas imediatamente contida; resquícios de dignidade, logo consumida pelo desejo a queimá-la.  O espaço enorme deixa-a pequena e grande é a angústia que aquela ausência  traz.&lt;br /&gt;            Seus olhos percorrem a penumbra, buscando vultos.  Aquele a quem espera, não aparece; está distante, talvez em outra cama, pensamento que a faz morder os lábios e crispar as mãos. &lt;br /&gt;            Geme ao lembrar do homem-animal mordendo-lhe o pescoço. Como o leão que arrasta a gazela abatida,   assim  era  levada   para  a cama  e  desnudada  em  fúria.   Dor  e gemidos.  Prazer e gemidos.  Submetida, deixava-se  prender  naquelas loucuras e mentiria a si mesma se não admitisse o gozo que a levava às portas do Éden.&lt;br /&gt;            Foi ele o seu sedutor, aquele a iniciar nos caminhos da paixão, vindo nos sonhos como o príncipe encantado a resgatá-la da solidão do desamor.  Suas fantasias se materializaram diante daquele cavaleiro de lança pronta para o embate.  Não entendeu, então, mas também para seu abate.&lt;br /&gt;            Conquistada, jogou-lhe as tranças do alto da torre e a cada incursão sentiu-se cada vez mais princesa, sempre mais mulher.  Passou a aguardar seu retorno com ansiedade crescente, pouco importando aquelas serem expedições púnicas.  Abriu-lhe todas as portas.  Seu castelo foi invadido noite após noite e por seus corredores úmidos escorreu a seiva de sua presença.  Entretanto, jamais se deu conta de que, lentamente, formou-se um labirinto de incógnitas a rodeá-la.  Ainda assim, o queria feliz e entregou-se por inteiro, não percebendo em seu onirismo ser uma heroína sem herói.&lt;br /&gt;Noite quente e abafada.  O corpo febril se contorce sob os lençóis.  Suas mãos pousam nos seios arfantes.  Aperta-os, lembrando-se de outras mãos a  fazê-lo com mais volúpia e arrastando-a ao limbo do prazer que explodiria em seguida.&lt;br /&gt;            Onde estarão essas mãos agora?  Num átimo e sem pejo rompe em lágrimas. Aceita-o em sua cama, para o bem e para o mal, mas não o admite em outras.  Ela o satisfaz com todos os requintes, de prazer ou de tortura.  Suas mãos o moldam e ele cresce nesse barro de paixões, para depois se estilhaçar jogando-a num vazio sem limites. &lt;br /&gt;O calor  tolda-lhe os pensamentos.      Em todo esse tempo de entrega total, jamais se viu questionando tal relação a ultrapassar os limites do sensual, chegando ao pornográfico, inevitável para ela.  Manipulador, ele a satisfez  nos dois extremos:  num primeiro momento, paixão verdadeira e avassaladora para em seguida descambar para a volúpia grosseira, descabida mas consentida.&lt;br /&gt;            Os últimos  clarões dão um toque fantasmagórico ao quarto.  É uma encruzilhada onde agora está, um eu que se divide em dois.  Parte renuncia ao chamado dos instintos; outra,  vigorosa,  puxa-a pelos cabelos ao encontro daquilo a que se propusera.  Um arrepio percorre seu corpo sem lhe dar prazer.  A batalha há muito aguardada está se desenvolvendo.&lt;br /&gt;Aos poucos uma suave aragem penetra pelas frestas, balançando as leves cortinas numa estranha dança dos véus.  A calma a rodeia, fazendo-a sentir-se  indecisa sobre se irá exigir-lhe a cabeça.  Está confusa, como o são todas as amantes dilaceradas.  Como elas, percebe que a renúncia  machuca.&lt;br /&gt;            Lágrimas banham o travesseiro.   As duas mulheres dialogam, tergiversam num primeiro momento, afrontam-se no seguinte;  não há concessões.  O cheiro da terra úmida é um lenitivo, ainda que os espíritos não se fundam e o tempo passe de forma lenta e agoniada. &lt;br /&gt;            O ruído de um carro parando no portão; uma decisão é necessária.  Ela respira fundo, corpo teso. &lt;br /&gt;            A chave rodando na fechadura e depois a porta batendo, sem ser mostrado o cuidado de se evitar isso.  Um suspiro parece libertá-la de mil fantasmas e a alivia.&lt;br /&gt;            Passos na escada, sem pressa e sem justificativas.  Tensa, olhos cerrados,  não quer encará-lo nesse primeiro momento. &lt;br /&gt;Noite quente e calma.   A decisão já está tomada.  &lt;br /&gt;            O lençol é jogado longe.  Deitada, braços abertos sobre a cama,  ela é a cruz de carne de seu próprio sacrifício.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-2198390972131242037?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/2198390972131242037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=2198390972131242037' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/2198390972131242037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/2198390972131242037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/12/mulher-em-luta-c.html' title='MULHER EM LUTA     (c)'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-5859710511987160396</id><published>2007-11-01T17:05:00.000-07:00</published><updated>2007-11-01T17:07:21.134-07:00</updated><title type='text'>COMO FICAR DEPRIMIDO EM VINTE E CINCO MINUTOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Minha paixão pelos trens e ferrovias é incondicional.   Talvez tenha sido pelo fato de, quando criança, morar perto das linhas da antiga Central do Brasil.    Não raro, ia brincar nos trilhos e admirar as velhas e garbosas Marias-Fumaça puxando antiquados vagões de passageiros ou carga.&lt;br /&gt;Cresci e essa paixão continuou.   Quando fui trabalhar numa indústria de Santo André, cidade vizinha a São Paulo, lá pelos idos anos sessenta, passei a viajar todos dias nos antigos trens da não menos saudosa E.F. Santos a Jundiaí.   Causava-me um prazer imenso rodar desde a estação do Brás até aquela cidade, pois ia admirando os pátios ferroviários da Mooca, Ipiranga e São Caetano, com seus cargueiros manobrando rebocados pelas então moderníssimas locomotivas diesel da General Eletric.&lt;br /&gt;Nesses lugares, os armazéns fervilhavam.  Centenas de pessoas descarregavam  a sacaria dos vagões que subiam a Serra do Mar, vindos do porto de Santos, e que ali deixavam sua carga ou seguiam para o interior.&lt;br /&gt;Era um frenesi.  Dava para perceber os enormes galpões cheios, homens carregando a carga nos ombros.   Respirava-se vida; dura, mas ininterrupta, cortada esporadicamente pelas cheias do rio Tamanduateí e do Ribeirão dos Meninos que, de tempos em tempos vinham cobrar tributo pelo espaço que lhes tomavam.  Até os trens a eles se submetiam.&lt;br /&gt;O tempo passou.   Sucessivas hordas de políticos e de administradores incompetentes, aliados a políticas econômicas predadoras, foram aos poucos contribuindo para mudar esse quadro.   Governantes geniais resolveram que era chegada a hora de priorizar o transporte rodoviário e o resultado não poderia ser outro: ferrovias foram reduzidas ao quase-nada.&lt;br /&gt;Passados quase quarenta anos, surgiu uma oportunidade de eu reviver aquele trajeto de outrora.    Tendo de ir a Santo André para resolver um negócio, decidi que não iria de automóvel, mas faria novamente meu antigo roteiro ferroviário, num trajeto que duraria vinte e cinco minutos.&lt;br /&gt;Assim fiz e comecei uma jornada de tristeza e revolta.   Os antigos pátios ainda existem.   Também estão lá velhos vagões de carga – e mesmo carros de passageiros – como monumentos à incúria dos administradores públicos e da ganância dos donos da ferrovia privatizada.  Decrépitos, enferrujados e sendo tomando pelo mato, já não exibem mais sinais de vida.   Há até árvores crescidas entre os trilhos.    Os enormes armazéns estão em ruínas; do trem, a idéia que passa é a de cidades destruídas pelas bombas da Segunda Guerra Mundial.  Nos espaços que sobraram, favelas crescem como cancros. &lt;br /&gt;Os rios, se antes já não eram limpos, agora são de uma aparência medonha; seus leitos parecem uma casca grossa de óleo.   Nem por isso deixam de cobrar seus tributos; os jornais da  TV mostram, nas épocas certas, as águas invadindo casas desses infelizes que foram jogados ali por aqueles que bradam estar o país ombreado com a economia do mundo globalizado.  &lt;br /&gt;Senti-me deprimido.   Lembrei das antigas estações do Brás, Mooca, São Caetano, Santo André, todas elas construídas pelos ingleses da São Paulo Railway, em moldes britânicos, com tijolos aparentes, altas portas de madeira entalhada, guichês com grades de latão dourado e o relógio de pêndulo, com mostrador em número romanos, na sala do chefe da estação.    Agora, os muros dessas estações com paredes de pastilhas, têm em seu topo, arame farpado.   Não se compra mais o ticket que o fiscal picotava no interior do trem.   São tempos do cartão magnético que dá direito a um certo número de viagens e faz parte do que se convencionou chamar de benefício social.&lt;br /&gt;Mas, e a dignidade?   O que restou dela?                &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-5859710511987160396?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/5859710511987160396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=5859710511987160396' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/5859710511987160396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/5859710511987160396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/11/como-ficar-deprimido-em-vinte-e-cinco.html' title='COMO FICAR DEPRIMIDO EM VINTE E CINCO MINUTOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-5180188435298914335</id><published>2007-10-19T11:56:00.000-07:00</published><updated>2007-10-19T12:00:10.154-07:00</updated><title type='text'>ABERTO PARA BALANÇO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;font-size:85%;"&gt;(Texto premiado em concurso da Academia de Letras de São João da Boa Vista)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;ABERTO PARA BALANÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando bati na casa dos sessenta e cinco anos neste mundo, vasto mundo — e não sou rima, nem solução — senti a barra que foi essa jornada.  Assisti a acontecimentos que mudaram a história e, a bem da verdade, mudariam mesmo que eu não assistisse.   Participei de outros onde, por mínima que fosse minha presença, penso que ajudei a modificar alguma coisa.&lt;br /&gt;Também acumulei experiência profissional nos vários trabalhos que tive.   Se, de um lado,  serviu para construir meu patrimônio (que jamais mereceria uma CPI), mostrou também outros caminhos para os quais meus pais um dia apontaram o dedo e disseram “vai!”. &lt;br /&gt;            Tive de ralar muito.   Descontada a fase feliz da infância, onde livros e lições se misturavam com jogo de bola e vidraças quebradas, passei a cavoucar a vida; mal entrado na adolescência tive de ir estudar à noite e trabalhar de dia pois, ainda que não tivessem inventado a inflação (ou melhor, ela existia, mas com a desimportância que nós, legítima classe média, lhe dávamos), uns cruzeiros a mais ajudavam no orçamento da casa.  Só parei de estudar já com filhos me aguardando em casa, geralmente dormindo, pois retornava altas horas e de língua de fora.&lt;br /&gt;Se na rua, mais especificamente nos empregos que tive, curti amizades que ainda conservo, foi dentro de casa que encontrei o apoio fundamental nessa longa caminhada que empreendo até hoje.   Minha companheira, que desde cedo deu tudo de si no magistério,  foi o braço que me amparou nas horas difíceis, riu e chorou comigo, me empurrou quando eu parava e me segurou quando eu ameaçava cair. Foi mãe, esposa e mulher, tudo na exata e sensata medida, e às vezes deliciosamente insensata.&lt;br /&gt;Em meu aniversário reuni esposa, filhos, netos,  amigos, e soprei velinhas (fazer isso com os netos no colo não tem preço).&lt;br /&gt;O que eu quero agora?   Curtir o tempo que tenho pela frente, não importa quanto, mas como. Ver o sorriso dos netos, ter o calor dos amigos, o amor da companheira e uma vida inteira para continuar o menino deslumbrado que sempre fui.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-5180188435298914335?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/5180188435298914335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=5180188435298914335' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/5180188435298914335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/5180188435298914335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/10/aberto-para-balano.html' title='ABERTO PARA BALANÇO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-5804225966567696472</id><published>2007-10-18T07:57:00.000-07:00</published><updated>2007-10-18T08:12:30.246-07:00</updated><title type='text'>LUGAR-COMUM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou um cabeça dura assumido.   Vira e mexe, caio nos lugares-comuns mais comuns que existem.  Se quero, por exemplo, elogiar alguém ou algum fato, entro de propósito nos chavões só para chatear (não o elogiado, mas os outros).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, aqui estou eu com minha teimosia debaixo do braço. Vou cair novamente no lugar-comum e dizer que, ontem, aconteceu a chamada noite ganha ao ir assistir a uma apresentação da cantora Suzana Salles no auditório do Memorial da América Latina.   De fato, quem vai assistir a um espetáculo seu não perde a viagem.   Não perderam aquelas apenas 50, 60 pessoas que compareceram ao auditório do Memorial.   Caindo de novo no lugar-comum, o que vale é a qualidade e não a quantidade. Cada um dos presentes sabia o que procurava e o que encontraria. E encontramos qualidade de altíssimo nível.   Suzana Salles e Arthur Nestrovski dispensam comentários. O repertório escolhido também foi ótimo; viajamos de Lamartine Babo a Chico Buarque, passando por Dominguinhos, Paulinho da Viola, Ira Gershiwin, Franz Schubert e até mesmo por um poema de Gregório de Matos musicado por Zé Miguel Wisnik.   Ah, ia me esquecendo de Luiz Tatit, com sua genial &lt;em&gt;As sílabas&lt;/em&gt; e a não menos primorosa &lt;em&gt;A companheira&lt;/em&gt;, música que também tive o privilégio de ver e ouvir no sábado anterior, no Auditório Ibirapuera, com Zélia Duncan.   É sorte demais para um vivente como eu.  Parabéns a ambos.   E para quem não foi, lamento, crianças, mas já para o castigo:  ajoelhar no milho. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-5804225966567696472?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/5804225966567696472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=5804225966567696472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/5804225966567696472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/5804225966567696472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/10/lugar-comum.html' title='LUGAR-COMUM'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-6413095456809235908</id><published>2007-10-08T16:23:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T16:31:09.219-07:00</updated><title type='text'>A ÁGUA E O TERCEIRO MILÊNIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A ÁGUA E O TERCEIRO MILÊNIO&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esta crônica foi uma das dez escolhidas como as melhores enviadas para o concurso de crônicas da FACCAT, da cidade de Taquara, na serra Gaúcha, cujo tema era justamente a questão da água no mundo nos próximos anos. A propósito, o pseudônimo usado nesse trabalho foi &lt;em&gt;Moisés. &lt;/em&gt;Sem ironia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema abre muitas vertentes para discussão, mas para infelicidade global elas convergem para um único ponto: num futuro não tão distante como poderíamos pensar, a água acirrará debates, decisões e, podem esperar, guerras.&lt;br /&gt;O brasileiro, em sua eterna gaiatice e capaz de fazer piadas até em velórios, não vai deixar passar a oportunidade de analisar a questão por ângulos, digamos, não muito ortodoxos.&lt;br /&gt;Não resisto, como bom brasileiro, a desafiar a premonição dos fatos que se avizinham (sempre esperando, é claro, que as autoridades de plantão resolvam o problema) e exercitar a imaginação tentando vislumbrar situações que seriam bem típicas do nosso alegre e cordial povo:&lt;br /&gt;— Uma Perrier pelo amor de Deus, suplica o pedinte numa esquina da avenida Paulista.&lt;br /&gt;Seria interessante a reação do esmoler diante da oferta insignificante: — Minalba, doutor? Deixa de ser mendigo!&lt;br /&gt;Sentiram o drama? Claro que não, porque não há drama, ainda. Brasileiro, que é bom de bola, de samba no pé e de piada pronta, não está nem aí. Nem na hora de fazer sua conquista amorosa:&lt;br /&gt;— Benzinho, vou te mostrar minha Jacuzzi. Você vai amar. Nada daquela história de encher com leite de camela. Nós dois vamos rolar é em água mesmo.&lt;br /&gt;— Jura, mô? Acho que você está mesmo apaixonado por mim.&lt;br /&gt;De fato, dentro de poucas décadas talvez isso seja o equivalente a um pedido de casamento, naturalmente regado a taças de água trazida diretamente do alto de alguma geleira alpina que não tenha derretido totalmente.&lt;br /&gt;E o brasileiro, bom de bola e de conversa, vai levando a vida. Nem uma hecatombe nuclear comprometeria sua happy-hour:&lt;br /&gt;— O que vai ser, senhor?&lt;br /&gt;— Vê aí uma água de primeira linha. Capricha no chorinho, hem?&lt;br /&gt;A falta do precioso líquido vai ser sentida em todas as camadas da sociedade. Naquela que é hoje a periclitante classe média, a conversa iria por este caminho:&lt;br /&gt;— Você viu a loira do sobradinho? Lava a calçada duas vezes por semana. Dizem que o marido é Fiscal.&lt;br /&gt;— É. Eles podem.&lt;br /&gt;Entre os emergentes (sim, eles existirão até o fim dos tempos), o papo não será diferente:&lt;br /&gt;— Hoje vou à casa da Verinha. Ela vai dar uma festa na piscina.&lt;br /&gt;— Ao redor?&lt;br /&gt;— Dentro, minha filha. Dentro!&lt;br /&gt;É isso. O problema está aí. Entra ano, sai ano, e lá vem um novo racionamento de água decretado por aqueles que nunca tiveram competência para solucionar o problema antes para não ter que discuti-lo depois. Quanto a nós, honestamente falando, quem é que vai seguir dicas tais como se ensaboar com o chuveiro fechado ou deixar de lavar o vira-lata que está cheirando mal, ou ainda, não regar algum canteiro de azaléias, trajando chinelas e bermudas estampadas?&lt;br /&gt;Vamos encarar os fatos: a água, ou mais exatamente a falta dela, vai ser, sim, um problemão. Hoje, neste começo de milênio, é o petróleo o motivo quase abertamente declarado para que nações mais fortes instalem ou consertem a democracia, ainda que na base da porrada, naquelas mais fracas. Não vamos estranhar se qualquer dia desses os marines desembarcarem na Amazônia sob o pretexto de salvar nossa democracia e, por extensão, a humanidade (o que pode ser uma verdade) alegando não sabermos cuidar daquelas preciosas reservas hídricas (o que é outra verdade).&lt;br /&gt;Se entre o céu e a terra há coisas que nossa vã filosofia não percebe, espero que haja também água e juízo suficientes para nos tirar desse sufoco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-6413095456809235908?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/6413095456809235908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=6413095456809235908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/6413095456809235908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/6413095456809235908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/10/gua-e-o-terceiro-milnio.html' title='A ÁGUA E O TERCEIRO MILÊNIO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-751877123920770806</id><published>2007-09-28T18:31:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T18:38:15.807-07:00</updated><title type='text'>QUANDO O SILÊNCIO FALA</title><content type='html'>“&lt;em&gt;Entregar-se ao silêncio e à beleza,&lt;br /&gt; À beleza do silêncio...&lt;br /&gt; À beleza do som rompendo o silêncio&lt;br /&gt; E invadindo em perfeitos acordes&lt;br /&gt;O espaço silente..&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia o sábio e velho guerreiro, Abelardo Barbosa, o Chacrinha:  comunicar ou se trumbicar. &lt;br /&gt;Suprema verdade, diria eu.  Quem se omite, se cala, não se comunica, enfim, está fadado ao esquecimento.   Vai daí que existe, então, uma ordem estabelecida de que todos devem se fazer notar pelo som.   Quanto mais barulho, melhor, como as propagandas na TV, de uma rede de lojas populares, especializada em móveis e acessórios caseiros de qualidade discutível, e que teima em anunciar seus produtos três, cinco, dez vezes numa noite e em vários canais, em textos recheados de barulhos irritantes, levando-me a pegar o controle remoto e cortar o som, até seu término.  Há outros comerciais de mesmo nível e que recebem igual tratamento. Neura minha; mas, quem agüenta?&lt;br /&gt;Há cantores e cantoras histriônicos que tentam impor sua arte aos berros, comediantes que gritam seu texto como se do volume de seu som dependesse alcançarem o humor, narradores que gritam o gol achado ou perdido como se fosse a última tábua da salvação dos infelizes espectadores.&lt;br /&gt;Contudo, há momentos em que se pode observar a redenção da humanidade ao descobrir o significado do silêncio, ainda que correndo o risco de se receber a pecha de elitista.  Que seja, mas em determinados contextos o silêncio se impõe, respeitoso e respeitado, e não há quem a ele não se renda.&lt;br /&gt;Há pouco tempo fui a uma audição da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e fui presenteado com essa dádiva.  Escusado falar da qualidade dessa corporação e da obra apresentada,  o&lt;em&gt; Concerto nº 2   para Piano e Orquestra, de Rachmaninov&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Necessário, sim, é ressaltar o silêncio quase mágico, quase sólido, que tomou conta do ambiente entre o primeiro e o segundo Movimentos, e entre este e o Terceiro.   Isso aconteceu em tempos mínimos, suficientes para a orquestra acertar as partituras entre cada um deles.&lt;br /&gt;Na Sala São Paulo, fez-se o silêncio total, em toda a acepção deste termo.  Público e músicos, irmanados, se incorporaram a essa magia silenciosa, o que levou minha esposa, que me acompanhava e dona de uma sensibilidade que espero merecer, a escrever em determinado momento e dentro de milimétrica discrição, as palavras que abrem este texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-751877123920770806?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/751877123920770806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=751877123920770806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/751877123920770806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/751877123920770806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/09/quando-o-silncio-fala.html' title='QUANDO O SILÊNCIO FALA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-1882876334217977253</id><published>2007-09-12T12:13:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T12:35:56.435-07:00</updated><title type='text'>VERSALHES É AQUI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vocês não acreditam, né?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu acredito.   Acredito que a nobreza está, lentamente, a caminho do cadafalso.   Por nobreza, entenda-se, eu me refiro àqueles que usam o Poder para se sentirem superior - e, conseqüentemente, isolados - ao  povo.   Não os estou classificando como elite, pois desde que me entendo por gente, aprendi que essa é a classificação que se dá àqueles que são os melhores daquilo que representam na sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A nobreza a que me refiro também vive em palácios, ou ao seu redor.   Fazem política e dela se beneficiam.   Fazem demagogia e acreditam ser ela o lenitivo que o povo procura.  Não medem tempo e espaço para praticarem essa política que os levará à ruína.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevi isso pensando nas notícias de dias atrás, exibidas nos notíciários de TV, quando um trem, levando dois ministros de estado, jornalistas e apaniguados, atravessou a periferia do Rio de Janeiro e foi alvo de balas disparados de uma favela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até aí, não vi muitas novidades; todos os dias ocorrem atos semelhantes, seja contra trens, ônibus, automóveis ou em pedestres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que me espanta, e até me envergonha, pois os telejornais do mundo todo também mostraram, foram as condições em que ocorreram os fatos:  o trem, não era nenhum daqueles onde oito pessoas morreram há menos de um mês.  Eram dois vagões adaptados dos antigos do trem Santa Cruz, que faziam a ligação entre Rio e São Paulo, de saudosa memória.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As favelas, não eram aquelas que se espraiam pelos fundões da cidade maravilhosa; eram dois corredores formados por centenas de barracos, e no meio deles um par de trilhos por onde corria o trem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, supondo que a violência não tivesse partido dos traficantes, mesmo assim não deixou de ser um insulto aos miseráveis aquele desfile de figurões que, a pretexto de estarem visitando obras públicas, se exibiram em vagões com vidros fumê, ar condicionado, poltronas estofadas e segurança armada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece que ninguém entendeu que esse tipo de viagem ainda terá um fim junto à guilhotina.   Pode parecer exagero, mas paciência tem limites e discursos demagógicos, também, ainda que o rei sonhe em proclamar um dia que "O Estado &lt;em&gt;é &lt;/em&gt;eu".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-1882876334217977253?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/1882876334217977253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=1882876334217977253' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/1882876334217977253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/1882876334217977253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/09/versalhes-aqui.html' title='VERSALHES É AQUI'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-7129838131718868049</id><published>2007-09-05T17:40:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T17:42:20.511-07:00</updated><title type='text'>TOSCANINI ENCONTRA JACK BAUER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vocês já devem ter visto um comercial de TV que vem sendo exibido durante a programação noturna.   Nele, o ator Kieffer Sutherland, que interpreta o personagem Jack Bauer numa série televisiva, recentemente visitando o Brasil aproveitou para ganhar uns trocados e gravou um comercial para uma determinada marca de automóvel, onde ele, mais uma bela acompanhante, passeiam num luxuoso veículo da montadora, por uma São Paulo totalmente deserta.   No carro, com vidros fechados, é isso que eles imaginam – uma cidade estranhamente vazia.   Num determinado momento, ele sai do veículo e cai no mundo real — à sua volta está ocorrendo uma situação de confusão geral, com situações incríveis, quase surreais, de dar medo.   Ele entra novamente no carro, fecha a porta e tudo volta a situação anterior: cidade deserta, sem nada nem ninguém por perto para perturbá-los. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, isso aconteceu comigo.   Não riam, é sério.   Estava eu no meu carrinho, vidros fechados – obviamente, pois sempre há o risco um assalto – quando o rádio, sintonizado na Cultura FM, começou a tocar &lt;em&gt;Rhapsody in blue&lt;/em&gt;, de Gershwin. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, o deleite.   Quem a executava era a Orquestra Sinfônica da NBC, regida por Arturo Toscanini, em 1947 (ou 49, agora me escapa a data exata), com solo de clarineta de – vejam só - Benny Goodman. De repente, em meu modesto Fiesta, senti a cidade em volta deixar de existir.   Era música dos deuses premiando pobres mortais que lutam pela sobrevivência no caos urbano.  Por um momento senti-me como Jack Bauer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“It’s fine”, como diz nosso herói naquele comercial.  E foi mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-7129838131718868049?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/7129838131718868049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=7129838131718868049' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/7129838131718868049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/7129838131718868049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/09/toscanini-encontra-jack-bauer.html' title='TOSCANINI ENCONTRA JACK BAUER'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-3152485925800722655</id><published>2007-09-03T14:45:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T14:49:21.557-07:00</updated><title type='text'>ÉTICA</title><content type='html'>FOLHA DE SÃO PAULO, COLUNA PAINEL DO LEITOR , HOJE, 3/9.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sr. presidente, peço-lhe que, a partir de hoje, considere extintos os fiapos de apoio que lhe prestava desde a outorga dada ainda no primeiro mandato -e apenas nesse- para me representar no governo do país. Não o considero capaz de dirigir os destinos da nação após ouvi-lo dizer ser o seu partido político o campeão da ética e da moralidade." CARLOS BRUNI FERNANDES (São Paulo, SP)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-3152485925800722655?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/3152485925800722655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=3152485925800722655' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/3152485925800722655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/3152485925800722655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/09/tica.html' title='ÉTICA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116973234066085878</id><published>2007-01-25T05:30:00.000-08:00</published><updated>2007-01-25T05:39:00.670-08:00</updated><title type='text'>CONSIDERAÇÕES À HORA DO JANTAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este é um dos dez textos que compõem  a &lt;em&gt;Coletânea Osman Lins de Contos 2006&lt;/em&gt;, editada pela Fundação Cultural do Recife,  e escolhidos entre 521 concorrentes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;CONSIDERAÇÕES À HORA DO JANTAR &lt;span style="font-size:78%;"&gt;(c)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( ! ) Isso lá é vida? Trabalhar o dia inteiro, chegar em casa, jantar e assistir televisão. Ah, se não fosse o faroeste... Chego aqui caindo aos pedaços, janto um arroz com feijão que vejo há quase vinte anos e ainda tenho de ouvir as reclamações dessas duas como se eu fosse Deus e pudesse melhorar a vida delas. Humpf... não consigo melhorar nem a minha... Se pudesse, começava caindo fora daquele emprego de merda, que só me enche o saco. O dia todo vendo o torno cuspir peças, uma atrás da outra, que só servem para enriquecer “seu” Armando e deixar alguns parvos contentes. E não é que os palhaços ainda saem da fábrica contando piadas e rindo? Como conseguem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Pela cara do Manoel já posso adivinhar que teve um dia de cachorro. Mais um, para variar. Quem vive há tanto tempo com um homem percebe até nos mínimos gestos quando as coisas não vão bem. Como agora: do jeito que ele fica empurrando o feijão e o arroz, pra lá e pra cá, já sei que está de cabeça quente. Nem vou perguntar; melhor deixar do jeito que está.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(   ) Ah, se eu pudesse cair fora desta casa, morar sozinha... Mas quem é que vai meter na cabeça dessas duas múmias a idéia de eu viver por minha conta? Se eu falasse nisso, o velho ia me encher de porrada, “filha a gente cria pra arranjar um bom marido e constituir família”, e estufa o peito quando diz isso. Está crente que é o dono da verdade, que mulher é pra prendas domésticas. Que nem a burra dessa daí. Nasce, cresce, quando pensa que tá virando gente vem um pé-rapado qualquer e com uma boa conversa ganha a idiota. Aí casa e entra pra lista das donas-de-casa. Donas de quê? Essa daí só tem de seu a dureza dessa vida besta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Mas tem suas vantagens. Quando está assim é sinal que não irá me procurar, de noite. Ainda bem, porque estou morta de tanto trabalhar como uma mula de carga. Não é brincadeira, mas parece que lavei a roupa de um batalhão inteiro. E somos só nós três; nunca vi gente pra sujar roupacomo esses aí. Se ao menos a Neuzinha me ajudasse... Mas, agora, com esse negócio de trabalhar fora... Quer ser independente. Ela ainda vai ver essa independência se acabando num tanque cheio de roupas e limpando merda de nenê. Bem, ao menos ainda ajuda um pouco nas despesas e tem um dinheirinho de seu, pra gastar. E eu? Até que gostaria de ganhar algum, mas se falasse em trabalhar fora, esse animal me cobriria de pancada. Nem sei como ele deixou a Neuzinha... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( ! ) Olha só essas duas. Caladas como dois postes. Mulher é assim mesmo. Sabe Deus o que conversam quando estão só elas. Corto o meu saco se a Isabel já não fez a cabeça da Neuzinha a meu respeito. Deve ter falado pra ela que o pai só anda de mau humor, não dá dinheiro em casa... É verdade que esse dinheirinho não é lá grande coisa, mas é suado, é honesto e bem ou mal, vamos vivendo. Será que preferiam que eu fosse como aqueles mandriões do bar? Todas as tardes dizendo “como é, Mané? Que tal uma sinuca? Chega aí pra uma cervejinha”. O que eu ganho vindo direto pra casa, é isso: carrancas. E uma cerveja, que é bom, só aos domingos e olhe lá. Ah, se um dia eu ganhasse na loteria, virava tudo de pernas pro ar. Essa história de que dinheiro não traz felicidade é consolo daqueles que erraram a loteria por um número.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Que posso fazer? Pra comprar um vestidinho nas Pernambucanas tenho de ficar alisando essa besta por um mês, pegar de bom humor. Do contrário, é aquela cantilena: “vestido novo, pra quê? A gente nunca vai a lugar nenhum...”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(     ) Comigo vai ser diferente. Posso até demorar pra sair daqui, mas quando sair, vai ser em grande estilo. O cara vai ter de ser rico, bonito. O amor vem depois, com o tempo. Eu sei como são essas coisas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Paciência, Isabel. Não era você quem estava louca pra casar? Se soubesse... O Manoel até que é um bom sujeito, às vezes. Mas, qual é a mulher que quer um bom marido “às vezes”? Quando ele não é, só Deus sabe o que tenho de agüentar. Pior é que não tenho nem com quem desa-bafar. A Neuzinha é uma alienada. Quando não está naquele escritorinho de contabilidade, passa o tempo lendo essas ridículas fotonovelas. Nem de escola quer saber. Não dá mesmo pra conversar. E depois, ainda ia piorar mais as coisas, ficar contra o pai, coisa e tal. Paciência, paciência...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( ! ) Amanhã, vou ter uma conversa com o “seu” Armando. Ele tem de entender que precisa dar uma melhorada no meu ordenado. Com esse papo de livre negociação, o cacete, acho que está é me enrolando. E a situação aqui em casa, cada vez mais preta. A Isabel só chora, pedindo dinheiro pra fazer a feira. A incompetente da Neuzinha pensa que recebo rios de dinheiro. Ainda bem que arranjou esse emprego e está pesando menos no bolso. Mesmo assim, as coisas não estão boas, não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Espero que a água volte logo. Lavar essa pilha de louça no balde é um tormento. Por que essa porcaria de água não acabou antes de eu ter lavado a roupa? Pelo menos não estaria neste bagaço. Pobre, nem nisso dá sorte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(    ) Que dia... Como se não bastasse ter de agüentar aquele papo cretino das meninas, chego em casa e encontro esse clima de velório. Pior que depois disso a gente ainda tem de aturar o Jornal. Se ao menos depois desse pra assistir a novela... O diabo é que o velho não perde a sessão bang-bang, nem que a vaca tussa. Que pobreza, meu Deus! Casa com uma televisão só, não dá. Na minha, eu vou ter TV até no banheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( ! ) Há quanto tempo não tomo um vinho? Sorte que de vez em quando vamos pra casa dos pais dela. O velho Nogueira, malandrão, é que sabe viver a vida. Só toma Chatô Duvaliê. Pelo menos ele não é regulado. Faz questão que eu acompanhe em cada copo. Quem sou eu pra rejeitar? Por outro lado, o maldito não nega a raça; está sempre a tirar uma casquinha comigo: “Manoel, Manoel, tu não sabes aproveitar a vida. Precisas viajar. Não tens saudade da terrinha?” O filho da puta sabe muito bem que ganho uma merda de salário e vem com essa conversa pra cima de mim, só pra me humilhar. Se eu fosse como ele, que enriqueceu explorando aqueles cortiços, estaria bem melhor agora. Deixa estar. Quem mandou ele me dar a filha única? O dia que aquele diabo bater asbotas, ponho as mãos naquele dinheirão todo. Mas, azarado como sou, é capaz que eu vá antes daquele aldrabão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Já vi esse sorriso na cara do Manoel outras vezes e nunca, esses anos todos, consegui saber em que estava pensando. De uma coisa tenho certeza: não é por causa da comida; mesmo comendo como um morto de fome, posso esperar sentada por um elogio dele.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( ! ) Coitada da Isabel. Eu nunca elogio sua comida. E olha que este picadinho está uma delícia. Uma delícia mesmo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;( = ) Que nojo!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(    )  Parece um porco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                                                                 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116973234066085878?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116973234066085878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116973234066085878' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116973234066085878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116973234066085878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/01/consideraes-hora-do-jantar_116973234066085878.html' title='CONSIDERAÇÕES À HORA DO JANTAR'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116912971493002378</id><published>2007-01-18T06:07:00.000-08:00</published><updated>2007-01-18T06:15:14.946-08:00</updated><title type='text'>ELES ESTÃO INDO EMBORA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, passo aqui pelo meu blog para desabafar contra o estado de coisas que tem envolvido nossa pátria mãe gentil.   Está ficando redundante chutar sempre o mesmo balde e encontrar ressonância zero em quem de direito.  Afinal, políticos continuam politicando, estradas (e ruas) continuam afundando, corruptos continuam corrompendo e bandidos continuam andando por aí, sem lenço e sem documento, mas com um fuzil AR-15 nas mãos.&lt;br /&gt;Já que é assim resolvi mudar o foco destas linhas depois de ter assistido, ontem à noite, ao show do SESC Vila Mariana, onde Paulo Vanzolini foi homenageado e muito bem interpretado pelas cantoras Márcia e Ana Bernardo, esta, filha de Arthur Bernardo, um dos fundadores dos Demônios da Garoa.&lt;br /&gt;Eu iria chover no molhado se começasse a falar da genialidade do homenageado que, com sua indefectível cervejinha na mão e sentado à mesa, contribuiu com tiradas de humor e inteligência.&lt;br /&gt;Vanzolini, como se sabe, tem oitenta e três anos de idade e, gostemos ou não, aproxima-se do fim de um ciclo no qual soube se valorizar e cultivar valores muito caros a ele e a todos nós.&lt;br /&gt;Isso me levou a refletir sobre o fato de que muitos artistas de seu nível, mas nas mais diversas atividades do nosso cotidiano, também irão embora algum dia.   O mais preocupante, entretanto, é que essa matéria prima não está sendo reposta com a mesma velocidade em que se vai.   Pelo contrário, proliferam exemplos de mau gosto, ignorância e falta de educação.  &lt;br /&gt;Tudo bem.  Nem os antigos mestres da música clássica escaparam, algum dia, de produzirem uma obra menor, não coadunante com sua genialidade.   O problema é que, nos dias de hoje, obras menores é que não faltam.  E bota menor nisso.&lt;br /&gt;Os grandes empresários (sem ter nada de grande) visualizam uma potencial estrela (leia-se, mina de ouro) e jogam todas suas fichas nela, apoiados por uma mídia estupidificante onde o lucro é a meta dessa empreitada.   Ligamos a TV e deparamos com deprimentes programas de auditório, onde a deusa Euterpe é massacrada por pagodeiros e loiras rebolantes, por bondes de funkeiros ou por novos &lt;em&gt;hillbillies&lt;/em&gt;, caipiras que nunca pisaram o barro, a não ser o de suas fazendas compradas graças a seus CD’s.&lt;br /&gt;Se isso tudo existe, é porque há ressonância no mercado.   A população caminha bovinamente, sendo dopada cada vez mais e não só relativamente ao meio artístico-cultural.   Em todos os aspectos da vida cotidiana nota-se o aprofundamento da anestesia que estão nos aplicando e que, seguramente, resulta no comportamento da coletividade.&lt;br /&gt;O sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu recentemente, num artigo na Folha de São Paulo, que &lt;em&gt;a perda de valores religiosos e tradicionais, por não serem substituídos por valores humanistas e cívicos, está tornando a sociedade brasileira uma das mais destituídas de ética do mundo.   Impera, da cúpula à base, o espírito da malandragem.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;            O que escrevi acima, é apenas um dos aspectos da gigantesca fratura que está ameaçando tombar a nossa sociedade para dentro de um fosso de onde dificilmente se reerguerá.  Se conseguir fazê-lo, contudo, será às custas de muito mais sacrifício do que se necessitaria, agora, para deter essa avalanche de mediocridade que nos assola.&lt;br /&gt;            Resta saber se nós queremos reagir.   Está me parecendo que a tática da acomodação ganha mais espaço a cada dia.  &lt;br /&gt;            Os mestres estão mesmo indo embora.  Pudera, o que poderiam eles fazer quando se liga a TV e damos de cara com o Caldeirão do Hulk anunciando um CD intitulado Pancadão?  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116912971493002378?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116912971493002378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116912971493002378' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116912971493002378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116912971493002378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/01/eles-esto-indo-embora.html' title='ELES ESTÃO INDO EMBORA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116778500866124418</id><published>2007-01-02T16:25:00.000-08:00</published><updated>2007-01-02T16:43:28.690-08:00</updated><title type='text'>NÃO FALTAVA MAIS NADA.  OU AINDA VEM MAIS POR AÍ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;JOGO DA FRONTEIRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nasceram meus filhos, isso lá pelo começo da década de 70, prometi a mim mesmo que tudo faria para deixar-lhes uma herança de elevado valor moral e que resultasse na formação de seu caráter.  Hoje, posso dizer que me orgulho de ter conseguido isso e, principalmente, ver que eles repassam a seus filhos tais valores.&lt;br /&gt;Mas, sabemos, o mundo não é cor-de-rosa e,  neste nosso país, tais conceitos de integridade parecem desmoronar mais e mais a cada dia que passa.&lt;br /&gt;Ao ouvir na Rádio Jovem Pan AM, hoje, no Jornal da Manhã,  comentários do jornalista e advogado Joseval Peixoto sobre o "Jogo da fronteira", brinquedo das Indústrias Estrela, fiquei, num primeiro momento, estarrecido.  O brinquedo nada mais é do que uma disputa entre jogadores, os quais devem, através de subornos, trapaças e outros engodos, fazer entrar no país produtos ilegais.   Ganha quem conseguir burlar a fiscalização e trazer a mercadoria aqui para dentro da nossa pátria mãe gentil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lentamente, contudo, fui entendendo que não chega a ser uma aberração diante dos parâmetros de comportamento que temos observado nos dias de hoje.  Contrabandear, subornar, levar vantagem, parece ter se tornado norma de conduta neste país.  &lt;br /&gt;Eu ainda me lembro do programa "Pim-Pam-Pum Estrela", dos primórdios da televisão brasileira.  Ironizando, hoje se chamaria "Pum-Pum-Pum Estrela", mais adequado ao estado de coisas que acontece neste Brasil.&lt;br /&gt;O que receberemos agora?   Algum brinquedo chamado "Congressso Nacional"? Neste caso, as regras seriam simples: ver quem tem mais poder, quem pode barganhar cargos ou negociar propostas, ou então, desviar verbas, criar CPIs.  A meta do jogo seria obter a absolvição e dar uma banana para o povo.&lt;br /&gt;Poderiam criar, também, outros jogos, tais como "Crie sua ONG Fajuta", "Faça contabilidade paralela e engane o fisco", "Brinque de presidiário (em cadeia de segurança máxima) e comande quadrilhas" (que poderia se chamar, também, de "Gestão de Negócios a partir das celas do RDD).&lt;br /&gt;Sinceramente, apesar das promessas que fiz naqueles longínquos anos, e mesmo com os resultados que obtive, sinto-me frustrado.    Ganhei uma batalha, mas fica o indisfarçável sentimento de que perdi a guerra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116778500866124418?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116778500866124418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116778500866124418' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116778500866124418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116778500866124418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2007/01/no-faltava-mais-nada-ou-ainda-vem-mais.html' title='NÃO FALTAVA MAIS NADA.  OU AINDA VEM MAIS POR AÍ?'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116662369659003956</id><published>2006-12-20T06:06:00.000-08:00</published><updated>2006-12-20T06:08:16.606-08:00</updated><title type='text'>Só para chatear vocês</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vocês sabiam que os assassinos do menino Yves Ota (lembram-se desse caso?) receberão indulto de Natal e poderão passar a data magna da cristandade (sem ironias) nas ruas?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116662369659003956?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116662369659003956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116662369659003956' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116662369659003956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116662369659003956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/12/s-para-chatear-vocs.html' title='Só para chatear vocês'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116553969976411243</id><published>2006-12-07T17:00:00.000-08:00</published><updated>2006-12-07T17:01:39.793-08:00</updated><title type='text'>TURISTAS NADA ACIDENTAIS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apareceu uma nova praga na internet.   Seja através de e-mails, seja pelo orkut, estão denunciando um filme americano (a ser lançado em fevereiro por aqui), chamado “Turistas”.    Resumindo, trata-se de um terror “trash”, cujo enredo (?) mostra um grupo de turistas estrangeiros passeando por aqui e acabando como vítimas de traficantes de órgãos, numa seqüência de violências as mais escabrosas possíveis.&lt;br /&gt;É claro que isso nos deixa indignados, pelo menos a nós que ainda sonhamos em ver esse imenso Brasil se tornar um país sério.   Sim, porque alguém achar que tal produção depõe contra nós é ser, no mínimo, ingênuo.&lt;br /&gt;O que será que depõe contra, mais que esse filmeco?&lt;br /&gt;Vejamos:  Quando saímos do período da ditadura que nos enfiaram goela abaixo, em 1964, estávamos tão entorpecidos que não percebíamos que seus efeitos iriam perdurar por décadas.   Para começar, um bom número de nossos políticos atuais, que naqueles tempos cinzentos lambiam as botas dos militares, hoje estão aí posando de democratas e se locupletando com isso.  Para esses, não há limites morais (tudo em nome do povo, de onde seu poder emana) ou físicos (haja vista a dinheirama em paraísos fiscais).  Outros, que lutavam contra o regime autoritário descobriram que o “outro lado rende mais”. &lt;br /&gt;Nosso Congresso, aliás, é um primor de descaramento.   Sanguessugas não são punidos, Mensaleiros são absolvidos, apesar da posição em contrário das Comissões de Ética (acreditem, elas existem, sim).  &lt;br /&gt;E o que dizer do Judiciário, empenhando em árdua campanha para manter seus altos salários (ou mesmo aumentá-los). Pior ainda é ouvir de um presidente do Banco Central a recomendação de que,  para os próximos anos,  reduza-se o valor do salário-mínimo (em qualquer país onde o chefe da nação tenha um pingo de vergonha na cara, esse burocrata seria, no mínimo,  chamado às falas).&lt;br /&gt;Mas a sucessão de indigências não acaba aí:   estamos assistindo, através a mídia, o caos em que se transformou (seria melhor dizer, finalmente se revelou) o tráfego aéreo do Brasil.   Sendo considerado a menina dos olhos dos serviços públicos deste país, não deixa de ser surpreendente que o mesmo seja rebaixado ao mesmo nível em que se encontram os serviços de Saúde, Transportes Terrestres e Aquáticos, a Educação e – cuidado, senhores turistas, estrangeiros ou nativos – a Segurança.&lt;br /&gt;Tudo isso é possível num país onde os responsáveis nada vêem, nada sabem.   E não falo apenas desse governo que aí está, cego pela sede de poder, onde ideologias passam por cima da razão.   Outros que o precederam, situando-nos apenas na época posterior à “revolução redentora”, se não fizeram pior, estiveram bem perto disso.&lt;br /&gt;Causa-me estranheza (para usar um termo suave) ver agora brasileiros indignados sentados à frente de um computador deflagrando uma campanha contra  espertalhões que querem ganhar seu sujo dinheirinho denunciando o perigo que se pode correr viajando pelo nosso país.&lt;br /&gt;Mereceriam mais esse dinheiro, se escrevessem a história do Brasil de hoje.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116553969976411243?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116553969976411243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116553969976411243' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116553969976411243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116553969976411243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/12/turistas-nada-acidentais_07.html' title='TURISTAS NADA ACIDENTAIS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116524244425991101</id><published>2006-12-04T06:22:00.000-08:00</published><updated>2006-12-04T06:27:24.276-08:00</updated><title type='text'>HOMEM, MEIA-IDADE, PROCURA...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ontem, fui ao SESC Santana para assistir a um espetáculo de teatro.   Como cheguei um pouco cedo, subi até a sala de leitura onde peguei uma revista qualquer e fiquei folheando-a.&lt;br /&gt;Acomodei-me num sofá, ao lado de um homem aparentando estar perto dos cinqüenta, que folheava um jornal.   Não sei se era associado ou não, pois essa área não restringe a entrada de pessoas não matriculadas.&lt;br /&gt;Ao lado dele, em pé, uma mulher, que depois me pareceu ser sua esposa, folheava outra parte do jornal apoiando-o numa mureta.&lt;br /&gt;Cena corriqueira, pensei.  Mas logo vi que ao meu lado se desenrolava um pequeno drama — eu diria, tragédia, desde que não me entendam politicamente (ou se quiserem, podem entender, sim).&lt;br /&gt;A certa altura, a mulher perguntou ao homem se ele sabia onde ficava a av. Lineu de Paula Machado.  Longe, disse ele, ao que ela retrucou ser uma pena, pois havia no jornal algo que parecia ser promissor.&lt;br /&gt;Não compensa (afirmou o sujeito) atravessar a cidade toda para ganhar pouco.&lt;br /&gt;Essa afirmação acendeu minha curiosidade e, olhando de canto de olho, percebi que ambos consultavam os cadernos de empregos do jornal domingueiro.   A partir daí, desinteressei-me da revista e, sem largá-la,  passei a prestar mais atenção aos dois.&lt;br /&gt;Em dado momento ele mostrou um anúncio à mulher, que resmungou: “Não, porteiro, não.  Você faz mais do que isso”.&lt;br /&gt;O homem voltou ao jornal, tal como ela, e ficaram pesquisando outras ofertas de trabalho  Os comentários iam e vinham.  Oportunidades existiam, mas mesmo para quem procurava sair de uma presumível situação de sufoco, por um ou outro motivo elas não se encaixavam no perfil daquele homem de cabelos embranquecendo e definitivamente a caminho de mais amarguras na sua vida de trabalhador.&lt;br /&gt;É claro, estou emitindo um juízo de valores todo meu, mas não consigo escapar da idéia que ali, ao meu lado, um drama pessoal se desenrolava.&lt;br /&gt;Dada a minha hora de ir para a platéia, levantei-me e fui, calado.  Que diabos, pensei, fazem com que um homem passe uma tarde de domingo atrás de um caderno de jornal pensando na segunda-feira que se aproxima, quando irá à luta na busca pela sobrevivência?  Pior, nesse caso em particular e por dedução toda minha, em desvantagem.&lt;br /&gt;Mas a vida continua e, para mim a tarde-noite terminou bem; assisti à &lt;em&gt;A louca de Chaillot&lt;/em&gt;, com uma interpretação magistral de uma atriz novinha e despontando para a glória:  Cleyde Yaconis.   E ela tem só oitenta e três aninhos. Guardem bem esse nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116524244425991101?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116524244425991101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116524244425991101' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116524244425991101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116524244425991101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/12/homem-meia-idade-procura.html' title='HOMEM, MEIA-IDADE, PROCURA...'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116397512199952370</id><published>2006-11-19T14:23:00.000-08:00</published><updated>2006-11-19T14:25:22.010-08:00</updated><title type='text'>INJUSTIÇA!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou cair na redundância outra vez:  Mônica Salmaso é ótima.&lt;br /&gt;Tive o privilégio de assistir, ontem, a mais um show dessa fenomenal artista e, de novo, sair recompensado.   O final, com ela cantando “&lt;em&gt;Suíte dos pescadores&lt;/em&gt;”, de Caimmy, foi (desculpem o lugar-comum) a cereja do bolo.  O que explica esse seu êxtase?  Talvez sua gravidez, que parecia fazer explodir toda sua beleza interior,  transformada em notas delicadas e afinadas.&lt;br /&gt;A injustiça fica por conta de não a vermos na grande mídia radiofônica e televisiva.  Melhor assim, pois não correremos o risco de vê-la, por exemplo, como na tarde de hoje, no programa do Faustão, que “deslumbrou” a platéia com vários números do... Calcinha Preta (e suas letras, digamos, esdrúxulas).&lt;br /&gt;O chantilly da maionese.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116397512199952370?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116397512199952370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116397512199952370' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116397512199952370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116397512199952370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/11/injustia.html' title='INJUSTIÇA!'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116311550188965321</id><published>2006-11-09T15:34:00.000-08:00</published><updated>2006-11-09T15:38:21.910-08:00</updated><title type='text'>GEOGRAFIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;Iraque,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;Irã e Afeganistão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;Palestina,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;Israel e Paquistão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;O Atlas que, de menino, eu conhecia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;era azul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;O de hoje &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;é de um vermelho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#3333ff;"&gt;que me agonia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;(poema selecionado pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre para fazer parte do projeto "Poemas no ônibus", onde trinta trabalhos estarão em trens e ônibus daquela cidade em 2007)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116311550188965321?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116311550188965321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116311550188965321' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116311550188965321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116311550188965321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/11/geografia_09.html' title='GEOGRAFIA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116242625019916693</id><published>2006-11-01T16:07:00.000-08:00</published><updated>2006-11-01T16:10:50.213-08:00</updated><title type='text'>YES, NÓS TEMOS PINGÜINS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é bonito por natureza, abençoado por Deus, etc, etc.  Na contrapartida de tudo de bom que ocorre por aqui, temos também, e em escala sempre crescente, a mania de adotarmos costumes e valores que ocorrem em outros países.   Não que isso seja tão ruim assim; apenas não temos, ou parecemos não sentir isso, ou ainda pouco nos lixamos para isso, esse tipo de coisa vem se entranhando no nosso âmago, muitas vezes reduzindo valores que sempre enriqueceram nossa cultura.&lt;br /&gt;Não vou ao ponto, por exemplo, de criticar ritmos estrangeiros, pois música é um patrimônio universal, independentemente de sua forma, conteúdo e apresentação.   O rock, por exemplo, explodiu como um fenômeno irreversível em quase todo o mundo (eu até diria, todo o mundo, mesmo que ainda reprimido em certos lugares).  &lt;br /&gt;Fôssemos condenar toda e qualquer manifestação alienígena e condenaríamos Mozart e Piazzola ao fogo do inferno.  Menos mal que isso não ocorra.&lt;br /&gt;Todavia, outras manifestações de fora, ganham um tamanho maior do que a encomenda.  O chamado rock country veio, se enxeriu em nosso meio, e a verdadeira musica caipira, que já vinha se arrastando em pernas bambas, foi ainda mais para baixo em cercada de delírios dos neo-sertanejos com suas botas e chapéus texanos.   Passeando pela festa do Peão, em Barretos, é possível fechar os olhos e imaginar-se no Rancho JR, em Dallas (vide a série na TV).&lt;br /&gt;O folclore tem seu dia no calendário, mas pouca comemoração.  Pelo menos não a vemos na medida em que seria justo senti-la.  Sacis, Boitatás, e outros seres com as nossas cores não ganham a importância que mereciam.&lt;br /&gt;Danças e outras manifestações que se perdem no tempo mas  persistem pelo interior do país, sobrevivem graças a gerações mais velhas, que às duras penas conseguem passar seus valores àquelas mais jovens, mas numa quantidade preocupante.   De quebra, ainda sofrem uma repressão nem tão sutil assim, de setores dito religiosos que as colocam como manifestações do demo.&lt;br /&gt;O Carnaval, que não liga para aqueles que discursam contra, sobrevive com bastante força, no Nordeste principalmente.   No Sudeste, virou indústria.   Mas, façamos uma concessão; ainda tem boa dose de participação popular, embora não saibamos até quando o marketing dará esse espaço.&lt;br /&gt;Quando menos se espera, entretanto, (ou já deveriamos esperar, sim), damos de cara com uma data chamada &lt;em&gt;Halloween&lt;/em&gt;, que importa festejos de outras plagas para nos ensinar o que é tradição — lá deles.   E tomem  bruxas, duendes e abóboras inseridas em nossa cultura sem que tenha sido convidados.&lt;br /&gt;Do Natal, falar o quê?  A data já se enraizou em nossos costumes, com papais-noéis gordos e vestidos para enfrentar um severo regime de emagrecimento.   Enfim, algumas coisas temos de aceitar, pelo menos em nomes das crianças.  Ah, só para lembrar, festeja-se o nascimento de Cristo também.&lt;br /&gt;Porém, extrapolou-se até aí:  num shopping perto de onde moro, a decoração natalina nos mostra o bom velhinho, pinheirinhos, neve falsa e... pingüins.&lt;br /&gt;Santas Renas!   Como é que conseguiram fazer essas simpáticas aves saírem de seu sossego no Pólo Sul e aparecer lá no Norte?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116242625019916693?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116242625019916693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116242625019916693' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116242625019916693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116242625019916693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/11/yes-ns-temos-pingins.html' title='YES, NÓS TEMOS PINGÜINS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116101864704977971</id><published>2006-10-16T10:04:00.000-07:00</published><updated>2006-10-16T10:10:47.076-07:00</updated><title type='text'>CONCURSO LITERÁRIO - RESULTADOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Estes são os premiados no VI Concurso Literário "Cleber Onias Guimarães" e &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;V Concurso Literário Pequeno Escritor, eventos criados pelo Conselho Comunitário de São Paulo, em sua versão ano 2006.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;                                                                   * * * * *&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CATEGORIA ADULTO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÔNICAS – SÃO PAULO (CAPITAL)&lt;br /&gt;1º - Sócrates Simões Ramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÔNICAS – BRASIL&lt;br /&gt;1º - Iná de Fátima  A.Siqueira (Baependi – MG)&lt;br /&gt;2º - Carlos Antonio V. Do Carmo (Salvador – BA)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTOS – SÃO PAULO&lt;br /&gt;1º - Renata Paccola&lt;br /&gt;2º - Izilda Alves de Oliveira&lt;br /&gt;3º - Rosana dos Santos F. Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTOS  -  BRASIL&lt;br /&gt;1º - Caio Flávio de Oliveira (São Gabriel – RS)&lt;br /&gt;2º - Weyden Cunha e Silva Filho (Teresina – PI)&lt;br /&gt;3º - Nelson Virgílio de Carvalho  (Brasília – DF)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POESIA  - SÃO PAULO (CAPITAL)&lt;br /&gt;1º - Fernanda Temple Lopes&lt;br /&gt;2º - Rodney Morais Fajardo&lt;br /&gt;3º - Frances de Azevedo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POESIA  -  BRASIL&lt;br /&gt;1º - Ana Maria F. Guimarães  (São José do Rio Preto – SP)&lt;br /&gt;2º - Maria Fernandez Iglesias  (Mogi das Cruzes – SP)&lt;br /&gt;3º - Regina de Fátima Romacho  (Atibaia – SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CATEGORIA JUVENIL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POESIA  -  SÃO PAULO (CAPITAL)&lt;br /&gt;1º - Helena Jobe Satcun&lt;br /&gt;2º - Ana Carolina Ogeda&lt;br /&gt;3º - Juliana Diniz Bernardo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POESIA  -  BRASIL&lt;br /&gt;1º - Marina de Souza R. Ferreira  (Quatro Barras  - PR)&lt;br /&gt;2º - Josemar dos Santos Ferreira  (Recife – PE)&lt;br /&gt;3º - Mirella Griminelli S. Maciel  (Fortaleza – CE)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CATEGORIA INFANTIL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(SOMENTE ESTUDANTES DE SÃO PAULO – CAPITAL)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;POESIA&lt;br /&gt;1º - Amanda de Cássia Ataíde Dias &lt;br /&gt;2º - Larissa Teixeira Zelli&lt;br /&gt;3º - Leonardo Vidouto Santander&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROSA&lt;br /&gt;1º - Geovana Leonetti Saraiva&lt;br /&gt;2º - Vivian Gama Vidal dos Santos&lt;br /&gt;3º - Tainá Caroline dos Santos Moreira&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116101864704977971?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116101864704977971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116101864704977971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116101864704977971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116101864704977971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/10/concurso-literrio-resultados_16.html' title='CONCURSO LITERÁRIO - RESULTADOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-116007037593113546</id><published>2006-10-05T10:43:00.000-07:00</published><updated>2006-10-05T10:46:15.946-07:00</updated><title type='text'>A MARCHA DOS PALHAÇOS</title><content type='html'>&lt;em&gt;ELIO GASPARI&lt;/em&gt;   (Folha de São Paulo, 04/10/06)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lula se candidatou ao lugar de coordenador da campanha eleitoral de Geraldo Alckmin NA SEGUNDA-FEIRA, com aquelas olheiras que só a adversidade eleitoral produz, "nosso guia" se candidatou ao lugar de coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Fez isso quando tratou do dossiê Vedoin e disse o seguinte: "Eu quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé". Quer? Pergunte a Ricardo Berzoini e a Aloizio Mercadante. Eles podem ajudar.Ao tratar de um crime como curiosidade, Lula assumiu a condição de padrinho dos malfeitores petistas, aloprados e trambiqueiros. Padrinho no sentido da figura de Don Corleone/Marlon Brando.Não há nenhuma prova, indício ou pista de que haja bico tucano na construção do papelório. Há apenas um raciocínio lógico: se os tucanos foram favorecidos pelo episódio, há dedo deles na produção. Coisa assim: a invasão da Rússia por Hitler permitiu que Stálin consolidasse a sua tirania, donde, Hitler foi uma jogada de Stálin.Admita-se que o raciocínio de Lula está certo. No início de setembro, um tucano teve uma idéia: vamos pedir ao Vedoin que faça um dossiê contra o Serra, ele o vende ao PT, nós flagramos os compradores, fotografamos o ervanário e botamos o escândalo na imprensa. Um petista aloprado come a isca, compra-se o caso, acerta-se a publicação da denúncia, combina-se o pagamento e vai-se a um hotel buscar mais uns docinhos. Nisso reserva-se R$ 1,7 milhão, em grana viva, para os chantagistas.Se isso fosse verdade, o presidente de honra do PT teria razão ao chiar. O da República não é pago para tumultuar inquéritos. Os petistas que negociaram com um delinqüente cometeram uma contravenção ao trocar denúncia por dinheiro e um crime e ao remunerar bandidos. Transgrediram as leis da República. Respeitaram apenas a regra do silêncio de Don Corleone.Diante de um crime, o presidente da República não pode agir como advogado de porta de xadrez. (Será que em 1954 os capangas de Gregório Fortunato foram pagos por Carlos Lacerda para atirar no major Rubens Vaz?)Em São Paulo e no Rio, houve zonas eleitorais onde madames grisalhas, elegantes e gentis distribuíam narizes de palhaço. (Senhoras parecidas com aquelas que fizeram a Marcha da Família em 1964.) O sujeito ganhava uma bolinha vermelha e ia para a seção eleitoral. No comércio, a bolota de plástico custa R$ 2,50 e a de esponja sai por R$ 3, crime eleitoral explícito, mas isso fica para depois. Contra quem esse feliz palhaço protesta? Paulo Maluf? João Paulo Cunha? Clodovil? Lula?O calor que o senador Eduardo Suplicy tomou de Guilherme Afif Domingos mostra que se quebrou a associação da decência ao PT. Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: "Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto". E Lula: "Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado".Lula e o PT associaram-se a práticas indecentes. Fizeram isso porque quiseram. A mistura custou o resultado de domingo.A Justiça Eleitoral precisa estar cega para permitir a distribuição de prendas na área onde é proibido repassar santinhos de candidatos. Mesmo assim, o palhaço sempre poderá votar com um nariz que trouxe de casa. Ou Lula pára de dizer monstruosidades ou verá a marcha dos palhaços.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-116007037593113546?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/116007037593113546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=116007037593113546' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116007037593113546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/116007037593113546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/10/marcha-dos-palhaos.html' title='A MARCHA DOS PALHAÇOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115936311518295010</id><published>2006-09-27T06:13:00.000-07:00</published><updated>2006-09-27T06:18:35.196-07:00</updated><title type='text'>MATÉRIA-PRIMA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grande número de pessoas costuma criticar seus governantes pelo que fazem ou deixam de fazer.   Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estão aquém das expectativas que neles depositamos (nos últimos tempos, isso parece ter ganho uma dimensão funesta).&lt;br /&gt;Entretanto, por conveniência ou por simplesmente ignorarmos certas regras de civilidade, carregamos nossa parcela de culpa — e que não é pouca.   Analisemos, então:  Nos poderes Legislativo e Executivo, fomos nós, diretamente,  que colocamos a nada desprezível quantidade de políticos ambiciosos, corruptos e/ou incompetentes.  No Judiciário, indiretamente também o fizemos.   Nós somos a matéria-prima com a qual eles trabalharam (e trabalham mal).   Simples verificar:&lt;br /&gt;—    quem já não viu, no transporte público, pessoas ocupando assentos reservados à idosos, deficientes físicos ou grávidas?  Muitas, muitas mesmo, tendo esse tipo de usuário de pé, na sua frente, ou finge que dorme, ou se distrai com uma leitura ou simplesmente ignora aquele usuário preferencial.&lt;br /&gt;—    Você já não viu muitas pessoas reclamando que o preço da conta de energia elétrica está alto?  Quantos, porém, não hesitam em puxar um “gato” da rede pública, para ter essa energia de graça?&lt;br /&gt;—    TV a cabo: ora, TV a cabo?  Há pessoas que, na maior cara de pau, roubam (via “gato”), transmissão direcionada da casa do vizinho.&lt;br /&gt;—    Estacionamento ou parada proibida?  Claro que muitos reclamam do trânsito que é lento, mas não tem dúvida em parar nesses locais “nem que seja por um minutinho”, só para resolver um probleminha “rápido” (o pisca-alerta resolve a situação, né?  Mesmo estando em fila dupla).  Item válido também para sinais vermelhos.&lt;br /&gt;—    E falando nisso, você nunca “molhou” a mão de um policial de trânsito, de um fiscal, ou qualquer outro que lhe facilitasse a vida em alguma coisa?&lt;br /&gt;—    Furar fila de banco, cinema, ou qualquer outra?  Quem nunca fez isso que atire o primeiro ingresso.&lt;br /&gt;—    Bueiros entupidos:  o que se joga de lixo nas ruas da cidade envergonharia qualquer um.   Reclamar que a Prefeitura não limpa é fácil.   Colaborar, nem tanto.&lt;br /&gt;—    Votou no fulano porque, de alguma forma, ele o beneficiou particularmente?  Você faz parte de uma coletividade, não se esqueça disso.&lt;br /&gt;—    Você gosta de futebol?  Eu também gostava.  Quando existia.   Hoje, esse esporte está nas mãos de incompetentes, toupeiras, corruptos.   Por associação, também nas mãos das “torcidas” organizadas.   O resultado é fácil de se constatar: mediocridade generalizada naquele que ainda teima em ser o esporte das multidões.   Não reclame se você ainda insiste em comprar ingresso de cambista, tomar chuva ou garrafada.   Fique em casa e leia um bom livro.  Vale mais a pena.&lt;br /&gt;—    E falando em futebol, acho que todos já conhecem a recente história daquele jogo de futebol, no interior de São Paulo, onde um “gol” do gandula foi validado.   Pior:  os jogadores do time beneficiado, que a princípio tinham aceito a bola fora, “comemoraram” o gol fantasma.   Esses são os protótipos do brasileiro malandro.   E ainda querem criticar o Gerson?&lt;br /&gt;Essa lista de maldades poderia se estender indefinidamente.    Somos uma péssima matéria-prima, reconheçamos.   Mas não esqueçamos, também, que sempre há tempo para mudanças.    Que tal começarmos agora?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115936311518295010?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115936311518295010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115936311518295010' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115936311518295010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115936311518295010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/09/matria-prima_27.html' title='MATÉRIA-PRIMA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115894652930966543</id><published>2006-09-22T10:33:00.000-07:00</published><updated>2006-09-22T10:35:29.360-07:00</updated><title type='text'>CHEGA DE SERIEDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A maior loja de depatramento do mundo, onde tudo poderia ser comprado, recém inaugurara uma unidade no país.Um garotão inteligente, vindo da roça, se candidatou a um emprego. O gerente perguntou ao rapaz:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você já trabalhou alguma vez na vida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim, eu fazia negócios na roça.O gerente gostou do jeitão simplório do moço e disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pode começar amanhã, e no final da tarde venho verificar como você se saiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia foi longo e árduo para o rapaz.Às 17:30 h o gerente se acercou do novo empregado para verificar sua produtividade e perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quantas vendas você fez hoje?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Uma!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Só uma? A maioria dos meus vendedores faz de 30 a 40 vendas por dia. De quanto foi a venda que você fez?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Dois milhões e meio de reais!- O quê!!!??? Impossível!!! Como vc conseguiu isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bem, o cliente entrou na loja e eu lhe vendi um anzol pequeno, depois um anzol médio e finalmente um anzol bem grande. Daí eu lhe vendi uma linha fina de pescar, uma de resistência média e uma bem grossa, para pescaria pesada.Eu lhe perguntei onde ele ia pescar e ele me disse que ia fazer pesca oceânica.Então sugeri que talvez fosse precisar de um barco, então eu acompanhei até a seção de náutica e lhe vendi uma lancha importada, de primeira linha.Aí eu disse a ele que talvez um carro pequeno não fosse capaz de puxar a lancha, levei-o a seção de carros e lhe vendi uma caminhonete com tração nas quatro rodas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O gerente levou um susto e perguntou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você vendeu tudo isso a um cliente que veio aqui pra comprar um pequeno anzol?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não senhor, ele entrou aqui, de fato, para comprar um pacote de absorvente para a esposa, e eu disse a ele:"Já que o final de semana do senhor está perdido, porque o senhor não vai pescar?"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115894652930966543?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115894652930966543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115894652930966543' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115894652930966543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115894652930966543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/09/chega-de-seriedade.html' title='CHEGA DE SERIEDADE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115828694037120682</id><published>2006-09-14T19:20:00.000-07:00</published><updated>2006-09-14T19:22:20.383-07:00</updated><title type='text'>O VERMELHO E O NEGRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Na cama, ao lado de Marcinha, ele sente não ter mais aquele tesão que um dia sentiu por ela.  Sob os lençóis, no quarto escuro, Eduardo olha para o mostrador do rádio-relógio, cujos dígitos vermelhos e brilhantes lembram-lhe momentos encarnados de longa duração.   Inquieta e sabedora das coisas, Marcinha leva a mão até os pêlos plantados naquele peito de mármore.   Ele apenas suspira, mesmo quando ela insiste em beijá-lo na boca.   Eduardo talvez esperasse um sutil sabor de cereja, quase perdido no fundo da memória, mas tudo o que sente é o gosto do dentifrício barato.&lt;br /&gt;            Como que por instinto, ele puxa o lençol quase até o queixo.   O sufocante negror do ambiente é quebrado pelos números vermelhos que mostram um tempo terrivelmente lento. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115828694037120682?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115828694037120682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115828694037120682' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115828694037120682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115828694037120682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/09/o-vermelho-e-o-negro.html' title='O VERMELHO E O NEGRO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115759532787699115</id><published>2006-09-06T19:12:00.000-07:00</published><updated>2006-09-06T19:15:27.890-07:00</updated><title type='text'>VIVA O PEPINO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A programação da TV brasileira é uma porcaria, todos sabemos.  Não passa dia em que não sejam exibidas besteiras monumentais, tudo justificado pela luta por alguns pontinhos no Ibope.    Não se respeita idade, sexo, filosofias, enfim, qualquer tipo de pensamento que deveria, em tese, elevar a condição humana.&lt;br /&gt;Desenhos animados, por exemplo, são uma lástima.   Houve um tempo em que as emissoras apostavam em apresentadoras, geralmente loiras, de sainhas curtíssimas, para apresentar Frajola, Piu-Piu, e outros personagens.   As crianças talvez nem ligassem (será?) para aquelas adolescentes, ou nem tanto assim, exibindo um belo par de coxas.&lt;br /&gt;Hoje, exceção feita à TV Cultura, o que se assiste em matéria de desenhos animados deixa horrorizado qualquer educador.&lt;br /&gt;Dia desses, zapeando pela TV, passei pelo programa da Xuxa, na Globo, especialista naqueles horrendos (estética e moralmente falando) desenhos japoneses, bem no momento em que um dos personagens, vilão, tinha esta fala: “é bom matar pessoas”.&lt;br /&gt;Aí, a dúvida:  perguntei a mim mesmo se a “nossa rainha” (como a chamadas da Globo a anunciam), deixa sua inocente filhinha Sasha assistir tal porcaria.&lt;br /&gt;Por aí, vai:  a Rede TV traz uma picareta, Luciana Gimenez, que deu certo (aquela que aplicou o golpe do baú no vovô Mick Jagger), num programa de entrevistas onde os temas são tão escabrosos quanto possível.&lt;br /&gt;E por aí navega nossa TV, com programas humorísticos onde a tônica é o deboche, o preconceito, a grosseria, tudo recheado com mulheres que se auto-desvalorizam como gado no abatedouro.  &lt;br /&gt;A Rede TV, que mencionei aí acima, é medíocre, embora apresente algumas coisas onde se esforça (vá lá) para sair desse posso de indigências.   O programa Show Business, apresentado aos domingos à noite, é (era) um deles.   No último fim de semana, após uma entrevista com o presidente da Caixa Econômica, João Dória, Jr. entrevistou uma moçoila, que viemos logo a saber se tratar uma garota de programa.  &lt;br /&gt;Pasmem!  Nos vinte minutos que se seguiram, o que se viu foi um show de vulgaridade travestido de programa sério.   A senhorita (nem tanto), tambééém escreveu um livro (não era a tal de Bruna Surfistinha, novo prodígio das letras brasileiras), onde descreve suas estrepolias.   Contava ela, que se auto-agenciava e dava um duro danado para atender a fregueses distintos em horários quase conflitantes.   Era uma artista, a menina.  Saía de um motel e ia para outro rapidamente, trocando de roupa no caminho e mudando a peruca.   Nesse leva e trás (sem duplo sentido, por favor) contava a guapa mocinha, chegava a ter até treze clientes em cada jornada de trabalho.&lt;br /&gt;O show de bizarrice continuou, ela sempre cutucada por João Dória, Jr, a quem, até aqui, eu considerava um dos poucos na TV a merecerem confiabilidade.   Ao perguntar à menina (não lembro o nome e nem importa), se alguns de seus clientes eram chegados a alguma tara, ela responde que, certa vez, foi recepcionada por um homem, quando chegou ao local do atendimento, com um pepino enfiado num certo lugar da anatomia humana que não deixava dúvidas sobre a condição humana.&lt;br /&gt;Por que escrevo tudo isso?   É fácil depreender.  Sem laivos de um moralismo rançoso e vendo, por exemplo, o show de horrores em que se transformou o horário gratuito para nossos políticos, penso que a televisão, antes de ser testemunha da evolução do homem, está sendo o registro de sua decadência.   Como qualquer acontecimento da história, os resultados surgirão.   Para o bem ou para o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115759532787699115?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115759532787699115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115759532787699115' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115759532787699115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115759532787699115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/09/viva-o-pepino.html' title='VIVA O PEPINO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115733026066437847</id><published>2006-09-03T17:33:00.000-07:00</published><updated>2006-09-03T17:37:40.676-07:00</updated><title type='text'>ACERTO DE CONTAS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Então ficamos assim:&lt;br /&gt;o dito pelo não dito,&lt;br /&gt;e o feito, agora desfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor, essa não conta,&lt;br /&gt;apronta a qualquer momento,&lt;br /&gt;num  tormento meio sem jeito,&lt;br /&gt;cria um destino que afronta,&lt;br /&gt;numa ponta de despeito&lt;br /&gt;feito de um caso ao vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então acertamos assim:&lt;br /&gt;amor  por indiferença,&lt;br /&gt;sem licença ou perdão, enfim,&lt;br /&gt;e a ternura imaginada sem fim,&lt;br /&gt;para mim esgotada na essência,&lt;br /&gt;para você, resgate da solidão&lt;br /&gt;de uma paixão que era apenas um mito&lt;br /&gt;e um grito solto na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fechamos assim:&lt;br /&gt;quero meu Neruda de volta,&lt;br /&gt;fique com a Elis atrás da porta.&lt;br /&gt;A mim, só  coisas em desuso,&lt;br /&gt;abuso da posse perdida&lt;br /&gt;e um acerto chegando ao fim,&lt;br /&gt;num pedaço esquecido da vida.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este poeminha foi selecionado para fazer parte do livro editado pela Universidade Federal de São João del-Rei, no concurso promovido por ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;agosto de 2006&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;                               &lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115733026066437847?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115733026066437847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115733026066437847' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115733026066437847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115733026066437847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/09/acerto-de-contas_115733026066437847.html' title='ACERTO DE CONTAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115698040791741708</id><published>2006-08-30T16:24:00.000-07:00</published><updated>2006-08-30T16:26:47.950-07:00</updated><title type='text'>A CONSAGRAÇÃO DA MERDA</title><content type='html'>CLÓVIS ROSSI  (Folha de São Paulo, 30 de agosto de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A consagração da merda&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pegou e fez escola a sociologia política da merda, exposta inicialmente pelo ator Paulo Betti para justificar a crise ética do governo Lula. Betti disse, curto e bem grosso: "Não dá para fazer [política] sem botar a mão na merda".Uma semana depois, Lula repete, menos grosso, mas rigorosamente com o mesmo sentido: "Política a gente faz com o que a gente tem. Não com o que a gente quer". E, em seguida: "Maioria a gente constrói pelo que a gente tem ao nosso lado. Não pelo que a gente pensa que tem. Esse é o jogo real da política que precisou ser feito em quatro anos para que chegássemos a uma situação altamente confortável". Não é que seja novidade ou surpresa. Novidade é o fato de que quem se dizia monopolista da ética agora assume gostosamente a mais cínica versão do que é política. De quebra, desconstrói as versões anteriores, a da "conspiração das elites" e a do "fui traído", que todo mundo sabia que eram ficções, mas que foram sustentadas ao longo de toda a crise. Não houve traição, confessa agora Lula. Houve "o jogo real da política que precisou ser feito". Leia-se: o mensalão (para não falar em outras atividades, tipo sanguessugas, que também envolvem figuras graúdas do lulo-petismo). Compare-se o Lula de hoje com o Lula do seguinte trecho de seu discurso de posse: "O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo. É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida brasileira". Pronto, está demonstrado o estelionato eleitoral praticado em 2002. Vai-se repetir agora, ao que tudo indica, mas já não como estelionato. O eleitor está informado que o presidente botou a mão na merda. Mas não se importa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115698040791741708?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115698040791741708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115698040791741708' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115698040791741708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115698040791741708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/08/consagrao-da-merda.html' title='A CONSAGRAÇÃO DA MERDA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115621184863946482</id><published>2006-08-21T18:53:00.000-07:00</published><updated>2006-08-21T18:57:28.656-07:00</updated><title type='text'>DE GOIABAS E PRESIDENTES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Você já jogou bolinha de gude?  E pião?   Se respondeu afirmativamente, provavelmente é alguém nascido lá pela metade do século passado  quando as crianças ainda não sonhavam com os chamados anos dourados, mas sabiam o que era “morrer sapateiro” ou “zuncar o pião”.&lt;br /&gt;            Isso fazia parte de minhas aventuras no caminho diário para a escola, jornadas povoadas de heróis e assombrações, animais ferozes e vilões.&lt;br /&gt;            Ah, eles existiam aqui mesmo, em São Paulo, quando a cidade começava a perder sua garoa.   O rumo para a aventura era a centenária rua Siqueira Bueno, no Belenzinho, trilha explorada a cada dia no caminho para o Grupo Escolar Queiróz Teles.  Ela ainda existe, é claro, mas não é mais a mesma.  O asfalto, lojas de revenda de automóveis e até um hospital apareceram como invasores de um terreno que tinha seus donos:  a molecada.&lt;br /&gt;            A rua era calçada com paralelepípedos (ou macacos, como eram chamados) que chegavam até o quarteirão de minha casa.  Da esquina em diante era de terra mesmo, o que tornava possível cavar as quatro casinhas do jogo de bolinhas, dando ensejo a memoráveis disputas depois das aulas.&lt;br /&gt;            Também ficava nessa faixa o Mercado Municipal da Quarta Parada, onde volta e meia entrávamos para roubar azeitonas da banca do “seu” Nicola.&lt;br /&gt;            Por ser arborizada, poetas daquela época talvez dissessem ser aquela uma rua perfumada.   Eu,  a bem dizer, não notava perfume algum, principalmente perto da vacaria dos húngaros, família que se estabelecera numa chácara na esquina da Tobias Barreto, criando vacas e vendendo leite devidamente “batizado”.  O que se sentia ali por perto, evidentemente não era nenhum perfume, mas um poeta sempre é capaz de achar que bosta de vaca é uma fragrância.  De bonito,  mesmo, só as roupas daqueles imigrantes que faziam questão de preservar sua identidade cultural, ainda que mesclada com um pouco da malandragem brasileira.  Ou teria vindo de terras magiares o costume de botar água no leite?&lt;br /&gt;A rua Siqueira era uma subidona e lá no topo, antes da virada da rua da escola, havia uma chácara quase abandonada, com um velho casarão.   Na cabeça da&lt;br /&gt;meninada o que valia mesmo era a imaginação e esta povoava com almas e fantasmas aquela antiga sede de fazenda, fincada de forma ainda imponente no meio de uma selva impenetrável.  Nem mesmo o valentão da turma teve, algum dia, coragem de desvendar esse mistério.   Ainda bem; teria acabado com o encanto morador em nossas mentes.                                                             &lt;br /&gt;As goiabas, sim; eram reais e tentadoras.  O velho caseiro que morava nos fundos desse terreno, as vendia para obter algum sustento.  Nós, crianças, queríamos mesmo era provar de seu gosto e o fazíamos através de incursões furtivas, mas não tão profundas,  naquele terreno proibido.  Não tinha graça pedir ou comprá-las; perderia o espírito de aventura negociar as uvas de dezembro ou os caquis de março.   Sabíamos que o gosto da fruta roubada sempre foi mais saboroso.&lt;br /&gt;            Depois, a escola.  As inesquecíveis aulas com dona Inês, gorda e bondosa como deveriam ser todas as professoras.  E foi num desses dias, a caminho do Grupo Escolar, que encontrei colegas descendo a rua, alvoroçados:  “Hoje não tem aula.  O Getúlio  morreu”.&lt;br /&gt;            O Getúlio morreu?  Isso significava para nós, moleques, que o jogo de bolinhas de gude começaria mais cedo e morreria “sapateiro” quem não corresse as quatro casinhas, ida e volta.&lt;br /&gt;            Fui para casa tirar o uniforme e encontrei minha mãe junto ao velho rádio Philco, ouvindo notícias do Catete.  Na verdade, não era assunto que me interessasse, embora visse o retrato do “Velho”, como meu pai o chamava, por toda parte:  na vendinha do “seu” Leon, na barbearia, na padaria.  Também não dei importância às mulheres nos portões, em rodinhas, algumas disfarçando uma lágrima.  Importante era pegar a caixinha de papelão com as esferas de vidro prontas para o desafio. &lt;br /&gt;            Bons tempos, grandes combates, mas as goiabeiras foram abatidas, e o casarão, posto no chão.  O mercado deu lugar a um banco.  Não sobrou nem um metro quadrado de terra  para se escavar os quatro buracos do jogo de bolinha de gude. Foram-se também os húngaros e suas vaquinhas, vencidos pelo progresso e pelas lojas de automóveis usados.           &lt;br /&gt;Goiabas, hoje em dia, só nas feiras e supermercados.   Também não existem mais mulheres que chorem por causa de seu presidente, a não ser, talvez, no sentido figurado.&lt;br /&gt;            Mas aí já é outra história.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115621184863946482?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115621184863946482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115621184863946482' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115621184863946482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115621184863946482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/08/de-goiabas-e-presidentes.html' title='DE GOIABAS E PRESIDENTES'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115543112385819106</id><published>2006-08-12T18:01:00.000-07:00</published><updated>2006-08-12T18:05:23.870-07:00</updated><title type='text'>EU FAZIA ISTO TAMBÉM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não citei, no post anterior, uma coisa que eu fazia naqueles bons tempos:  matava aula no Saldanha Marinho, pegava o bonde São Jorge e ia assistir aos treinos do Corinthians.   Isso numa época em que os jogadores tinham &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;vergonha na cara&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115543112385819106?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115543112385819106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115543112385819106' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115543112385819106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115543112385819106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/08/eu-fazia-isto-tambm.html' title='EU FAZIA ISTO TAMBÉM'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115515780475393604</id><published>2006-08-09T14:06:00.000-07:00</published><updated>2006-08-09T14:10:04.770-07:00</updated><title type='text'>SE VOCÊ FEZ ISTO ALGUM DIA...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;SE VOCÊ MOROU NO BELENZINHO...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci e vivi boa parte de minha vida no bairro do Belenzinho, em São Paulo.   Muitos o chamam de Belém, mas diz a lenda que este nome foi dado porque o letreiro “Belenzinho” não cabia no mostrador dos primeiros bondes que chegaram ao bairro e “Belém” acabou pegando.     Hoje não há mais bondes e a estação do metrô chama-se Belém mesmo.&lt;br /&gt;Bem, isso pouco importa.  O que interessa é que o bairro tem muitas histórias para contar a os mais saudosos, como eu, devem ter feito pelo menos uma coisa que marcasse sua passagem pelo lugar.   &lt;br /&gt;Na verdade, quem lá viveu, deve ter feito alguma dessas “façanhas”:&lt;br /&gt;- Pegou carona no bonde 45, na rua Belém, indo até o largo São José, dando voltas pelos estribos só para não pagar passagem ao cobrador.&lt;br /&gt;- Tomou porre de vinho Carparelli, na adega do mesmo nome, situada atrás da igreja de São José.&lt;br /&gt;- Comeu bomba de chocolate na confeitaria Mimosa.&lt;br /&gt;- Jogou bilhar no Jacaré, também no Largo.&lt;br /&gt;- Freqüentou as matinês do cine São José.&lt;br /&gt;- Pulou nos bailes de carnaval, também no salão do cinema.&lt;br /&gt;- Matou aula no Colégio Saldanha Marinho, para ir ao cine Íris, ao lado da escola.&lt;br /&gt;- Matou aula no mesmo colégio para  jogar bilhar em frente à escola.&lt;br /&gt;- Comeu pastel na Pastelaria Chinesa, na rua Silva Jardim, perto da passagem de nível da Central do Brasil.&lt;br /&gt;- Pegou carona nos trens de carga da Central manobrando perto da porteira.&lt;br /&gt;- Abriu pelo menos uma vez a porteira manual da linha do trem, ANTES da passagem do mesmo (para deixar o guarda-cancela puto da vida).&lt;br /&gt;- Bateu bola no campo do Marabá, ao lado da linha do trem, na rua Serra de Araraquara.&lt;br /&gt;- Comeu bolinho de bacalhau com Caracu, no boteco ao lado do campo.&lt;br /&gt;- Dançou no salão do Metalúrgica Paulista F.C.&lt;br /&gt;- Desceu a rua Passos para ir nadar na lagoa do Salada, ao lado do rio Tietê, quando nem se imaginava a construção da Avenida Marginal.&lt;br /&gt;- Estudou no G.E. Amadeu Amaral, com “seu” Júlio batendo uma enorme sineta nos horários de entrada e saída.&lt;br /&gt;- Foi para o centro da cidade nos ônibus da linha “75”.&lt;br /&gt;- Foi para o centro da cidade nos primeiros bondes tipo “camarão” (porque eram pintados de vermelho).   Um luxo.&lt;br /&gt;- Estudou datilografia na Escola Álvaro Guião, com suas máquinas Remingtonn já pré históricas naquela época.&lt;br /&gt;- Pegou o ônibus “Vila Santa Isabel”, da Viação Cometa (sim, senhor, Viação Cometa), e ir até aquele bairro para ver o “milagre” da imagem da Santa que aparecia numa garrafa de água.&lt;br /&gt;- Amassou barro na Vila Santa Isabel para ver a santa e voltou de lá sem ter visto nada.&lt;br /&gt;- Assistiu a memoráveis jogos entre o Fileppo e o Radium, no campo daquele, na Siqueira Bueno, e que invariavelmente terminavam com monumentais brigas.&lt;br /&gt;- Comprou sapatos na Sapataria Pitta (que existe até hoje).&lt;br /&gt;- Assistiu triste ao fechamento definitivo da cancela da passagem de nível e a demolição de muitas casas para construção do viaduto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem passou por essas situações, ou algumas, entende porque a vida era boa naquele tempo.   &lt;br /&gt;Saudosista, eu?   É, sou mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115515780475393604?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115515780475393604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115515780475393604' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115515780475393604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115515780475393604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/08/se-voc-fez-isto-algum-dia.html' title='SE VOCÊ FEZ ISTO ALGUM DIA...'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115430878844040762</id><published>2006-07-30T18:17:00.000-07:00</published><updated>2006-07-30T18:19:48.456-07:00</updated><title type='text'>TROPA DE MULAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabido que, no passado, tropas de mulas eram trazidas do sul do país para serem negociadas na região de Sorocaba.  Era um negócio lucrativo e foi importante no desenvolvimento das regiões sudeste e centro-oeste.   Nesse percurso do Rio Grande do Sul até seu destino, esses aventureiros criaram vilas que acabaram se transformando em cidades. &lt;br /&gt;O tempo e a evolução dos transportes deu fim a essas heróicas jornadas, hoje pouco lembradas pelos brasileiros.&lt;br /&gt;Foi no programa &lt;em&gt;Globo Rural&lt;/em&gt;, da TV Globo, que esses heróis e suas jornadas foram relembrados através da recriação dessas caminhadas.   Na edição de hoje, foi mostrado o início de uma viagem de tropa, partindo de seus pontos originais.   O caminho a ser percorrido será o mesmo, passando por cidades agora enormes ou caminhando por asfalto, mas sempre relembrando o que eram aquelas aventuras.  &lt;br /&gt;Sempre emociona ver que brasileiros se esforçam para manter o espírito vivo daquilo que hoje é história, mas um dia foi epopéia.   Emociona também, ver que jovens partilham dessa aventura e até crianças, mesmo sem participar, também são tocadas pelo espírito da aventura.   Foi mostrado um menino, devidamente pilchado (para quem não sabe, significa caracterizado como gaúcho), manejando o laço, pois trazia no sangue a marca de seus ancestrais.&lt;br /&gt;Emocionante também, foi a presença de “José Tropeiro”, de 83 anos, também trajado, e louco para participar da jornada.   Claro, não lhe foi possível, mas nem por isso deixou de mostrar sua força de tropeiro, gaúcho e brasileiro:  com essa idade, ainda monta, laça e disputa torneios com seu filho e seu neto.&lt;br /&gt;A história está presente na pessoa de “seu” José, brasileiro, gente do povo, gente nossa.&lt;br /&gt;E pensar que certa pessoa vem e nos diz que, além dela, só Getúlio Vargas se aproximou mais do povo.&lt;br /&gt;Pára de falar besteira, tchê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115430878844040762?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115430878844040762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115430878844040762' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115430878844040762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115430878844040762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/07/tropa-de-mulas.html' title='TROPA DE MULAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115412132625657748</id><published>2006-07-28T14:11:00.000-07:00</published><updated>2006-07-28T14:15:26.266-07:00</updated><title type='text'>PROVÉRBIOS CONTEMPORÂNEOS</title><content type='html'>&lt;em&gt;NELSON MOTTA&lt;/em&gt;   - Folha de São Paulo, 28/7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;RIO DE JANEIRO - Além de ser o país da piada pronta, como diz o Zé Simão prenhe de razão, vivemos em uma terra onde se subverteu e se desmoralizou até mesmo provérbios universais consagrados pela sabedoria popular. A começar pelas medonhas galerias de sanguessugas e mensaleiros, desmentido cabal de que as aparências enganam.   Aqui, ladrão que julga ladrão dá cem anos de perdão, aqui é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que o STF condenar um parlamentar, aqui se faz e aqui não se paga. No Brasil, o ladrão faz a ocasião, geralmente com emendas parlamentares e contribuições de campanha.   Neste país, quem dá aos pobres (com dinheiro público) empresta ao eleitor, mais vale uma verba na mão do que duas emendas voando, a liberdade deles começa onde termina a nossa.   Neste país ajeitadinho, contra os fatos não há argumentos, só bons advogados e lobistas, macacos velhos têm cumbucas em paraísos fiscais, dinheiro sujo não se lava em casa.  São partidos, partidos, negócios à parte, a parte de cada um no negócio.  Como se tem visto e ouvido em rede nacional, mentir e coçar é só começar, quem rouba um conto esconde um ponto, devagar não se vai a lugar nenhum e CPI que ladra não morde.  O segredo é a lama do negócio.  No Brasil, tristezas não pagam dívidas de campanha, quando um burro fala os outros aplaudem, os cães ladram e a caravana é assaltada, quando um não quer dois não roubam, chamam mais gente.   Quem nunca comeu melado se lambuza em estatais, quem elegeu os Matheus (Rosinha e Garotinho) que os embale.  Deve-se dar a Lula o que é de Deus e a César a Prefeitura do Rio, porque Deus e Lula, não necessariamente nessa ordem, dão a bolsa conforme o eleitor. Espero que quem o voto fere pelo voto seja ferido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115412132625657748?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115412132625657748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115412132625657748' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115412132625657748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115412132625657748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/07/provrbios-contemporneos.html' title='PROVÉRBIOS CONTEMPORÂNEOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115288745716858408</id><published>2006-07-14T07:22:00.000-07:00</published><updated>2006-07-14T07:30:57.193-07:00</updated><title type='text'>A CORDA, AS DUAS PONTAS E SUA METADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca brincou de cabo-de-guerra?   Provavelmente, nem que tenha sido pelo menos uma vez na vida, todos tivemos essa brincadeira onde uma pessoa, ou várias, em cada ponta de uma corda a puxavam a seu favor, querendo desbancar a turma oponente.&lt;br /&gt;Esse brinquedo pode, curiosamente, ter várias interpretações; desde uma atividade pueril até uma disputa, no sentido figurado, da conquista de posições na sociedade, sejam estas éticas ou não.&lt;br /&gt;O que estamos assistindo nestes últimos dias (repetição de outros passados e alerta sobre aqueles que poderão vir) em São Paulo (cidade e estado), mostra um horripilante jogo de cabo-de-guerra.   De um lado, uma facção criminosa que conseguiu se organizar de tal forma a poder afrontar o Estado e seus representantes.   De outro, esses representantes e seus prepostos, escolhidos pelo cidadão comum, que dão mostras de uma tibieza inaceitável a despeito de seus discursos pomposos, promessas mirabolantes, sempre escudados em intenções políticas, dissimuladas ou não.&lt;br /&gt;O curioso é que nesta brincadeira, há três grupos de competidores; os dois acima citados, e no meio da corda, a população, que  é puxada de um lado para outro, sem forças para controlar a disputa.&lt;br /&gt;Curioso, também, e não menos repulsivo, é o fato de que em qualquer disputa entre grupos, é sempre o do meio que carrega o ônus dessa luta dos contendores nas pontas da corda.  &lt;br /&gt;Vejamos:  quando uma determinada categoria  (metroviário, motoristas e cobradores, metalúrgicos, professores (eles também), trabalhadores da construção civil, médicos e enfermeiros, agentes da Receita Federal, bancários, camelôs, Sem-terra, Sem-teto) quer reivindicar algo, sem o menor escrúpulo tomam a população como refém: paralisam os transportes, fecham avenidas ou simplesmente cruzam os braços como fizeram os fiscais da Anvisa, não permitindo a entrada de materiais médicos importados, muitos de urgência e pondo em risco a vida de cidadãos que pagam impostos.&lt;br /&gt;Do outro lado da corda, o poder público: o Executivo, quando é o caso, faz ouvidos de mercador, mas com uma voz de tenor: discursos, promessas e só.   O Judiciário, vítima de sua própria lerdeza e de leis mais do que ultrapassadas, não se impõe, não decide e não faz cumprir.&lt;br /&gt;E o Legislativo?   Ora, neste caso, eu precisaria de mais tempo, mais paciência e mais estômago para falar sobre essa instituição cada vez mais desmoralizada.   Deixa quieto, portanto.&lt;br /&gt;E sobramos nós, no meio a corda.   Puxados de um lado, de outro, aguardamos a mesma arrebentar.  &lt;br /&gt;Parece, contudo, que ninguém está percebendo que, se isso acontecer, todos cairemos juntos ao fundo do poço.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115288745716858408?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115288745716858408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115288745716858408' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115288745716858408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115288745716858408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/07/corda-as-duas-pontas-e-sua-metade.html' title='A CORDA, AS DUAS PONTAS E SUA METADE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115195160837218310</id><published>2006-07-03T11:29:00.000-07:00</published><updated>2006-07-03T11:33:28.403-07:00</updated><title type='text'>ENTREVISTA COM O MORTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&amp;shy;- Como é seu nome?&lt;br /&gt;- Luiz Carlos Cordeiro, seu criado.&lt;br /&gt;- Quando foi que você morreu?&lt;br /&gt;- Ah, foi em 91, não lembro direito o dia, não, senhor.&lt;br /&gt;- E que idade você tinha nessa época?&lt;br /&gt;- Trinta anos, doutor.  &lt;br /&gt;- E como aconteceu?&lt;br /&gt;- Foi num assalto, moço.   Eu trabalhava de cobrador de ônibus, aconteceu o assalto.  Eram três elementos; entraram no ônibus, pegaram o dinheiro da gaveta e me deram um tiro no peito.&lt;br /&gt;- Pegaram os assassinos?&lt;br /&gt;- Que eu saiba, pegaram não, doutor.   Aliás, quando isso acontecia, e acontece ainda hoje, o caso logo caia no esquecimento.&lt;br /&gt;- Você parece um tanto revoltado com isso.  Estou certo?&lt;br /&gt;- Está sim, doutor.   Muito certo.&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;- Não sei se o senhor se lembra, nesse ano, mais ou menos na época em que eu morri, aconteceu aquele negócio que chamaram de “massacre do Carandiru”.&lt;br /&gt;- E o que tinha a ver com seu caso?&lt;br /&gt;- Com meu caso, nada, seu doutor, mas com o que aconteceu em volta daquele bafafá todo, sim.&lt;br /&gt;- Me explique.&lt;br /&gt;- Quando eu morri, meus colegas fizeram uma paralisação de protesto, seguraram os ônibus na garagem, veio a imprensa, mas não deu em nada, não.&lt;br /&gt;- Continuo não entendendo.&lt;br /&gt;- Quando aqueles cento e onze infelizes foram mortos na penitenciária, pareceu que o mundo ia cair.  A jornais deram manchete por vários dias.   O pessoal desse tal de Direitos Humanos botou a boca no mundo; veio até uma dona, gringa, de um tal de Humans Rights Watch, de narizinho empinado, que queria porque queria, saber do que tinha acontecido.   Teve até um padreco importante, acho que um tal de dom Evaristo Arns, que correu pra rezar uma missa para os mortos, acompanhado de outros doze padres, na Catedral da Sé.&lt;br /&gt;- E isso te deixa revoltado?&lt;br /&gt;- E não é pra deixar, seu doutor?   Eu tive uma missazinha, sim, que meus colegas se cotizaram e mandaram rezar lá em São Mateus, mas não teve jornalista, político, nem filho da puta nenhum pra prestar solidariedade.&lt;br /&gt;-  E das comissões de Direitos Humanos?  Apareceu alguém?&lt;br /&gt;-  Nem aquela hora, nem em qualquer outra.&lt;br /&gt;-  Você tinha família?&lt;br /&gt;-  Sim, eu era casado e tinha dois filhos pequenos.&lt;br /&gt;-  E que acontece com eles?&lt;br /&gt;-  Até onde eu sei, não foram procurados por ninguém pra receber qualquer ajuda que fosse.&lt;br /&gt;-  Por que você resolveu desabafar agora?&lt;br /&gt;-  Veja bem, doutor.   Aqui no limbo onde me encontro, a gente tem notícia do que acontece por aí.   E a gente fica puto da vida com o que acontece?&lt;br /&gt;-  O quê, por exemplo?&lt;br /&gt;-  Esse tal de Direitos humanos.... serve pra quê?&lt;br /&gt;-  Bem, para defender o cidadão contra as injustiças, proteger aqueles ameaçados pelos bandidos...  coisas assim.&lt;br /&gt;-  E também pra proteger alguns desses bandidos, né, doutor?&lt;br /&gt;- Acho que não é bem assim.&lt;br /&gt;- Não é assim, porra nenhuma.   Pensa que nós, os mortos, na sabemos das coisas?   Acha que nós não vemos que estão fazendo dessa Suzanne Ritch... Ritchte.. sei lá que nome de merda, uma coitadinha?  E esse tal de Pimenta das Neves?   Dá um tiro na cabeça da namorada caída no chão e fica solto por aí como se tivesse matado um cão.   Ora, doutor...&lt;br /&gt;- Bem, devo admitir que certos casos também me deixam meio cabreiro.&lt;br /&gt;- Pois o senhor deveria ficar cabreiro por inteiro.  O senhor acha justo que um bandidão daqueles da pesada sejam tratados a pão-de-ló?   Que um promotor possa matar um cidadão com dez tiros e continuar solto?  E trabalhando?  Que o mandante dos assassinos daquela freira do Pará saiam da cadeia? &lt;br /&gt;-  Bem, a Justiça é um pouco lerda e muito burocrática.&lt;br /&gt;-  Justiça?   Não me faça rir.   Quando uma quadrilha de bandidos, daqueles bem fodidos, é aniquilada pela polícia, a primeira coisa que fazem é investigar se houve excessos nessa ação.   Isso, mesmo se comprovando que os bandidos estavam armados até os dentes e passeavam pela cidade como se fosse um filme de faroeste.  Lembra daquele caso da Castelinho?   Um ônibus lotado de bandidos armados até os dentes, rumando para Sorocaba – não era pra fazer compras, não – foi interceptado pela polícia e no frege, todos foram mortos.   Quem apareceu pra criticiar?  Os mesmos demagogos de sempre, exigindo investigação, justiça, os escambau.  Ninguém se importou em procurar saber o que eles, os meliantes, iam fazer, onde e com quem.&lt;br /&gt;-  Nesse ponto você...&lt;br /&gt;-  Peraí, doutor, eu ainda não acabei.   Quando a polícia reagiu, depois daqueles atentados em São Paulo, esses defensores dos tais de Direitos Humanos, ficaram pissudos querendo saber se houve excesso.   Bom, tenho de admitir que pode ter havido, sim, só que eu não vi nenhum membro dessas comissões ir visitar as famílias dos policiais mortos.  Direitos Humanos só de um lado?   Ora, pode parar...&lt;br /&gt;-  A violência gera violência.   Você acha certo?&lt;br /&gt;- O que eu acho, doutor, é que ela nem deveria começar.   Mas, pelo andar da carruagem acho que ainda vamos ver muito sangue correr.   Quem viver verá.   Quem viveu, também.  Não tá vendo os quatro agentes penitenciários assassinados nos últimos dias?  Com Copa do Mundo e tudo.&lt;br /&gt;- Pelo seu tom, parece achar que vem mais coisa por aí.&lt;br /&gt;- Ah, ah, ah, ah…  o senhor disse “parece”?   O senhor ainda não viu nada.&lt;br /&gt;- Uma palavrinha final.&lt;br /&gt;- Um alô pra minha mulher e meus dois filhotes.   Não sei o que aconteceu com eles, ninguém sabe.   Ninguém se importou.   Ninguém mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115195160837218310?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115195160837218310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115195160837218310' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115195160837218310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115195160837218310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/07/entrevista-com-o-morto.html' title='ENTREVISTA COM O MORTO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115067983373151924</id><published>2006-06-18T18:15:00.000-07:00</published><updated>2006-06-18T18:17:13.750-07:00</updated><title type='text'>OS DE CIMA E OS DE BAIXO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foram poucas as vezes que ouvi a frase “cada povo tem o governo que merece”.   Também não foram poucas as ocasiões nas quais essa assertiva calou fundo em mim, pois se lá em cima, ou seja, no patamar onde trafegam os homens públicos que conduzem os destinos de todos nós, temos tomado conhecimento, diariamente, de atos, manobras, discursos e toda uma gama de atitudes que condenariam ao fogo do inferno esses assim denominados representantes do poder constituído, aqui embaixo, onde estão aqueles que os elegeram, o clima não é melhor e, desgraçadamente, a cada dia tomo conhecimento de fatos que ainda me estarrecem, não obstante o não pouco tempo em que vivo neste mundo, ingrato mundo.&lt;br /&gt;A malandragem brasileira já se institucionalizou.   Dar um golpe, passar a conversa em algum incauto, estacionar acintosamente onde é proibido parar o carro, furar a fila ou então, na maior cara dura, usar a fila de idosos ou deficientes físicos, quando não se é nem uma ou outra coisa, já se tornou coisa corriqueira  Eu poderia desfilar um sem número de ocasiões em que o jeitinho brasileiro (eufemismo para explicar a falta de educação, de decoro, ou sem-vergonhice pura) se manifesta.&lt;br /&gt;Um exemplo desses eu tive ontem quando fui à biblioteca do bairro à procura de uns livros.   Pedi à atendente que me indicasse onde estava  “Grandes Sertões”, leitura que devo a mim mesmo há séculos e finalmente (já que terei uma semana de sossego num lugarejo do interior), iria conhecer.&lt;br /&gt;A resposta foi a de que o livro (o único exemplar daquele próprio municipal) estava emprestado.   “Pelo menos há quem venha procurar pelo livro”, pensei como uma compensação.&lt;br /&gt;Pedi então que me orientasse na busca de “A montanha mágica”, de Thomas Mann, já que, tendo consultado o fichário (na biblioteca não há nem nunca houve computadores), soube que havia seis exemplares nas prateleiras.&lt;br /&gt;Havia?   Havia nada.   A explicação da simpática senhora foi a de que, tendo caído forte chuva num fim de semana, goteiras sobre as estantes estragaram esses e outros livros, que não foram, desde então, repostos.   Isso considerando-se que a forte chuva de fim de semana ocorrera no verão e estamos às portas do inverno.&lt;br /&gt;Francamente desanimado, comentei com ela como é que queriam que os jovens tivessem acesso à leitura, se a biblioteca passava por um estado desanimador desses.&lt;br /&gt;“O senhor pensa que os jovens se interessam pelos livros quando não são obrigados a lê-los?   Se realmente se interessassem, não fariam isso aí”.   E mostrou-me uma caixa com mais de quinhentas fichas de livros emprestados há meses, e que não foram mais devolvidos.&lt;br /&gt;“E sabe o que mais?” continuou.   “Temos ‘n’ livros com  páginas arrancadas, ou seja, aquelas que interessam a quem procura por determinada matéria.  Eles nem têm ficha de inscrição aqui; apenas entram,  arrancam o que lhes interessa e vão embora.   Isso, quando não levam o livro debaixo da blusa”.&lt;br /&gt;Diga agora, você, leitor, o mau exemplo vem de cima, sai de baixo, ou é tudo uma geléia geral?   Votar em “A” ou “B”, nas próximas eleições mudará alguma coisa?. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115067983373151924?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115067983373151924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115067983373151924' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115067983373151924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115067983373151924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/06/os-de-cima-e-os-de-baixo.html' title='OS DE CIMA E OS DE BAIXO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115033646050576479</id><published>2006-06-14T18:47:00.000-07:00</published><updated>2006-06-14T18:54:20.526-07:00</updated><title type='text'>PROFECIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;RUBEM ALVES&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;   &lt;strong&gt;(folha de são paulo, 13/6)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;A vaca e a ursa pastarão juntas... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;"São Francisco usava o fogo sagrado para aquecer a alma, Torquemada o usava para churrasquear hereges.   Fiquei pasmo com a fotografia que a Folha publicou: o Lula e o Quércia, apertando as mãos, sorridentes, como grandes amigos, aliados num projeto comum para o Brasil! Quem diria! Mas o pasmo do meu rosto logo se desfez e foi substituído por um sorriso de felicidade! Dei-me conta de que ali, na fotografia, estava o cumprimento de uma antiga profecia que anunciou que, no fim dos tempos, "a vaca e a ursa pastarão juntas..." (Isaías 11.7). Deus cumpre o que promete. Mas os meus recursos hermenêuticos me falham: não consegui identificar nem a vaca nem a ursa..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu comentário:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Para quem não lembra, Quércia é aquele mesmo a quem Lula chamou de "ladrão de carrinho de pipocas", anos atrás)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero o de vocês.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115033646050576479?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115033646050576479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115033646050576479' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115033646050576479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115033646050576479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/06/profecia.html' title='PROFECIA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-115015826686805936</id><published>2006-06-12T17:19:00.000-07:00</published><updated>2006-06-12T17:27:16.860-07:00</updated><title type='text'>ELA E ELAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, e com justo motivo, venho render homenagens a uma cantora. Já escrevi antes sobre Mônica Salmaso, Ná Ozzeti, Teresa Cristina, deixando em segundo plano artistas do sexo masculino. Há uma razão; elas, cada qual à sua maneira, têm um quê a mais que os marmanjos não têm. Claro, há bons cantores que valorizam suas interpretações com nuances que particularizam cada artista e lhes dá o merecido destaque.&lt;br /&gt;Com elas é diferente. Posso dizer, sem medo de errar, que muitas cantoras estão um degrau acima no nível de apresentação e encantamento que têm para a platéia.&lt;br /&gt;Foi isso que constatei ontem à noite, no SESC Pompéia, assistindo a apresentação de Zizi Possi. Não é de agora que a conheço e sempre a tive na conta das melhores artistas do cenário musical, embora percebesse que certos limites surgiam na carreira, como por exemplo, sua fase italiana, agradável de se ouvir, mas não muito distante dos lugares comuns que cercam algumas profissionais.&lt;br /&gt;Ontem, tive de rever todos os meus conceitos sobre ela. A apresentação foi um primor de trabalho, artístico e profissional. Vi surgir no palco uma cantora que passou por uma reformulação (talvez fosse melhor dizer, descobriu-se por inteira), numa apresentação muito próxima da perfeição.&lt;br /&gt;Não é difícil explicar: ela própria, ao início do espetáculo, disse estar satisfeita em se apresentar com seu pessoal (músico, técnicos de som e luzes, e direção), fato a levar a quase perfeição aos mínimos detalhes. À parte da competência da artista, talvez tenha sido essa a pedra de toque do espetáculo, o que permitiu avaliá-lo em toda sua plenitude.&lt;br /&gt;A noite de Zizi Possi foi a de uma artista na mais completa acepção do termo. Foi, ao mesmo tempo, cantora e atriz. O palco do SESC Pompéia tem a característica de possuir duas platéias, voltadas de frente uma para a outra, situando-se o palco entre elas. A cantora soube se posicionar nesse espaço e o ritual de gestos e expressões, sem exageros, encaixou-se quase como um balé às músicas que interpretava.&lt;br /&gt;E o repertório, &lt;em&gt;pièce de résistence&lt;/em&gt; do espetáculo, aberto de forma magnífica com &lt;em&gt;Melodia sentimental&lt;/em&gt;, de Villa-Lobos e Dora Vasconcelos, seguiu com músicas como &lt;em&gt;Explode coração&lt;/em&gt; (um banho de sensualidade), &lt;em&gt;Sol e chuva&lt;/em&gt; (Chico Buarque e Edu Lobo, imbatíveis), &lt;em&gt;Fly me to the moon&lt;/em&gt; e, surpreendentemente, &lt;em&gt;Uirapuru&lt;/em&gt;, do paraense Waldemar Henrique, maestro, pianista e compositor, a qual minha mulher, emocionada, cantarolou junto, pois lembrou-a dos tempos da Escola Normal Padre Anchieta, onde o coral de alunas a apresentava.&lt;br /&gt;Por quê &lt;em&gt;Ela e elas&lt;/em&gt; ? Vou apenas ser repetitivo: cantoras como Zizi Possi estão sempre um patamar acima de seus congêneres masculinos. Conformemo-nos e aplaudamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-115015826686805936?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/115015826686805936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=115015826686805936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115015826686805936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/115015826686805936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/06/ela-e-elas.html' title='ELA E ELAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114981727322083202</id><published>2006-06-08T18:32:00.000-07:00</published><updated>2006-06-08T18:41:13.240-07:00</updated><title type='text'>CONCURSO LITERÁRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;VI CONCURSO LITERÁRIO  “PRÊMIO CLEBER ONIAS GUIMARÃES” – 2006 &lt;br /&gt;              PARA AS MODALIDADES CONTO, CRÔNICA E POESIA LIVRE&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;                                                        R E G U L A M E N T O&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;           O &lt;strong&gt;Conselho Comunitário de São Paulo&lt;/strong&gt;, entidade sem fins lucrativos e fundada há 52 anos,  torna público que a partir de &lt;strong&gt;30/06/2006  até 31/8/2006&lt;/strong&gt;, estará recebendo inscrições dos interessados em participar do VI Concurso nas modalidades &lt;strong&gt;Conto, Crônica e Poesia Livre,  Prêmio “Cleber Onias&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Guimarães”,&lt;/strong&gt; obedecidas as disposições a seguir:&lt;br /&gt;1 - O concurso premiará os três primeiros colocados (um primeiro lugar e duas menções honrosas), divididos em duas categorias:  &lt;strong&gt;Juvenil&lt;/strong&gt; (de 14 até 18 anos) e &lt;strong&gt;Adulto&lt;/strong&gt; (acima de 18 anos).  Ambas serão subdivididas em duas regiões:  &lt;strong&gt;LOCAL&lt;/strong&gt;, para concorrentes da Capital de São Paulo  e &lt;strong&gt;NACIONAL&lt;/strong&gt;, para concorrentes de cidades da Grande São Paulo, do estado de São Paulo,  outros estados e exterior (desde que escrito em língua portuguesa.  &lt;br /&gt;2 - Cada concorrente poderá, dentro de sua categoria, participar de apenas uma das modalidades e o trabalho deverá ser inédito.&lt;br /&gt;3 - O trabalho deverá ser enviado em 3 (três vias) datilografadas em folha sulfite, espaço 2 ou digitadas em folha A4, Fonte Times New Roman ou Arial, espaço l,5 e tamanho 12.   Número de páginas permitidas:   Contos e Crônicas:  até três.   Poesia:  até duas.  Não serão aceitos trabalhos manuscritos.&lt;br /&gt;4 -  Junto ao título do trabalho mencionar o pseudônimo utilizado.&lt;br /&gt;5 - Dentro do envelope com o trabalho, deverá constar um outro menor, lacrado, contendo na parte externa o título da obra, modalidade, pseudônimo, região e categoria à qual concorre.   Dentro deste, uma folha datilografada ou digitada, com a identificação do candidato:  nome sem abreviações e endereço completo, telefone, e-mail (se houver) para contato, data de nascimento (obrigatória), currículo literário resumido, informando ainda como tomou conhecimento do concurso.   Também deverão constar o título do trabalho, o pseudônimo adotado, modalidade e a categoria a qual concorre.&lt;br /&gt;6 - No envelope externo, cujo tamanho não deverá ser menor que A-4, mencionar na frente a categoria do concorrente,  modalidade da qual está participando e região a qual pertence.  A falta dessas informações resultará na exclusão do concorrente.  Caso seja enviado pelos Correios, deverá ter na parte do remetente identificação alternativa, ou seja, nome e endereço que não sejam aqueles do concorrente.&lt;br /&gt;7 - No caso de envelopes enviados pelos Correios será observada a data da postagem.&lt;br /&gt;8 - Fica vedada a participação de membros do Conselho Comunitário, seus familiares e parentes de 1º grau, bem como funcionários das entidades que vierem a apoiar o evento.&lt;br /&gt;9 - O primeiro colocado de cada modalidade e categoria receberá um troféu  alusivo ao evento.   Os segundo e terceiro colocados de cada modalidade e categoria, serão contemplados com um diploma cada.&lt;br /&gt;10 -O envio do trabalho pressupõe a aceitação deste regulamento por parte do concorrente que, todavia, permanece de posse da autoria, mas autorizando seu eventual uso pelos organizadores sem quaisquer ônus para  os mesmos.&lt;br /&gt;11 -As decisões da Comissão Julgadora serão irrecorríveis.  Casos não previstos no presente regulamento serão decididos pela Presidência do Conselho Comunitário.&lt;br /&gt;12 -Os resultados serão publicados através da imprensa local ou outros meios adequados aos organizadores, em data a ser divulgada pelos organizadores.  Apenas os premiados serão comunicados por carta ou e-mail e deverão confirmar o recebimento da notificação.  No caso de impossibilidade do comparecimento à premiação, poderão enviar representante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O(S) TRABALHO(S) DEVERÃO SER ENVIADOS PARA O SEGUINTE ENDEREÇO:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CONSELHO COMUNITÁRIO DE SÃO PAULO&lt;br /&gt;PRAÇA SANTA TEREZINHA, 49  - SÂO PAULO  -  CEP  03308-070&lt;br /&gt;MENCIONAR:  AOS CUIDADOS DE MALU  -  VI CONCURSO LITERÁRIO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;INFORMAÇÕES: (011) 6198-2683 (Malu)  /  E-MAIL:  folhassoltas@uol.com.br (Carlos)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114981727322083202?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114981727322083202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114981727322083202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114981727322083202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114981727322083202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/06/concurso-literrio.html' title='CONCURSO LITERÁRIO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114969232786988241</id><published>2006-06-07T07:53:00.000-07:00</published><updated>2006-06-07T10:09:53.536-07:00</updated><title type='text'>AS BOLHAS!  AS BOLHAS!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava eu no meu boteco preferido saboreando uma loira estupidamente gelada, quando chegou o Arnesto, sempre ligado nas questões nacionais, principalmente naquelas que mais de perto tocam o povo brasileiro. Conversa vai, conversa vem, perguntei-lhe:&lt;br /&gt;- Você acha que o Lula leva já no primeiro turno?&lt;br /&gt;- Veja bem: Parreira não pode confiar no quadrado mágico. Ronaldo não está 100 % e isso implica em sobrecarga no meio de campo.&lt;br /&gt;- Certo. Mas, e os sanguessugas? Serão punidos ou acobertados como no caso do mensalão?&lt;br /&gt;- Não sei, não. O miolo da defesa precisa se aprimorar nas bolas altas. Nossos adversários têm bons cabeceadores.&lt;br /&gt;- Afinal, as autoridades cederam ou foi o mesmo o PCC que julgou melhor parar os ataques?&lt;br /&gt;- Boto muita fé no Ronaldinho Gaúcho. Faz um bom tempo que não aparecia alguém juntando técnica e alegria de jogar. Ele vai arrebentar a boca do balão.&lt;br /&gt;- O que você acha dessa invasão da Câmara do Deputados pelos integrantes do MLST?&lt;br /&gt;- Temos o Robinho na reserva. Não sei se é uma boa alternativa, porque Copa do Mundo é de uma responsabilidade das maiores. E eu não sei se ele já está preparado pra e enfrentar essa barra.&lt;br /&gt;- Será verdade o que dizem por aí? Falam as más línguas que Aécio Neves e José Serra não estão nem aí para a campanha do Alckmin, pois a intenção deles é deixar o Lula levar, já que o barbudo não poderá concorrer em 2010 e eles não querem enfrentar o Geraldo naquela ocasião.&lt;br /&gt;- Não tenho nada contra o fato de os jogadores saírem, em suas folgas, para se divertir um pouco. É preciso relaxar, né? São 180 milhões de torcedores pesando em seus ombros. Na hora H, não falharão, tenho certeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que me diz de José Dirceu? Deveria estar na sombra, como outros cassados, mas está aparecendo muito na mídia, inclusive, dizem, intermediando a venda da Varig.&lt;br /&gt;- Vai arrebentar. Tenho certeza que vai. Kaká vai ser a estrela da Copa. Não tem o carisma de um Ronaldinho, mas é técnico, competente e não foge do pau.&lt;br /&gt;- Suzanne von Richittofen será condenada? Ou só os irmãos Cravinhos é que pagarão o pato?&lt;br /&gt;- Não tenho dúvidas. Cafu, apesar da idade, será o condutor da meninada nessa jornada. Tenho muita fé nesse cara.&lt;br /&gt;- Bem, foi um prazer bater um papo com você. Como sempre, suas intervenções foram elucidativas. Bem se vê que está ligado nas grandes questões nacionais. É de brasileiros assim que precisamos.&lt;br /&gt;- Peraí! Peraí! Nem tudo está legal, não. As bolhas! As bolhas! Se não secarem as feridas das bolhas nos pés do Ronaldo, não sei, não. Teremos um grande desfalque no ataque. Caramba! Será que você não percebe a seriedade da situação?&lt;br /&gt;- Certo. Tim, tim. À nossa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114969232786988241?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114969232786988241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114969232786988241' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114969232786988241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114969232786988241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/06/as-bolhas-as-bolhas.html' title='AS BOLHAS!  AS BOLHAS!'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114924846519671682</id><published>2006-06-02T04:15:00.000-07:00</published><updated>2006-06-02T04:43:56.226-07:00</updated><title type='text'>GERSON REDIVIVO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vocês se lembram daquela famosa propaganda de cigarros, cujo bordão pegou tanto que é usado até hoje? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois é; "o negócio é levar vantagem em tudo", dizia o célebre jogador da seleção brasileira de futebol. A cada dia se vêem por aí "n" exemplos de aproveitadores que levam essa máxima ao pé da letra. Há, no momento, uma propaganda de uma operadora telefônica, onde aparece o simpático Ronaldinho Gaúcho, numa moderna versão do famoso Canhotinha, e que anuncia um telefone cujo toque lembra um hino de guerra futebolístico "êêê... sou brasileiro... com muito orgulho..." etc, etc, etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nela, o telefone da propaganda toca nas horas mais impróprias, o que já virou hábito na nossa sociedade telefônica. A propaganda termina com o jogador chegando a um restaurante e pedindo, via telefone, para alguém chamar dalí a pouco. Como nos exemplos anteriores dessa propaganda, irá perturbar o ambiente. E a propaganda quer nos fazer crêr que isso faz parte do bom humor brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E em bom humor também, pensaram nosso geniais publicitários ao criarem aquela propaganda de uma cerveja, onde uma seleção argentina tenta fazer um gol numa trave móvel. Para encurtar o papo, mais um retrato da nossa inimitável arte de trapacear e ainda dar risada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E já que é para dar risada, vamos lá: investigar a máfia dos sanguessugas? Não, o Congresso não quer. Chamar Daniel Dantas para depôr? Nem pensar. Manter Suzzanne Richttofenn presa? Pra quê? Ela não representa perigo para a sociedade (alguém aí dormiria com ela?). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem vou me alongar, pois só no campo político daria para se ver que estamos a caminho do fundo do poço e os próximos anos prometem ser "dourados" (no sentido de enriquecimento ilícito, se me permitem a piada). E não falo só do partido que está no poder; os da oposição estão dando um show de mediocridade e incompetência. Tirar um e colocar o outro seria trocar seis por meia duzia, deduzida as comissões de praxe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não quero estragar minha sexta-feira nem a de vocês. Dia 13, a seleção nos redimirá. Em outras palavas, relaxem e gozem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114924846519671682?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114924846519671682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114924846519671682' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114924846519671682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114924846519671682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/06/gerson-redivivo.html' title='GERSON REDIVIVO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114868515451757701</id><published>2006-05-26T16:07:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T16:12:34.530-07:00</updated><title type='text'>SEM COMENTÁRIOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Minto, logo, existo&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bill Clinton presidiu os EUA num dos mais períodos mais prósperos e pacíficos de sua história, zerou o déficit público, tinha grande prestígio nacional e internacional e sólida aprovação popular, era dono de irresistível carisma e notável orador. Jamais foi acusado de roubar nada nem de ser complacente com a corrupção, mas, mesmo assim, sofreu um processo de impeachment, foi condenado na Câmara (com muitos votos de seu próprio partido) e só se manteve no cargo, por votação apertada, no Senado. Só porque mentiu.Não mentiu sobre questões de Estado ou segredos militares, sobre concorrências ou superfaturamentos, sobre lobistas, fundos de campanha ou companheiros ladrões -mentiu sobre um patético romance com uma estagiária gorduchinha, mero assunto de família. Mas foi condenado implacavelmente por republicanos e democratas na Câmara, apesar de não haver nenhuma campanha na mídia, nenhum clamor popular e nem um estudante de cara pintada nas ruas de Washington exigindo a sua saída. Só porque mentiu.Só? É que lá eles acreditam que quem mente agora mente sempre e não merece confiança. É rigoroso, mas faz sentido, não é? Principalmente na administração pública.Já aqui, os delúbios, silvinhos e seus chefes, os mensaleiros e seus banqueiros e empresários, os sanguessugas e os advogados dos bandidos, todos mentem deslavadamente na nossa cara, humilham nossa inteligência, desmoralizam nossa honestidade e nos provam que, entre nós, a mentira é não só tolerada como recompensada. Eles anunciam a verdade brasileira: minto, logo, existo.Não sei se já houve mais corrupção em outro tempo, mas com certeza nunca na história deste país se mentiu tanto. Graças a Deus Lula não mente como Clinton.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nelson Motta, Folha de São Paulo, 26/5&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114868515451757701?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114868515451757701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114868515451757701' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114868515451757701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114868515451757701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/05/sem-comentrios.html' title='SEM COMENTÁRIOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114692917364206446</id><published>2006-05-06T08:16:00.000-07:00</published><updated>2006-05-06T08:26:13.656-07:00</updated><title type='text'>CONTA-GOTAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ruído da vidraça sendo estilhaçada ainda ecoava em sua cabeça, misturado com a voz irada da mãe:  “Agora você vai se entender é com o teu pai, moleque”.  O menino, agachado junto ao tanque no fundo do quintal, teve um momento de raiva ao pensar na bicanca dada na bola, mas voltou a se encolher ainda mais e puxar os joelhos de encontro ao peito,  ao  ouvir o clique do trinco do portão  e pensar no rabo-de-tatu dependurado atrás da porta da cozinha.  &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          ------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A praça de alimentação do shopping estava cheia e as duas garotas sairam da sorveteria no tagarelar próprio de  pré-adolescentes, sem notar a mulher apressada e carregada de pacotes no meio do caminho.   Uma batida num braço e a bola de sorvete se esparramou no chão.  A matrona seguiu seu caminho, sem culpas ou desculpas, enquanto a menina olhava com olhos de morango para aquela massa definitivamente perdida no piso brilhante do salão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          ------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesa está arrumada com esmero.  Os pratos de porcelana ladeados pelos talheres de prata, cuidadosamente alinhados.   Os guardanapos de linho aguardam em suas dobras disciplinadas e o champanhe repousa no balde em meio do gelo quase todo derretido.   No centro da mesa o castiçal suporta a vela ainda não acesa.  Na toalha impecavelmente branca, a mancha de uma lágrima.  &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          ------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As portas do vagão se abriram e ela foi a primeira a entrar.  Acomodando-se no assento defronte ao meu, colocou as mãos sobre os joelhos colados.  A barra da saia curta deixava à mostra um palmo de coxa tão sugestivo quanto aquele que estava oculto.&lt;br /&gt;O metrô lotou e uma parede de barrigas, nádegas, pastas e sacolas  trouxe-me de volta à realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;br /&gt;          ------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele jogou o robe sobre uma cadeira, deixou os chinelos em posição de recebê-lo pela manhã e enfiou-se sob as cobertas.  Ela, recostada no travesseiro lia uma revista.  A luz tímida do abajur focava caras de famosos e ilhas inatingíveis.  Com um suspiro jogou as páginas abertas sobre o tapete ao lado, olhou  para o marido que começava a ressonar e apagou a luz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;br /&gt;           ------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            Seu olhar se fixou no porta-retrato em cima do móvel mostrando a figura sorridente da mulher abraçada ao neto.   Sorriu tristemente enquanto o vento balançava a cortina da janela deixando entrever lá fora, no quintal, o varal sem roupas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          ------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114692917364206446?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114692917364206446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114692917364206446' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114692917364206446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114692917364206446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/05/conta-gotas.html' title='CONTA-GOTAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114649875349550703</id><published>2006-05-01T08:46:00.000-07:00</published><updated>2006-05-01T08:57:49.536-07:00</updated><title type='text'>O PÃO NOSSO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um tapa, ela desligou a tecla do rádio-relógio calando-o antes que acordasse o filho que dormia no sofá-cama, na sala ao lado. “Coitado, ele chega tão tarde da Faculdade”, pensou. “Deixa ele dormir mais um pouco”.&lt;br /&gt;Levantou-se, procurou pelo chinelo de lã ao lado da cama, vestiu o &lt;em&gt;peignoir&lt;/em&gt; amarrotado e foi para o banheiro. Fez um xixí discreto, passou um pouco de água no rosto enrugado e voltou ao quarto. Vestiu a roupa de todos os dias e foi para a cozinha em passos de gato. Abriu o guarda-comida e depois de apanhar o porta-níqueis, dirigiu-se para a porta da frente.&lt;br /&gt;Ainda estava escuro, mas pela rua passava uma procissão de sonâmbulos dirigindo-se ao ponto de ônibus. Foi até a padaria e depois de um bom-dia tão desanimado ao balconista pediu o de sempre: um leite “C” e dois pãezinhos.&lt;br /&gt;Quando voltou à rua, já clareava. A Estrela-d’alva, como em todas as manhãs, desejou-lhe um dia de muita sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela espreguiçou-se gostosamente sobre o lençol coberto de farinha, fazendo com que uma névoa onírica a envolvesse. Instintivamente enrodilhou-se pedindo calor e aquele eflúvio que se desprendia dos pães quentes a extasiava. Um estalar de dedos e a porta do forno à sua cabeceira se abriu e seu corpo foi coberto por dezenas, centenas de pães franceses, pães doces, pães suíços, pães recheados, pães corninhos, pães de sêmola , pães de ajunta, pães ázimos, pães de munição, pães pretos, pães-de-ló, pães ciabatta, pães de centeio, brioches, broas, sonhos, sonhos, sonhos...&lt;br /&gt;Naquele instante que antecede ao adormecer, sentiu transformar-se num pão com sentidos consentidos mas que seu homem não sabia saborear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou disfarçadamente para os dois homens que haviam pedido um cafezinho. Lembrou-se que no dia anterior eles também estavam na padaria e, ainda que parecesse estranho, um deles pediu que pusesse um pouco de pinga no café. “Isso é coisa de marginal”, pensou ela enquanto aguardava para ser atendida. Mas não conseguia desprender a atenção daqueles dois sujeitos taciturnos, um indagando com monossílabos e o outro apenas balançando a cabeça, sim ou não. Um deles olhou em sua direção fazendo um arrepio percorrer-lhe a espinha. Depois, comentou qualquer coisa com o outro que balançou a cabeça afirmativamente sem mesmo tirar os olhos da xícara. Quando se dirigiram ao caixa, o que havia feito o comentário enfiou a mão no bolso. A mulher viu os pãesinhos voando ao redor de sua cabeça, soltou o saquinho de leite enquanto as pernas lhe faltavam e caía estatelada naquela poça branca, com os olhos arregalados. Nenhum dos presentes suspeitou que era um olhar de pavor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila deu mais alguns passos. Naquela hora da manhã era sempre assim; todos pareciam querer comprar pão no mesmo momento e o balconista não era exatamente um modelo de eficiência. Uma bengalinha e um saquinho de leite. Três pãezinhos e um saquinho de leite. Tudo mecanicamente. Chegada a vez, ela pediu o de sempre e ao toque nas mãos do pão quentinho, sentiu reviver. Ela, que tanto precisava de um pouco de calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Esse não. Está meio queimado.&lt;br /&gt;— Não é queimado, freguesa. É assim mesmo. Ficou um pouquinho a mais no forno.&lt;br /&gt;— É que eu não gosto. Prefiro o pãozinho bem clarinho.&lt;br /&gt;— A senhora é quem manda, freguesa.&lt;br /&gt;— Tem leite?&lt;br /&gt;— B ou C?&lt;br /&gt;— B. O outro é muito aguado.&lt;br /&gt;— Se engana, freguesa. Leite C só tem menos gordura.&lt;br /&gt;— Mas prefiro o B. Enxuga o saquinho por favor. Senão vai molhar minha roupa.&lt;br /&gt;— Pode deixar. Em ponho numa sacolinha.&lt;br /&gt;— Quanto é?&lt;br /&gt;— Dois e quarenta.&lt;br /&gt;— Tem troco pra cinquenta?&lt;br /&gt;— Não tenho, não. Amanhã a senhora paga.&lt;br /&gt;— Obrigada. Até amanhã, seu Manoel.&lt;br /&gt;Que merda, pensou o comerciante. E lá isto é vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direitos? Que direitos? A mãe insistia na idéia que recebera da mãe e esta, por sua vez, da mãe. Por toda a árvore genealógica vingava o princípio de que mulher era pra cama e mesa.&lt;br /&gt;Quem ficava na cama e quem cuidava da mesa? O marido ainda roncava livre de culpas enquanto ela calçava as botinhas de plástico, pegava o guarda-chuva e ia comprar o pão feito pelos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o jovem sobrinho do padeiro a atendeu, ela sentiu arrepiar-se. Robusto, bonito, trazia nas maçãs do rosto o rubor de um camponês de Trás-os-Montes. Ao receber das mãos dele o pão ainda quente, suspirou fundo segurando delicadamente aquele símbolo fálico e perguntando-se se aquela vermelhidão era de uma vitalidade pronta para explodir ou de acanhamento genuíno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* * * * *&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114649875349550703?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114649875349550703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114649875349550703' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114649875349550703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114649875349550703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/05/o-po-nosso.html' title='O PÃO NOSSO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114547062862601659</id><published>2006-04-19T11:13:00.000-07:00</published><updated>2006-04-19T11:17:08.640-07:00</updated><title type='text'>POR MÔNICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chico Buarque, sem exagero, merece um lugar na Academia Brasileira de Letras, sentadinho ao lado de inúmeros poetas que por ali passaram ou ainda estão presentes.   Suas letras são carregadas de lirismo, esmiúçam o dia-a-dia do homem comum, andam vadias no meio de meretrizes e malandros, caminham nas galerias olhando-se nos espelhos, dançam nas passarelas da vida e sobem nas construções da alma.&lt;br /&gt;Gravar suas músicas é,  para qualquer artista, um privilégio; meio caminho andado para ser logo procurado nas paradas.   Grandes nomes cantam suas canções e, não raro, surge alguém que supera todas as expectativas quando trilha essa estrada com passos firmes que sua categoria lhe permite.&lt;br /&gt;Ontem, uma noite de terça friorenta de São Paulo, fui ver Mônica Salmaso cantando músicas desse grande autor.   Foi o que eu chamaria de “noite ganha”.&lt;br /&gt;Primeiro, porque considero essa intérprete uma das melhores da MPB.   Sua voz, um tiquinho rouca mas  na medida certa, é de uma musicalidade incrível.   As notas saem de sua garganta, não como um jorro, mas em gotas de afinadíssimo prazer que deleitam aqueles que gostam de uma boa música bem cantada.  &lt;br /&gt;Não bastasse isso, ela tem uma presença de palco, eu diria, até um pouquinho tímida mas, ainda assim, ou exatamente por isso, cativa quem a vê sob a luz dos refletores.  &lt;br /&gt;Os arranjos e os músicos que a acompanhavam, davam o equilíbrio exato para tornar a noite inesquecível.&lt;br /&gt;E aconteceu.   Quando ela interpretou &lt;em&gt;Valsinha&lt;/em&gt;, o arranjo para piano e voz, com sutis toques do contrabaixo, fez descer no auditório lotado um silêncio que raríssimas vezes presenciei numa apresentação desse tipo.   Um tipo de êxtase apropriou-se da platéia que comungou com a cantora daquele momento mágico.&lt;br /&gt;Na rua, a noite continuava fria.    Lá dentro, todo o calor que a sensibilidade humana pode proporcionar aquecia nossos corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114547062862601659?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114547062862601659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114547062862601659' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114547062862601659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114547062862601659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/04/por-mnica.html' title='POR MÔNICA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114425777599525426</id><published>2006-04-05T10:14:00.000-07:00</published><updated>2006-04-05T10:22:56.026-07:00</updated><title type='text'>JOGOS DA MEMÓRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Impossível  esquecer.&lt;br /&gt;            Quando desembarquei na Estação da Luz,  quase ao final dos anos sessenta, começava a materializar meus sonhos de estudar na cidade grande.   Jamais passara por minha cabeça, entretanto, que a decisão de ir para São Paulo  e fugir da  falta de horizontes em uma cidade pequena fosse mudar minha vida de uma forma tão profunda. &lt;br /&gt;            O fascínio pela metrópole sedimentou-se de imediato entre as idéias de um moço interiorano diante das largas avenidas, altos edifícios e uma intensa vida cultural e artística.   Havia também muita agitação política, pois vivia-se sob o regime militar e este se fazia presente diante das contestações.   A repressão oficial era escancarada e a clandestina, por sua vez, manifestava-se de forma não menos contundente.  Não seria de estranhar, portanto, que o clima da universidade onde ingressei fosse de contínua movimentação.&lt;br /&gt;              Foi nesse ambiente em ebulição que conheci Ana Maria.   Engajada de corpo e alma nas turmas de protestos, era uma figura constantemente agitada.  Seus cabelos curtos e grandes óculos sempre empurrados para o alto do nariz com o dedo indicador, ajudavam a compor a personagem irrequieta, num contraste gritante com o namorado, Mariozinho.  Como se fosse o contraponto àquela jovem decididamente politizada, ele preferia manter relativa distância da movimentação.   Questão de temperamento, pensei na época.&lt;br /&gt;            Quanto a mim, não era politicamente tão envolvido a ponto de fazer-me notar por ela; mas aconteceu.    Começamos a ter contatos mais freqüentes e Aninha, com sua doutrinação nada subliminar, me fez interessar por suas idéias.   Perceber que  estava  apaixonado por aquela figura em eterna agitação foi apenas uma questão de tempo.&lt;br /&gt;            Impossível esquecê-la, suspirei muitas vezes, ainda que a onipresença de  Mariozinho colocasse freios em meus ímpetos de uma aproximação maior. Isso não impediu almoços a dois no restaurante da universidade ou passeios por suas alamedas discutindo desde política até futebol,   passando por Godard, que um caipira como eu conhecia pouco, até  —  segundo ela — a alienada jovem guarda.   Nunca, porém, nos aproximávamos de assuntos do coração.   O dela, achava eu, estava voltado para a contra-revolução,  havendo tão somente um canto para o namorado.&lt;br /&gt;            Ele era uma figura peculiar e seria de esperar que não visse com bons olhos aquela aproximação.   No entanto, fazia questão de me convidar para  passeios a três e eu ficava a imaginar se suspeitaria existir uma paixão permeando tais encontros.  Ainda assim, entre aulas, passeatas e reacionárias coca-colas, fomos os três crescendo juntos.   Aninha dividia sua atenção entre ambos e éramos  como uma família quase perfeita.&lt;br /&gt;            Um dia, ela apareceu com uma máquina fotográfica tipo caixão, relíquia encontrada numa loja de antigüidades e para sua alegria, ainda em funcionamento.&lt;br /&gt;            Não foi fácil encontrar filmes que servissem naquele apetrecho, mas superada essa dificuldade, Aninha prometeu que iria montar um álbum de fotos.   Memórias devem ser sempre guardadas em gavetas, disse.&lt;br /&gt;            Foi assim que os gramados do campus, a bagunça nos alojamentos e até mesmo um saboroso passeio de trem a Santos foram ganhando espaço naquilo que ela queria como o documento de sua vida.   Ganhei meu lugar no álbum dividindo páginas com Mariozinho, e todos misturados com professores, amigos e inúmeros pores-do-sol. &lt;br /&gt;            A militância contestadora de Ana Maria, contudo, era a bússola que a guiava.  Não obstante os percalços que essa posição lhe causava, sempre saía à frente das manifestações e sua voz  se fazia ouvir nos debates.&lt;br /&gt;            Nessas alturas, já cooptado por ela, passei a acompanhá-la às reuniões e manifestações.   Uma dessas vezes valeu-nos um bom susto e como amostra do que ainda viria.   Estávamos, certa noite, em um teatro — Mariozinho não quisera ir — onde fomos assistir a uma peça polêmica,  quando ocorreu sua invasão por integrantes do Comando de Caça aos Comunistas, braço clandestino da repressão, dispostos a bater e quebrar.   A violência exacerbada dos agressores  fez com que eu praticamente  a arrastasse  para longe dali. &lt;br /&gt;            Corremos  duas ou três quadras antes de pararmos sob a luz de um poste.   Assustados a princípio, começamos a  retomar o fôlego olhando um para o outro, descabelados, roupas desarrumadas e pusemo-nos a rir de nós mesmos.   Com o dedo indicador empurrei seus óculos para o alto do nariz.   Aninha segurou minha mão e beijou-me o dedo.   O longo beijo trocado em seguida revelou para as estrelas uma paixão que crescia calada entre nós.&lt;br /&gt;            Não sei e nem ela quis contar-me como foi a reação de Mariozinho quando contou-lhe a verdade. Nada importante, diria Ana depois. Ele, obviamente, afastou-se e passou a freqüentar outros  grupos mas  aparecia quando nos reuníamos para discutir nossas atividades.  Chegou a dizer a ela que coisas do coração e da política não se misturavam, afirmação até certo ponto contraditória por terem ficado juntos por vários meses.&lt;br /&gt;            Foi num dezembro negro que  o regime político endureceu devido ao AI–5. Fiquei ainda mais preocupado pela segurança de Ana Maria, pois sua pessoa já era bem conhecida pelas atividades na universidade ou fora dela.   Numa lista de pessoas que poderiam ser presas a qualquer momento,  certamente  estaria entre as primeiras.  Diante disso,  procuramos por uma kitinete em Pinheiros compatível com nossos bolsos e decidimos morar juntos, nos expondo apenas o necessário, na Faculdade, por si só  uma situação de risco.&lt;br /&gt;            Calmamente, quando a situação permitia, ou com sobressaltos quando uma sirene se fazia ouvir na rua, fomos tocando a vida.   O ano de sessenta e nove começou sombrio, sinalizando tempos ainda piores.  Mesmo assim, o ambiente do pequeno apartamento logo foi transformado; faixas e cartazes em secreta confecção amontoavam-se nos poucos lugares livres.   Mas era muito bom.  Tínhamos um lugar só nosso e para ser lembrado por toda a vida.&lt;br /&gt;            Experimentei um misto de alegria e confusão com a inesperada notícia de sua gravidez,  naquelas circunstâncias um descuido que me deixou apreensivo.   A força de Ana Maria, entretanto,  fez-se presente outra vez ao revelar-me num sorriso que não mostrava resignação, mas uma felicidade imensa,  que iria ter aquele filho mesmo que para  isso tivesse de deixar para trás tudo o que fizera até então. &lt;br /&gt;             Seria a postura correta se concretizada desde o início. Quase impossíveis de esquecer, alguns hábitos não mudados se revelariam fatais.  Algum tempo depois, como sempre fazíamos às sextas,   estávamos acompanhados por três colegas e bebendo cerveja num barzinho da Mourato Coelho, quando Mariozinho assomou à porta.   Senti um calafrio ao fitar seus olhos encravados no meio de um rosto de pedra.   Logo em seguida um furgão encostou na frente do lugar; alguns homens desceram rapidamente,  entraram e rodearam nossa mesa.&lt;br /&gt;            Um deles ordenou que nosso grupo, exceto eu, se levantasse.   Com o pior se avizinhando também tentei me levantar, mas um par de mãos fortes apoiou-se em meus ombros e me fez sentar violentamente.   De nada valeu dizer que queria ir junto; a resposta foi o cano de uma arma encostada em minha nuca.         &lt;br /&gt;           Ana Maria e os outros foram retirados do salão e obrigados a entrar no veículo.   Foi a última vez que os vi. &lt;br /&gt;            Mariozinho a tudo olhava, impassível.   Antes que nosso algoz se retirasse olhei diretamente para seus olhos.    E entendi.  A dura expressão  que passava ódio e desprezo, não conseguia camuflar o prazer de me poupar.   Saber que eu continuaria vivo e mergulhado  na dor das recordações seria a sua vingança.&lt;br /&gt;            O passar dos anos não me deixou esquecê-la.   Como isso seria possível tendo pela frente uma gaveta cheia de memórias e nas mãos uma velha máquina fotográfica?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114425777599525426?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114425777599525426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114425777599525426' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114425777599525426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114425777599525426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/04/jogos-da-memria.html' title='JOGOS DA MEMÓRIA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114269696421844366</id><published>2006-03-18T07:44:00.000-08:00</published><updated>2006-03-18T07:49:24.233-08:00</updated><title type='text'>EU SEI O QUE VOCÊ FEZ NO VERÃO PASSADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente saberão, mesmo.   Boquirroto contumaz, não sei ficar calado e logo, logo, minhas andanças e querenças cairão na boca do povo e serei devidamente apedrejado pela turba ignara, que não compreende os sentimentos de um homem em sua incessante busca pelo saber.&lt;br /&gt;Mas vamos começar pelo começo: eu, como vocês, gosto de ler.   Quando meu orçamento refresca um tiquinho, compro um livro o qual venho cercando há algum tempo.   No mais das vezes, entretanto, é na biblioteca do bairro que me socorro indo buscar algum exemplar já meio massacrado por mãos indigentes e cupins vorazes.   Mas sempre quebra o galho.&lt;br /&gt;E deu que, na semana finda e com essa idéia de que leitura engrandece o homem, meti na cabeça de visitar a Bienal do Livro, no pavilhão de exposições do Anhembi.  Como minha cara-metade é professora, descolou para si uma credencial para entrar na faixa.   Eu, provecto cidadão já entrado na faixa dos sessenta, também ganhei a prerrogativa de ganhar um ingressinho grátis (uma compensação pelos 3,16 % da aposentadoria que os barões assinalados  nos concederam) e lá fomos nós antegozando essas mordomias.&lt;br /&gt;A idéia era de que iríamos para um evento civilizado.  Afinal, se não podemos comprar livros quando bem entendemos, nem por isso o mercado editorial estará derrapando.   Muito pelo contrário, pelo que se viu lá.&lt;br /&gt;De qualquer forma, era um sinal de civilização, com o requinte de os organizadores colocarem ônibus grátis ligando o Terminal Tietê do metrô até o pavilhão.   Não pensei duas vezes para usar tal dádiva, o que me livraria de ter de correr vários quilômetros da insuportável Marginal Tietê num dia de semana e pagar os 15 paus de um estacionamento ao sol, o que muito me agradou.&lt;br /&gt;Mas...&lt;br /&gt;O ônibus ficou parado no ponto de embarque o tempo suficiente (e bota suficiente aí) para lotar, e sob um sol africano.   Menos um ponto.&lt;br /&gt;Ao chegar ao local, parou a uns 500 metros da entrada, desembarcando os felizes prováveis futuros leitores debaixo do mesmo sol, o que me levou a concluir:  a) a espera na volta, aconteceria debaixo do mesmo sol.  b) poderia também ocorrer debaixo de chuva, já que não havia um mísero abrigo entre a saída e esse local.  Menos quatro pontos.&lt;br /&gt;Se eu fosse um cara pessimista, voltaria daí mesmo, mas como sou brasileiro e não desisto nunca, fui em frente.&lt;br /&gt;Ao entrar no recinto da exposição é que me dei conta da extensão da tragédia que nos esperava.   Menos uns dois mil e quinhentos pontos.&lt;br /&gt;Por se tratar de um dia de semana, e de manhã (passava pouco das onze), na minha santa ingenuidade achava que o lugar estaria tranqüilo.   Ledo engano.  Provavelmente metade das escolas de São Paulo estava presente, desde risonhos pimpolhos que ainda não atingiam os cinco anos (todos devidamente etiquetados, e muitos agrupados e sentados no chão comendo seu lanchinho) até molecotes e molecotas, donos de uma energia e educação que fariam Herodes suspirar de prazer.&lt;br /&gt;Não se podia andar sem topar com um vagalhão de pestinhas mal educados carregando bonezinhos, sacolas, folhetos e congêneres.  Na verdade, dava pena de ver um bando de pentelhinhos ainda cheirando a leite, sendo conduzidos por professoras ainda mais aparvalhadas, tentando não se misturar à turba.   Patético!  Doloroso!  Um trauma que provavelmente os levará a odiar livros pelo resto de suas vidas.&lt;br /&gt; Entrar num stand era um suplício.   Pesquisar livros, fosse o que fosse, era um exercício de paciência.   Dar uma mijadinha, uma odisséia.   Comer alguma coisa, a preços exorbitantes e falta de qualidade, idem.&lt;br /&gt;Bom, o cenário era a  previa do Apocalipse.   A cada instante, o serviço de alto-falantes chamava por alguma professora, pedindo-lhe para se reunir a seus pupilos em determinado lugar.    Num certo momento, chamaram a &lt;em&gt;Professora Cidinha&lt;/em&gt; para que comparecesse ao stand das crianças perdidas.   Imaginei que de 20 a 25 professoras Cidinha tenham comparecido ao local.    Afinal, quem já não teve uma professora Cidinha pelo menos uma vez na vida?&lt;br /&gt;O portão (único) para saída dos grupos dava a impressão de que o Êxodo estava sendo reprisado.   Nem Átila, o Huno, conseguiria ultrapassar aquele bolo humano.  &lt;br /&gt;Para encurtar:  olhei para minha mulher e joguei a toalha (é apenas uma figura de linguagem, mas bem que precisava de uma, pois o calor era insuportável)   Estava desistindo, ainda que nem a metade do lugar tivéssemos visto.&lt;br /&gt;Pelo menos não choveu lá naquele maldito lugarzinho do embarque de volta.  Valeu l ponto (para gastar na próxima Bienal).&lt;br /&gt;Isso explica o dito lá em cima.   Num futuro próximo, quando eu tiver uma recaída e vontade de visitar outra Bienal do Livro, serei lembrado do que fiz neste verão.&lt;br /&gt;Ah, só para não esquecer:   à saída do pavilhão, deparamos com uma banca de doces onde, numa faixa, estava escrito “&lt;em&gt;Travesseiro de periquita&lt;/em&gt;”.   Curiosos, fomos averiguar e constatamos que  era um doce português colocado à venda.&lt;br /&gt;Juro por Deus:  que esse nome está me dando uma vontade louca de escrever outra crônica, isso está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114269696421844366?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114269696421844366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114269696421844366' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114269696421844366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114269696421844366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/03/eu-sei-o-que-voc-fez-no-vero-passado.html' title='EU SEI O QUE VOCÊ FEZ NO VERÃO PASSADO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114229532409510420</id><published>2006-03-13T16:12:00.000-08:00</published><updated>2006-03-13T16:15:24.116-08:00</updated><title type='text'>ENROLATION</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Peço vênia (afff, que coisa linda) a meus colegas para não postar minha crônica hoje.   Não que eu seja preguiçoso, o que não estaria muito longe da verdade.   O fato é que hoje foi um dia de cão.  Há muitos dias vem acontecendo  isso e nem aqui no blog andei postando coisa que valesse a pena (o que não chega a ser novidade).    Não tive tempo para assentar a bunda na minha Giroflex e tentar escrever qualquer coisa do cotidiano.   E olhem que o cotidiano de hoje (ótima também), foi do cacete.   Problemas mil e soluções nem tanto, me infernizaram o dia.&lt;br /&gt;Ente uma garfada e outra do almoço também corrido, dei uma rapidinha (calminha aí) no jornal de ontem, misturado com a edição televisiva do noticiário global e ví deputados sorridentes (todo canalha sorri) e abençoados pelo plenário que os homizia.   Vi também a cara apalermada e assustada dos jovens soldados tentando conter a revolta da população dos morros da Rosinha (enquanto um coronel aparecia num rompante de ousadia e devidamente escudado por colete à prova de balas, disparando seu fuzil FAL para o alto).   Seguiram-se fatos e fotos dos Okamoto e Valério da vida mas, vamos lá, meu estômago não é de ferro.  &lt;br /&gt;Nem vi pela TV meu time perder.   Dispenso comentários.&lt;br /&gt;Não sei e nem tive tempo de me preocupar com meu sapo de estimação desaparecido há cinco dias.  &lt;br /&gt;Procurei, acreditem, abrir uma brecha em busca de meu tempo perdido para escrever qualquer porra que fosse.   Além da problemática do tempo, não encontrei solucionática para a questão.   Nada, nada, nada me inspirava. Crise de criatividade, concluí.  Afinal, se os gênios têm dessas frescuras, por que não eu, reles mortal que jamais tomará chá na Academia?   Tem nada, não.  Prefiro mesmo é uma loura gelada.&lt;br /&gt;São vinte e uma horas de uma segunda-feira.    Perguntarão os incréus:  aposentado pensa em tempo?  &lt;br /&gt;Catso, SÓ pensa em tempo, ou acharão vocês que nesta idade, as paginas da folhinha não caem mais depressa?   É uma fase outonal e o tempo é relativamente curto para o inverno.   Ou faço agora o que tenho de fazer ou danei-me, mesmo poque não acredito em vida depois da morte.   Aliás, às vezes,  nem acredito que exista antes da morte.  &lt;br /&gt;Mas isso não dará azo para uma crônica, pelo menos com tempo para reflexões que essa digna atividade exige.&lt;br /&gt;Com essa lenga-lenga toda, o que se conclui?   Que estou enrolando, é lógico.   Não é minha intenção de tirar uma com a cara de vocês, mas sim ajoelhar-me diante do confessionário e purgar meus pecados.   Se vou ser perdoado, sabe-se lá.   Pior ainda se for um padre Almodovariano.&lt;br /&gt;Recebam todos vocês um amplexo caloroso, um beijo de gratidão e um bai-bai bem cansado.&lt;br /&gt;No mais, a gente se vê outro dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114229532409510420?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114229532409510420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114229532409510420' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114229532409510420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114229532409510420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/03/enrolation.html' title='ENROLATION'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-114044127072000375</id><published>2006-02-20T05:08:00.000-08:00</published><updated>2006-02-20T05:14:30.756-08:00</updated><title type='text'>NÃO DEU NO N.Y. TIMES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tampouco deu no Le Monde, no Herald Tribune ou no Der Spiegel.   Deu aqui mesmo, na Folha de São Paulo, numa página inteira de colunismo social, com o título “&lt;em&gt;Elite aprende a esconder o ouro&lt;/em&gt;”.  Só para vocês entenderem, descrevo abaixo alguns dos tópicos dessa matéria e, dentro do possível, explicando-os:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Bolsas mutiladas&lt;/strong&gt;”:  uma empresária paulistana tirou o logo metálico de sua bolsa Dior, para não dar “bandeira” aos assaltantes.   Candidamente, disse ter dado a pecinha a uma amiga, para que a colocasse em uma bolsa pirateada, comprada na rua 25 de Março.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que Deus abençoe alma tão magnânima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Bolsa-esconderijo&lt;/strong&gt;”:  Um outro  membro da realeza pré-cadafalso, ficou traumatizado ao ter roubado seu relógio Bulgari, de 20 mil reais  (coisinha assim perto de 60 salários-mínimos) além de uma mala Luis Vuitton, de 10 mil.   Comentário do barão, depois de uma tomada radical de decisão:  “&lt;em&gt;nunca imaginei que trocaria minha pasta Prada por uma bolsa  da C&amp;A para carregar meu notebook&lt;/em&gt;”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aprenderam, pobres fregueses dessa loja?   Vocês eram felizes e não sabiam.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Remendo básico&lt;/strong&gt;”:  A patricinha Stefanne corta as etiquetas de suas roupas Diesel, Dolce &amp; Gabana e outras, para colar um adesivo por cima das originais.   Mas mantém a pose:  “&lt;em&gt;Meu brinco de brilhantes é da Tiffany, mas que vê pensa que é bijuteria, por causa do restante do meu visual&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Garota ixxperta, diriam os manos do Borel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A colunista ainda outras dicas interessantes, orientando seus leitores a se resguardarem contra a violência:“Não coloque no vidro do carro adesivos que denotem alto poder aquisitivo, como por exemplo,  &lt;em&gt;'Sou criador de Mangalarga'&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha dica é:  adesivos só os do tipo “é nóis na fita “ ou “nóis capota mais nóis não pára”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outra:  “Ao entrar no carro verifique se há chiclé colado no pára-brisa.  Se houver, trata-se de dica para o motorista ser assaltado no semáforo seguinte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Relaxem; cagada de passarinho tá liberada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deu para rir um pouco?  Eu estou rindo desde ontem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para não chorar.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-114044127072000375?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/114044127072000375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=114044127072000375' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114044127072000375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/114044127072000375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/02/no-deu-no-ny-times.html' title='NÃO DEU NO N.Y. TIMES'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113984200381638177</id><published>2006-02-13T06:45:00.000-08:00</published><updated>2006-02-13T06:46:43.830-08:00</updated><title type='text'>NOTÍCIAS POPULARES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Guarda Municipal ajuda menino a se drogar”.&lt;br /&gt;“Compadre de Lula transfere imóveis antes de ir a CPI”&lt;br /&gt;“Prefeitura de SP vai criar o fiscal do fiscal”&lt;br /&gt;“Presidente ouve conselhos de Dirceu”&lt;br /&gt;“Policial é morto em nova onda de atentados”&lt;br /&gt;“Receita vê megafraude em incentivo fiscal”&lt;br /&gt;“Sem-teto invadem secretaria em São Paulo”&lt;br /&gt;“Universidade privada domina ranking”&lt;br /&gt;“Duda transferiu R$ 4 mi antes de depor”&lt;br /&gt;“Fora da cadeia, Suzane é atração no interior”&lt;br /&gt;“Cassáveis do PT devem ficar no ‘fim da fila’&lt;br /&gt;“Dimas transferiu R$ 1,5 ao PTB, diz Jefferson”&lt;br /&gt;“TJ reconduz promotor assassino ao cargo”&lt;br /&gt;“Falha reuniu líderes do PCC na mesma cela, diz secretário”&lt;br /&gt;“PMs são acusados de soltar suspeito de crime”&lt;br /&gt;“Acusado de usar registro clonado de médico atendia em quatro hospitais”&lt;br /&gt;“Globo censurou Diretas-Já, diz Boni”&lt;br /&gt;“Acordo tira Duda e lista de Furnas do foco da CPI”&lt;br /&gt;“Serra infla ‘realizações’ em panfleto do IPTU”&lt;br /&gt;“Líder em tapa-buracos usou dados falsos em concorrência”&lt;br /&gt;“Nova fraude do bilhete único é detectada”&lt;br /&gt;”SP tem 105 seqüestros relâmpagos por mês”&lt;br /&gt;“Líder de contratos doou mais em 2004”&lt;br /&gt;“Maluf afirma que será candidato se adversários em SP forem ‘fracos’&lt;br /&gt;“Autor de ação pró-nepotismo emprega mulher”&lt;br /&gt;“Bueiros ganham trava anti-furto”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sábado à noite fui ao SESC Pompéia assistir a uma homenagem a Chico Buarque.  A música de encerramento foi “Meus caros amigos”, cantada por Zizi Possi, Miúcha, MPB4, Renato Brás.  &lt;br /&gt;Alguém lembra em que época e sob quais circunstâncias ela foi criada?  Aí vai um trechinho dela:  " ... o que eu posso lhe dizer é que a coisa aqui ta... preeeta”.&lt;br /&gt;Mudou o cenário, mas o circo é o mesmo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113984200381638177?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113984200381638177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113984200381638177' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113984200381638177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113984200381638177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/02/notcias-populares.html' title='NOTÍCIAS POPULARES'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113924943337352480</id><published>2006-02-06T10:09:00.000-08:00</published><updated>2006-02-06T10:10:33.386-08:00</updated><title type='text'>VIVER É ARRISCADO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem já não perseguiu um sonho?  Muitos de nós?  Todos, talvez?   A verdade é que, também muitos de nós, muitas vezes paramos pelo caminho para reavaliarmos o trajeto, tentamos medir as conseqüências e, mesmo antes de nos certificarmos se estávamos fazendo o certo, desistimos.&lt;br /&gt;Uma busca pressupõe obstáculos.   O bom-senso, sempre ele, nos orienta a procurar algo dentro de parâmetros que as convenções, mais do que aquele juízo das coisas, têm como normas a serem seguidas, atitudes e pensamentos  incostestáveis pelo seu pragmatismo na medida em que não deixam espaço para críticas.&lt;br /&gt;Nesse último fim de semana, aconteceria num bairro da zona sul de São Paulo, um show de um grupo musical juvenil, para mim até então totalmente desconhecido mas, para muitos adolescentes e crianças, “da hora”, usando uma terminologia da garotada.&lt;br /&gt;A imprensa registrou a tragédia que se deu graças a incúria dos organizadores e a incompetência das autoridades: três mortos, muitos feridos e um sonho pisoteado no pátio de estacionamento de um shopping.&lt;br /&gt;Num primeiro momento, admito, critiquei a falta de bom-senso (sempre ele) dos jovens, totalmente incapazes de terem o discernimento de perceber o risco que tal improvisação acarretava.&lt;br /&gt;Mas, parando para pensar, percebi ser um sonho o que aquela multidão juvenil perseguia, tal como o garoto que conseguiu juntar trinta reais para vir de Piracicaba, ou então a jovem mãe, com seu filho de um ano no colo, que viajou oito horas para conhecer pessoalmente ídolos que nós, adultos ditos sensatos, deixamos há muito de ter.  Centenas, milhares, estabeleceram seu objetivo mirando num momento mágico de suas vidas e arriscaram.&lt;br /&gt;Neruda disse num de seus poemas que morre lentamente quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho.   Morre lentamente,  concluiu, quem não se permite, ao menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.&lt;br /&gt;Os adolescentes pagaram a mão dessa rodada de cartas mas, na vida, joga-se para ganhar ou para perder.   É mais do que ficar assistindo a tudo do lado de fora sem poder dizer que, pelo menos um dia, arriscou viver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113924943337352480?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113924943337352480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113924943337352480' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113924943337352480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113924943337352480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/02/viver-arriscado.html' title='VIVER É ARRISCADO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113863296656920779</id><published>2006-01-30T06:45:00.000-08:00</published><updated>2006-01-30T06:56:06.600-08:00</updated><title type='text'>ABERTO PARA BALANÇO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem fechei mais um ciclo em minha vida.   Acumular sessenta e quatro anos neste mundo, vasto mundo (e não sou rima, nem solução), foi uma barra.   Assisti a acontecimentos que mudaram a história e, a bem da verdade, mudariam mesmo que eu não assistisse.   Participei de outros onde, por mínima que fosse minha presença, mudou muita coisa (votar em Jânio, FHC e Lula, por exemplo, foram pisadas na bola que ficarão anotadas no meu currículo).  &lt;br /&gt;Também acumulei experiência profissional nos vários trabalhos que tive.   Se serviu para construir meu patrimônio (que jamais mereceria uma CPI), mostrou também outros caminhos para os quais meus velhos um dia apontaram o dedo e disseram &lt;em&gt;“vai!”.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Tive de ralar muito.   Descontada a fase feliz da infância, onde livros e lições se misturavam com jogo de bola e vidraças quebradas), passei a cavoucar a vida; mal entrado na adolescência tive de ir estudar à noite e trabalhar de dia pois, ainda que não tivessem inventado a inflação (ou melhor, ela existia, mas com a desimportância que nós, classe média baixa, lhe dávamos), uns cruzeiros a mais ajudavam no orçamento da casa.  Só parei de estudar, mesmo, já com filhos me aguardando em casa, geralmente dormindo, pois chegava altas horas e de língua de fora.&lt;br /&gt;Se, na rua, mais especificamente nos empregos que tive, curti amizades que ainda conservo, foi dentro de casa que encontrei o apoio fundamental nessa longa caminhada que empreendo até hoje.   Marli, minha companheira, que desde cedo ralou no magistério,  foi o braço que me amparou nas horas difíceis, riu e chorou comigo, me empurrou quando eu parava e me segurou quando eu ameaçava cair. Foi mãe, esposa e mulher, tudo na exata e sensata (e, às vezes, deliciosamente insensata) medida.&lt;br /&gt;Ontem reuni quase todos (a maninha não estava); esposa, filhos, netos e amigos, e soprei velinha (fazer isso com os netos no colo não tem preço),&lt;br /&gt;O que eu quero, agora?   Curtir o tempo que tenho pela frente, não importa quanto, mas como. Ver o sorriso dos netos, ter o calor dos amigos, o amor da companheira e uma vida inteira para continuar o menino deslumbrado que sempre fui.&lt;br /&gt;P.S.  – Se não for pedir muito, quero ver o meu Corinthians levantar a taça neste ano.   Pô!... É pedir demais? &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113863296656920779?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113863296656920779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113863296656920779' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113863296656920779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113863296656920779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/01/aberto-para-balano.html' title='ABERTO PARA BALANÇO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113803090753968321</id><published>2006-01-23T07:40:00.000-08:00</published><updated>2006-01-23T07:41:47.553-08:00</updated><title type='text'>A FÁBULA DO GALINHEIRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De tanto criticarem seu galinheiro, o dono da granja  resolveu consertar o lugar.   É verdade que as reformas já se faziam necessárias antes mesmo de ele comprar o local mas,  indiferente aos apelos até de suas criações, deixara para trás esses consertos que, com o tempo,  passaram a pedir cada vez mais sua atenção.&lt;br /&gt;Tratou, então, de verificar o dinheiro de que poderia dispor para tais obras e resolveu começá-las.    Seus vizinhos, quando souberam do fato, puseram-se a criticá-lo.   Como podia o granjeiro, argumentavam eles, efetuar os grandes consertos que o galinheiro exigia com uma verba, concluíram,  insuficiente?&lt;br /&gt;Além disso, consideraram outro aspecto:  não era a época apropriada para se realizar os trabalhos, pois chovia muito nesses tempos e boa parte do trabalho seria perdida já que o dinheiro disponível não permitia compra de matérias de primeira qualidade.&lt;br /&gt;O granjeiro ficou irritado com a postura dos vizinhos.  Não eram eles que criticavam o estado lamentável do galinheiro?   Pois agora iriam ter o conserto, agradasse-lhes ou não.&lt;br /&gt;Não vai dar certo, diziam os outros.   Da maneira que o trabalho seria feito, não agüentaria  a investida das raposas.   As galinhas é que pagariam o pato ( este, a bem da verdade, nada comentou pois estava acostumado a pagar sempre).   Houve até um galo que reclamou, pois achava que os remendos não iriam durar muito.   Mas, com a ameaça de acabar numa panela, fechou o bico.&lt;br /&gt;Das galinhas, então, nem se fala.   Ficaram quietinhas ciscando aqui e ali.   Não reclamavam de nada e as más línguas até diziam que se elas não sabiam nem voar, seria melhor que ficassem caladas mesmo.&lt;br /&gt;E o granjeiro, sempre se manteve indiferente às críticas, pois não acreditava nem  na existência das raposas.   &lt;em&gt;Eu nunca  soube de nada&lt;/em&gt;, garantiu.  &lt;br /&gt;As obras começaram; o granjeiro ia sempre verificar os andamentos dos trabalhos e, na sua percepção, via a alegria  estampada na cara dos galos, galinhas e patos.   Sobretudo estes.&lt;br /&gt;Enquanto isso, as raposas se aproximavam mais e mais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113803090753968321?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113803090753968321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113803090753968321' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113803090753968321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113803090753968321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/01/fbula-do-galinheiro.html' title='A FÁBULA DO GALINHEIRO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113736990755850344</id><published>2006-01-15T15:59:00.000-08:00</published><updated>2006-01-15T16:05:07.570-08:00</updated><title type='text'>TRAIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Geralmente eles chegam quando o sol ainda nem se levantou.   No dia anterior, foram sendo arregimentados com um fim específico:  invadir um sítio, fazendola, ou qualquer pequena propriedade que seja, previamente escolhida. Partem quando já é noite alta e viajam sob as estrelas ou chuva forte.   Nada os detém.&lt;br /&gt;Sempre a cavalo, carregam numa das mãos uma foice, símbolo do movimento.   Suas mulheres os acompanham; companheiras fieis, sabem que na lida terão um lugar onde darão inestimável apoio.&lt;br /&gt;Ao chegarem ao lugar escolhido, encontram o proprietário recém-acordado, rosto cheio de surpresa e feições marcadas pela dureza da vida campesina.  Passado o instante do impacto, o dono só lhes oferece aquilo que lhe é possível dar:  um sorriso e um bom dia à comitiva que, de forma supina, vem se igualar ao homem naquele momento com urgentes necessidades, mas difíceis de serem contornadas sem um apoio amigo.&lt;br /&gt;Essa ocorrência e seu nome, “&lt;em&gt;traição&lt;/em&gt;”, têm origens remotas no tempo e nos fundões do Mato Grosso; o movimento nada mais é que o da solidariedade de uma comunidade rural para com alguém que precisão tenha.  &lt;br /&gt;A comitiva logo se distribui nas tarefas; capinar o pasto, consertos das cercas ou na casa de moradia, marcar ou vacinar animais, enfim, tudo que aquele proprietário está com dificuldades em implementar.&lt;br /&gt;Os invasores o fazem, felizes.   Entoam cantigas de incentivo durante a lida enquanto as mulheres preparam o almoço da tropa, pois ninguém ali chegou de matulagem.   &lt;br /&gt;Mais tarde, sentados ao chão, à sombra das árvores, dividem aquilo que trouxeram, irmanam-se, e mais uma vez está cumprida a tradição do homem brasileiro, este sim,  festejado como cordial.&lt;br /&gt;Isso tudo eu assisti num domingueiro programa matinal na TV, mas ela, como veículo de informação, e como tantos outros, também traz outras notícias de traições que de várias maneiras ocorrem por aí e nem por um momento podem ser legitimadas como  atos de fraternidade.   Pelo contrário, carregam um sentimento de que, se o brasileiro é um forte, muitas vezes ele é esmagado pelo cinismo de quem se diz de bem.&lt;br /&gt;Sentei-me frente ao computador e escrevi esse texto.  Mas não quis me alongar.    Por que iria estragar o resto do meu dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113736990755850344?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113736990755850344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113736990755850344' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113736990755850344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113736990755850344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/01/traio.html' title='TRAIÇÃO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113685125955853812</id><published>2006-01-09T15:44:00.000-08:00</published><updated>2006-01-09T16:00:59.573-08:00</updated><title type='text'>O ENCONTRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            Ela chegou ao restaurante um pouco mais cedo do que planejara.   Conduzida pelo &lt;em&gt;maître&lt;/em&gt; até a mesa reservada para duas pessoas, acomodou-se, contudo sem estar preocupada com o fato de ter chegado bem antes de sua companhia.   Na verdade, havia  concedido a si mesma o resto da tarde e queria aproveitar tudo o que de bom esse espaço de tempo pudesse lhe oferecer.&lt;br /&gt;            Descontraída, pediu um coquetel enquanto corria os olhos pelo ambiente que já trazia várias mesas ocupadas, não encontrando, como pretendia, nenhum rosto conhecido.  Intimamente, sentiu-se aliviada,  pois não estava mesmo querendo ser reconhecida por ninguém,  possibilidade não de todo improvável visto ser ela uma figura de destaque no mundo dos negócios.   Empresária bem sucedida, não obstante seus poucos mais de trinta anos, galgara com rapidez e competência os degraus que a levaram àquela posição.  Num universo dominado pelos homens não só mostrou-se independente e enérgica, como granjeadora de amizades e antipatias na mesma proporção por não medir esforços para atingir seus objetivos,&lt;br /&gt;            A bebida veio e  ela mal provou-a deixando na borda  da taça a marca de seus lábios vermelhos.   Olhou para o relógio, mais por hábito do que por impaciência, tomou mais um pouco um pouco do drink e voltou aos pensamentos, lembrando do ocorrido uma semana antes quando, num &lt;em&gt;vernissage,&lt;/em&gt; acontecera o casual encontro.  &lt;br /&gt;            A partir daí, mesmo para uma mulher acostumada a ser racional com  suas emoções, o que se seguiu foram telefonemas de parte a parte, num dissimulado jogo de sedução.  Estava criado de forma irreversível um certo ar de mistério e aventura.  Sem compromissos afetivos, excitava-a o fato de sentir-se atraída  por alguém que lhe passava esses sentimentos de uma forma inesperada e atrevida.&lt;br /&gt;            Não se sentia culpada por isso, nem mesmo por partir de si a iniciativa do convite para aquele almoço e esboçou um sorriso pelo juízo que fazia  do ato; seria apenas um  encontro para conversarem, foi o pensamento tentando  convencer a si mesma.  O rumo a que poderiam levar aquelas conversas,  seria apenas uma natural conseqüência, concluiu inculpando-se secretamente.&lt;br /&gt;            Tomou outro tantinho do drink e de forma discreta olhou ao seu redor.  O restaurante já estava mais movimentado e sabia que o encontro se daria sem maiores percalços, pois a ninguém seria dado o direito de suspeitar haver interesses outros que não fosse aquele um encontro de negócios ou apenas de amizade.&lt;br /&gt;            Uma mulher a olhou, tão somente curiosa quanto desinteressada.  De outra mesa mais próxima, um homem sorriu-lhe discretamente, talvez na esperança algo que, ela sabia, jamais se realizaria.&lt;br /&gt;            Calmamente, voltou ao seu drink com um leve sorriso a moldar-lhe os lábios sensuais.   Como mulher, sentia-se lisonjeada por ser notada, mas na hora imprópria.   Tinha outros planos e, mesmo admitindo que o sujeito lhe parecia ser um cavalheiro, pensava no que o encontro marcado poderia lhe proporcionar.    Telefonemas trocados durante a semana abriram espaço para muita indagações não concretizadas  - nada ficara explícito – e ela queria saber até onde iriam os caminhos inimagináveis de uma sedução velada.&lt;br /&gt;            O proibido causava-lhe uma certa excitação.   Sua atribulada vida profissional pouco espaço lhe deixava para emoções no campo dos sentimentos, mas essa, especificamente, era-lhe um desafio daquele tipo que nunca encontrara espaço para tais ousadias.&lt;br /&gt;            Olhou outra vez para o relógio e para o ambiente.  Casualmente, o cavalheiro de instantes atrás voltara-se e os olhares se cruzaram.   Ela voltou ao drink sem pensar em coisas outras que não fosse o encontro que estava prestes a acontecer.&lt;br /&gt;            Todo o resto, sorriu, eram meros detalhes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113685125955853812?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113685125955853812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113685125955853812' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113685125955853812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113685125955853812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2006/01/o-encontro.html' title='O ENCONTRO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113448063981594371</id><published>2005-12-13T05:26:00.000-08:00</published><updated>2005-12-13T05:30:39.836-08:00</updated><title type='text'>OS SOLDADOS, OS PAISANOS E O GENERAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(A cada milágrimas, um milagre acontece)&lt;/em&gt;  -  Alice Ruiz&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tem apenas treze anos.   Analfabeta, órfã de pai e mãe, foi adotada pelo mundo, na pior acepção que se pode dar a esse termo.  Não obstante, quer se tornar evangélica e sonha em se formar médica.   Não tem a noção exata da dimensão que separa seu sonho de uma realidade perdida quase no infinito.  &lt;br /&gt;Seu mundo é a favela.   Seus companheiros de armas, no sentido literal, são soldados numa luta insana contra a decência, ou o que ainda resta dela.   São os portadores da morte, traficantes de drogas,  aqueles que não hesitam em matar numa guerra onde, como em qualquer outra, os mais indefesos pagam preços altíssimos.&lt;br /&gt;Ela, a menina, ajudou com um simples sinal para a parada de um ônibus, seus companheiros de trincheira a incendiá-lo e queimar vivas várias pessoas, numa rua esquecida de um também esquecido subúrbio de um Rio de Janeiro ainda mais esquecido.&lt;br /&gt;Os soldados, como se auto-denominam,  são agressores-vítimas.   Não estamos, entendam, fazendo apologia das condições sub-humanas a que esses seres foram lenta e gradativamente empurrados, graças à inépcia de seguidos governos, tão indecentes quanto eles.  &lt;br /&gt;Nos dias de hoje, esses soldados rasos respondem a outros, que por sua vez, devem obediência a tenentes e capitães-do-mato e dos palácios, obediência indiscutível sob pena de serem exterminados. E substituídos.&lt;br /&gt;Muito junto a eles e, de certa forma, num nível ainda mais inferior, estão os paisanos, aquelas pessoas que, indefesas e cercadas tanto por forças ditas do bem como aquelas do mal, maléficas por igual, pois em vários aspectos se equivalem, e sofrendo com a insanidade consciente dos soldados de ambos os lados ou com a inconsciente da menina que quer ser médica.&lt;br /&gt;Felizmente, ainda não alcançada pela sujeira dessa guerra, há a figura de outro tipo de general: Ivaldo Bertazzo, que livrou das ruas garotos e garotas prontos a serem cooptados pelas facções em luta (mesmo com o risco de serem justiçados pelas forças do “bem”) e colocou-os em uma nova trincheira: o palco.  No espetáculo, &lt;em&gt;“Milágrimas”&lt;/em&gt;, (em cartaz até março), seus soldados guerreiam pela paz.  Não há como não se emocionar ao nos depararmos com a arte magistralmente rústica, enquanto quase-amadores, de jovens que foram virtualmente arrancados das portas de uma guerra que ameaçava arrebatá-los, para nos presentear com imagens gestuais de poesia musicada.&lt;br /&gt;Como já acontecera em &lt;em&gt;Sanwaad, rua do encontro&lt;/em&gt;, esses adolescentes nos cobrem de esperança ao mostrarem que basta um dedo apontando para o futuro, para que uma provável página de guerra não venha a ser escrita.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;O sol há de brilhar mais uma vez&lt;/em&gt;” ...&lt;br /&gt;Essa frase, no final antológico do espetáculo, com a obra-prima de Nelson Cavaquinho ecoando por toda a sala e dentro de nós mesmos,  nos lembra que algumas batalhas, nunca a guerra,  podem ter sido perdidas, e a menina que sonha ser médica poderá, enfim,  colher seu milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113448063981594371?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113448063981594371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113448063981594371' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113448063981594371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113448063981594371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/12/os-soldados-os-paisanos-e-o-general.html' title='OS SOLDADOS, OS PAISANOS E O GENERAL'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113404132705344237</id><published>2005-12-08T03:23:00.000-08:00</published><updated>2005-12-08T03:28:47.086-08:00</updated><title type='text'>MULHER EM LUTA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; Na noite quente e abafada, a chuva acabada de cair, forte mas pouca, só faz aumentar a sensação de sufoco tornando o ar quase irrespirável. O corpo suado da mulher revira-se na cama espaçosa e mal aproveitada; o travesseiro ao lado, vazio, aumenta sua inquietude e o mostrador luminoso do relógio parece afirmar ter a hora muito mais que sessenta minutos.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No jardim, as sombras do arvoredo tentam violar a veneziana e entrar no quarto como fantasmas lúbricos obcecados em tocá-la. Seu sangue ferve de desejo. Os pensamentos atravessam as paredes e percorrem ruas e becos numa desesperada busca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, a humilhação... Arrastar-se aos pés de seu homem, até isso fizera por ele que, mesmo numa altivez doentia, sempre a contemplou com horas de prazeres inauditos fazendo-a vibrar em cada célula. Corpo sobre corpo, mãos indecentes percorrendo-lhe os lugares mais recônditos e aquele gozo parecendo descer dos céus para explodir no desprezo do animal-macho abrindo feridas de longa cicatrização. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu amor-próprio está dilacerado. Que importa? Tem seu homem e dele não abrirá mão. Dolorosamente, não consegue dar conta da ilusão a consumi-la, conduzindo-a para uma falsa certeza de posse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Noite quente e de insônia. Ela tem o corpo a arder e molhar a cama. Incontida, molha-se. Recorda daquela língua de serpente aproveitando do sal de seu corpo. Sal e leite. Ela morde o travesseiro lembrando-se da posse incondicional, total.Lentamente, desliza para o lado oposto da cama. O vazio faz uma lágrima escorrer, mas imediatamente contida; resquícios de uma faísca de dignidade, logo consumida pelo desejo a queimá-la. O espaço enorme deixa-a pequena e grande é a angústia que aquela ausência traz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seus olhos percorrem a penumbra, buscando vultos. Aquele a quem espera, não aparece; está distante, talvez em outra cama, pensamento que a faz morder os lábios e crispar as mãos. Geme ao lembrar do homem-animal mordendo-lhe o pescoço. Como o leão que arrasta a gazela abatida, assim era levada para a cama e desnudada em fúria. Dor e gemidos. Prazer e gemidos. Submetida, deixava-se prender naquelas loucuras e mentiria a si mesma se não admitisse o gozo que a levava às portas do Éden.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi ele o seu sedutor, aquele a iniciar nos caminhos da paixão, vindo nos sonhos como o príncipe encantado a resgatá-la da solidão do desamor. Suas fantasias se materializaram diante daquele cavaleiro de lança pronta para o embate. Não entendeu, então, mas também para seu abate.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conquistada, jogou-lhe as tranças do alto da torre e a cada incursão sentiu-se cada vez mais princesa, sempre mais mulher. Passou a aguardar seu retorno com ansiedade crescente, pouco importando aquelas serem expedições púnicas. Abriu-lhe todas as portas. Seu castelo foi invadido noite após noite e por seus corredores úmidos escorreu a seiva de sua presença. Entretanto, jamais se deu conta de que, lentamente, formou-se um labirinto de incógnitas a rodeá-la.  Ainda assim, o queria feliz e entregou-se por inteiro, não percebendo em seu onirismo ser uma heroina sem herói.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Noite quente e abafada. O corpo febril se contorce sob os lençóis. Suas mãos pousam nos seios arfantes. Aperta-os, lembrando-se de outras mãos a fazê-lo com mais volúpia e arrastando-a ao limbo do prazer que explodiria em seguida.Onde estarão essas mãos agora? Num átimo e sem pejo rompe em lágrimas. Aceita-o em sua cama, para o bem e para o mal, mas não o admite em outras. Ela o satisfaz com todos os requintes, de prazer ou de tortura. Suas mãos o moldam e ele cresce nesse barro de paixões, para depois se estilhaçar jogando-a num vazio sem limites. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O calor tolda-lhe os pensamentos. Em todo esse tempo de entrega total, jamais se viu questionando tal relação a ultrapassar os limites do sensual, chegando ao pornográfico, inevitável para ela. Maniqueista, ele a satisfez nos dois extremos: num primeiro momento, paixão verdadeira e avassaladora para em seguida descambar para a volúpia grosseira, descabida mas consentida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os últimos clarões dão um toque fantasmagórico ao quarto. É uma encruzilhada onde agora está, um eu que se divide em dois. Parte renuncia ao chamado dos instintos; outra, vigorosa, puxa-a pelos cabelos ao encontro daquilo a que se propusera. Um arrepio percorre seu corpo sem lhe dar prazer. A batalha há muito aguardada está se desenvolvendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos poucos, uma suave aragem penetra pelas frestas balançando as leves cortinas numa estranha dança dos véus. A calma a rodeia, fazendo-a sentir-se indecisa sobre se irá exigir-lhe a cabeça. Está confusa, como o são todas as amantes dilaceradas. Como elas, percebe que a renúncia machuca.  Lágrimas banham o travesseiro. As duas mulheres dialogam, tergiversam num primeiro momento, afrontam-se no seguinte; não há concessões. O cheiro da terra úmida é um lenitivo, ainda que os espíritos não se fundam e o tempo passe de forma lenta e agoniada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ruído de um carro parando no portão; uma decisão é necessária. Ela respira fundo, corpo teso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chave rodando na fechadura e depois a porta batendo, sem ser mostrado o cuidado de se evitar isso. Um suspiro parece libertá-la de mil fantasmas e a alivia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passos na escada, sem pressa e sem justificativas. Tensa, olhos cerrados, não quer encará-lo nesse primeiro momento. Noite quente e calma. A decisão já está tomada. O lençol é jogado longe.   Deitada, braços abertos sobre a cama, ela é a cruz de carne de seu próprio sacrifício.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113404132705344237?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113404132705344237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113404132705344237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113404132705344237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113404132705344237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/12/mulher-em-luta.html' title='MULHER EM LUTA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113334764660844820</id><published>2005-11-30T02:37:00.000-08:00</published><updated>2005-11-30T02:50:41.000-08:00</updated><title type='text'>CONTATO EM PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Segue, abaixo, texto de e-mail de um escritor português, com quem me correspondo, e que pede-me para transcrevê-lo aos amigos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prezados&lt;br /&gt;Antes de mais, cumprimentos a partir de Portugal. &lt;br /&gt;Aproveito a oportunidade para informá-la que tomei contacto com a&lt;br /&gt;sua actividade cultural, em prol da língua portuguesa, algo pelo&lt;br /&gt;qual desde já a congratulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui me coloco à sua disposição para um intercâmbio literário e&lt;br /&gt;cultural entre autor e instituição, servindo-nos das facilidades&lt;br /&gt;fornecidas pelas novas tecnologias e procurando promover, junto de&lt;br /&gt;todos os interessados, a língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quedo-me à sua disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue meu breve currículo literário: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã” (Ulmeiro, Portugal, 2000)&lt;br /&gt;- “História e Mistérios dos Templários” 2ª Edição Esgotada (Ediouro,&lt;br /&gt;Brasil, 2001)&lt;br /&gt;- “Escritos Errantes (histórias leves como o vento mas tocantes como&lt;br /&gt;a tempestade)” Esgotado (Senso, Portugal, 2002)&lt;br /&gt;- “Ku Klux Klan: Pesadelo Branco” (Magno, Portugal, 2003)&lt;br /&gt;- “Tripla Imparável I: Juventude em Acção” (Magno, Portugal, 2005)&lt;br /&gt;- “Os Templários e o Brasil” (Flâmula, Brasil, 2005)&lt;br /&gt;- “Templários em Portugal (a verdadeira história)” (Ícone, Brasil,&lt;br /&gt;2005)&lt;br /&gt;- “Templários (Ordem Militar e Religiosa)” (Catedral das Letras,&lt;br /&gt;Brasil, 2005)&lt;br /&gt;- “Confraria Mística Brasileira: a História” (Câmara Brasileira de&lt;br /&gt;Jovens Escritores, Brasil, 2005) No prelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeitosamente,&lt;br /&gt;Pedro Silva &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(&lt;a href="mailto:ps77@aeiou.pt"&gt;ps77@aeiou.pt&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113334764660844820?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113334764660844820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113334764660844820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113334764660844820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113334764660844820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/contato-em-portugal.html' title='CONTATO EM PORTUGAL'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113319378333197474</id><published>2005-11-28T08:00:00.000-08:00</published><updated>2005-11-28T08:03:03.346-08:00</updated><title type='text'>QUATRO SENTIDOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Milena era diferente; nascera sem o olfato e seus pais demoraram para perceber essa anomalia, pois criança só começa a exprimir seus conceitos na medida em que vai ganhando o mundo.&lt;br /&gt;O cheiro da fralda suja não a incomodava. Se chorava, era porque assaduras maltratavam as dobrinhas de sua carne. Tampouco o cheiro da mãe fazia falta, substituído que foi pelo modo como era segurada no colo. Levada aos mamilos, logo aprendeu como procurar as tetas maternas.&lt;br /&gt;Lá pelos quatro anos, os primeiros vestígios de vaidade. Roupinha nova e sapatinhos brilhantes; começava a gostar disso. Não entendeu quando a mãe passou-lhe um perfume atrás das orelhas:&lt;br /&gt;— Que é isso, mammy?&lt;br /&gt;Milena não entendeu o que queria dizer “ficar cheirosa”.&lt;br /&gt;- Que é cheirosa, mammy?&lt;br /&gt;A mãe desacorçoou. Como explicar o cheiro? Pegou o cachorro, alí perto:&lt;br /&gt;— O que você sente assim pertinho do Rex?&lt;br /&gt;— Ele é bonito, é quentinho.&lt;br /&gt;— Mas, o cheiro... não sente o cheiro?&lt;br /&gt;Ela não só não sentia, como não sabia o que era aquilo. A mãe se desesperou. Num gesto beirando a insensatez pegou a garrafa do limpador à base de amoníaco levando-o perto das narinas da filha: nem uma careta.&lt;br /&gt;À noite, chorou com o marido:&lt;br /&gt;— Mileninha não cheira. Ela não tem olfato.&lt;br /&gt;Consultaram médicos e mais médicos, enfim, todos os especialistas que pudessem explicar aquilo. Constatada a anosmia, sentenciaram: poderia ser temporária. Tumores ela não apresentava e nada explicava o caso. Nem o lado psicológico foi descartado. Mas não havia o quê nem o porquê. Milena teria de enfrentar o mundo à sua maneira. Um prosaico peido era motivo de repreensões. Por quê? perguntava-se, se às vezes era em silêncio?Foi crescendo sem sentir o cheiro da vida.&lt;br /&gt;— Mãe, a carne assada está uma delícia. Como é o cheiro dela?&lt;br /&gt;Não havia resposta para esse e nenhum outro cheiro. Milena teve de começar a adivinhar os cheiros.&lt;br /&gt;Na feira-livre, pegava uma laranja, olhava-a, apalpava-a e seu conceito da fruta estava pronto, inclusive o de cheiro: amarelado.&lt;br /&gt;Gostava de flores. Nomeou-lhes os aromas. Tinha uma idéia toda sua dos cheiros e explicava-os como os entendia, numa mistura de sentidos:&lt;br /&gt;— Ah, que vermelho cheiroso.&lt;br /&gt;Mas confundia-se com o diferente vermelho da maçã. Começou a ficar neurótica.&lt;br /&gt;Cresceu. As paixões vieram e foram. Como saber a diferença que um perfume poderia fazer? Menos ainda compreender o que significava mau hálito. A mãe tentava explicar, mas para Milena era difícil entender o inexplicável.&lt;br /&gt;Conheceu homens; amou, desamou, tudo com apenas quatro sentidos. E na cama, há que se ter os cinco.&lt;br /&gt;A neura derrubou-a. Sentiu-se desgraçada. Julgara poder viver sem o cheiro; todo mundo é incompleto em alguma coisa. Por que não ela? Mas a decisão de encarar um mundo sem cheiros a enfraquecia. Entendia quando alguém chorava que a vida já não tinha mais sabor. No entanto, como fazer uma metáfora com algo que não conhecia?&lt;br /&gt;Num dia qualquer, em seu desalento, sentada na cozinha e depois de pôr a água para o café para ferver, tentou relaxar pensando na infância sem cheiros, quando era feliz. O calor do Rex; o cocô bonitinho do Rex; o nariz enfiado de brincadeirinha num sapato, rindo enquanto as outras crianças faziam caretas. E o pai chegando em casa suado e carinhoso.&lt;br /&gt;Pegou da caneca de água e despejou-a no coador. A fumaça e o escuro sem cheiro. Um vento apagou o bico de gás, que ficou aberto.&lt;br /&gt;Tomou o café, aprovando-o na boca e só ali. Permaneceu longo tempo degustando aquele sabor, queria aproveitar do que conhecia. Depois, pegou o maço de cigarros sobre a mesa, bateu-o e um deles saltou para fora. Levou-o à boca, pensativa, para em seguida dar um único clique no isqueiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Texto premiado no concurso de contos da Academia de Letras de São João da Boa Vista- SP)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113319378333197474?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113319378333197474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113319378333197474' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113319378333197474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113319378333197474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/quatro-sentidos.html' title='QUATRO SENTIDOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113312740160612651</id><published>2005-11-27T13:34:00.000-08:00</published><updated>2005-11-28T15:25:10.593-08:00</updated><title type='text'>DANIELA MERCURY</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;ESTOU COM A DANIELA E NÃO ABRO!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;MOTIVO?  ESTA NOTÍCIA:   "PAPA RATZINGUER VETA APRESENTAÇÃO DE DANIELA MERCURY EM FESTA DE FIM DE ANO, NO VATICANO, PORQUE A CANTORA FEZ PROPAGANDA A FAVOR DO USO DA CAMISINHA NO CARNAVAL PASSADO.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113312740160612651?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113312740160612651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113312740160612651' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113312740160612651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113312740160612651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/daniela-mercury.html' title='DANIELA MERCURY'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113292693695077708</id><published>2005-11-25T05:53:00.000-08:00</published><updated>2005-11-25T05:55:36.970-08:00</updated><title type='text'>O CORREDOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma casa enorme.   Minha mãe chamava-a de arranha-céu, embora não passasse de um grande sobrado com porão acima do nível do jardim, dois andares e, principalmente, com torreões que formavam o sótão, fazendo o prédio destacar-se entre os demais naquela  tranqüila rua do Belenzinho, em São Paulo.&lt;br /&gt;Para mim, ainda criança,  era de uma imponência que chegava a assustar.   Janelas sempre fechadas, jardins tomados pelo mato e com uma primavera encimando o arco sobre o portão, aquele era um lugar mágico onde minhas fantasias entravam, percorriam cômodos cinzentos e soturnos, cruzando com assombrações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, inesperadamente invadi esse mundo.   Na visita a uma tia que morava a um quarteirão dali, ouvi-a convidar minha mãe para visitar a moradora desse castelo, pois amigas que eram devia essa obrigação à dona, então adoentada.&lt;br /&gt;Foi numa mistura de apreensão e curiosidade que as acompanhei, levado pelas mãos seguras de minha mãe.   Na resposta à campainha,  apareceu na porta da varanda a moradora, visivelmente abatida mas nem por isso descurada no vestir, como se sempre esperasse por alguém.&lt;br /&gt;Não me lembro de seu nome, mas era simpática.  Levou-nos para a grande sala onde por mais de uma hora ficaram elas conversando.   Sentado ao lado de minha mãe não ousei levantar-me e ensaiar alguns passos por alí, principalmente por causa do corredor que saia da sala e levava para algum lugar nos fundos do casarão.  Uma pesada cortina vermelha entreaberta deixava perceber a escuridão que o envolvia.  &lt;br /&gt;Nem o chá com bolinhos fez com que eu despregasse os olhos daquele espaço assombrado onde, achava, almas penadas se escondiam.   De quando em quando, parecia perceber algum ruído.   Não o creditava à minha imaginação ou  simplesmente à madeira  estalando.   Eram almas.   Eram almas que pareciam  espiar os intrusos. &lt;br /&gt;O tempo escorria lentamente.   Segurei a mão de minha mãe com mais força e aguardei por fantasmas e aparições que nunca vieram.  &lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;        &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113292693695077708?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113292693695077708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113292693695077708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113292693695077708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113292693695077708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/o-corredor.html' title='O CORREDOR'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113252780776499581</id><published>2005-11-20T14:47:00.000-08:00</published><updated>2005-11-20T15:03:27.780-08:00</updated><title type='text'>ENTÃO FICAMOS ASSIM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pois é!   De passo em passo (e  largos, largos), este mundo vai virando uma aldeia global.   Comunicação instantânea de um lado ao outro do mundo virou carne de vaca (não sei como apareceu esta expressão; é antiga, mas a única coisa que sei é que nem todo mundo pode comer carne de vaca todo dia).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltando às comunicações, eu, calejado de estrada, estou entrando agora no orkut.   Para quem não sabe (se é que há quem não saiba), trata-se de um caminho da internet onde é possível encontrar pessoas, comunidades, em praticamente todos os cantos do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já que entrei nesse admirável mundo novo, criei e tb fui procurar por comunidades de meu interesse:  ex-colegas de trabalho, pessoas relacionadas com esse esquisito hábito de escrever (e se possível, bem), locais onde estive ou ainda freqüento, etc. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para minha surpresa, estou recebendo respostas inesperadas, principalmente nas pesquisas que faço com meu sobrenome: Bruni Fernandes, originários, respectivamente, de meus lados materno e paterno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surpreendentemente, apareceu até gente com os dois sobrenomes, o que não é totalmente impossível, mas de reduzidas probabilidades de se encontrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E aí, ficamos assim:  quem quiser entrar nesse rolo, é só me avisar (se não for orkutista) que eu mando o convite ou,  se for, abra o ork pelo meu nome completo.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curiosidade:   a comunidade Orkut é de origem estrangeira mas - pasmem - lí hoje que, dos atuais onze milhões de membros, nove estão no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um bom domingo a todos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113252780776499581?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113252780776499581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113252780776499581' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113252780776499581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113252780776499581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/ento-ficamos-assim.html' title='ENTÃO FICAMOS ASSIM'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113175450735746531</id><published>2005-11-11T16:05:00.000-08:00</published><updated>2005-11-11T16:15:07.386-08:00</updated><title type='text'>TEMPO DE EMBEBEDAR POLÍTICOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;           Se há alguma semelhança entre o belo filme iraniano &lt;em&gt;Tempo de embebedar cavalos&lt;/em&gt; e certos setores da atual vida política nacional, ela pode ser analisada da seguinte maneira:  no filme, aliás uma bela lição de como se faz cinema, desenrolava-se uma história sobre o povo curdo que, perseguido por todos os lados, tentava sobreviver numa região inóspita na fronteira Irã-Iraque, isto na época em que Saddan Hussein mandava e desmandava nesse último país. Na luta pela vida, aquela gente era levada a praticar contrabando entre as duas nações, atividade evidentemente ilegal, mas a única que lhes restava para tentar a sobrevivência.&lt;br /&gt;            Nesse expediente, era costume usar animais (na verdade, no filme são mulas), para transportar pesadas cargas pela região montanhosa entre aqueles dois países.  Como isso ocorria também durante o rigoroso inverno, para que os muares resistissem ao tempo inclemente davam-lhes água misturada com álcool.  Assim estimulados, os animais se tornavam dóceis e conseguiam (nem sempre) carregar seus pesados fardos através de trilhas geladas da fronteira.&lt;br /&gt;            No Brasil, também temos nossas mulas.  Como as do filme, elas também são embebedadas e facilmente conduzidas por cabrestos manuseados por uma espécie de contrabandista encontrado quando se  trata de defender interesses espúrios.&lt;br /&gt;            Nossas mulas não bebem água com álcool.  A elas são dadas dinheiro ou cargos remunerados com o dinheiro público para que possam atender interesses mesquinhos.   Uma vez satisfeitas suas necessidades básicas, tornam-se facilmente manipuláveis e pegam o rumo que seus condutores desejam.&lt;br /&gt;            Generalizar é perigoso e até injusto.  No mundo da política ou ao seu redor ainda existem aqueles que honram suas obrigações e respeitam a vontade do cidadão comum,  nem por isso menor.  Infelizmente, uma parte considerável daqueles que freqüentam a esfera do poder vende seu lombo pronto para a carga por qualquer trocado ainda que para isso tenham de reverter uma posição assumida anteriormente.&lt;br /&gt;            É até aí que vai a semelhança das mulas da fronteira com os homens públicos de consciência negociável.  Daí para a frente não dá mesmo para se fazer comparações, já que as mulas do filme, à sua maneira,  têm uma certa  dignidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este texto foi postado  para lembrar a atitude de muitos Deputados Federais que, a exemplo das mulas do filme, venderam seu lombo para obter do Governo Lula, benefícios que este distribuiu para tentar abreviar o fim da CPI  dos Correios.   A relação dos oportunistas está no Blog do Josias de Souza, da Folha de SãoPaulo, de 11/11).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113175450735746531?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113175450735746531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113175450735746531' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113175450735746531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113175450735746531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/tempo-de-embebedar-polticos.html' title='TEMPO DE EMBEBEDAR POLÍTICOS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113103498044969411</id><published>2005-11-03T08:07:00.000-08:00</published><updated>2005-11-03T08:23:00.463-08:00</updated><title type='text'>SERÁ QUE UM DIA APRENDEREMOS?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Volto de uma viagem aos estados do Sul, onde fiz longas caminhadas pela região dos parques de Aparados da Serra e Serra Geral.  Não serei redundante dizendo das belezas de seus largos e profundos cânions, o que qualquer revista de turismo já cansou de mostrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que elas não mostram e boa parte da imprensa também não faz, é levar ao conhecimento do brasileiro dois males que devastaram e devastam a região.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro, já controlado ainda que talvez um pouco tarde, é o da derrubada das araucárias, e que à época da construção de Brasília manteve cerca de duzentas (duzentas!!) serrarias, que por quase vinte anos forneceram madeira para a construção da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo, bem atual e bem ativo, é o da plantação de fumo.  Ao contrário do Nordeste, onde as folhas dessa erva são colocadas ao sol, para secar, no Sul, devido às condições climáticas, são secadas em fornos de barro alimentados por árvores da região.  Nas muitas pequenas propriedades por onde passei, pude ver montes de troncos e galhos arrancados da mata e que serviriam para alimentar as fornalhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Ministério da Saúde adverte: fumar faz mal à saúde.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não seria tempo de criarmos um Ministério da Decência e do Bom-senso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113103498044969411?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113103498044969411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113103498044969411' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113103498044969411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113103498044969411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/11/ser-que-um-dia-aprenderemos.html' title='SERÁ QUE UM DIA APRENDEREMOS?'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-113080627442496828</id><published>2005-10-31T16:41:00.000-08:00</published><updated>2005-10-31T16:51:14.436-08:00</updated><title type='text'>NÃO MUDA NADA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dia:  24 de outubro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Local: Cambará do Sul, RS&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ocorrência:  Assalto a banco&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia depois, passando por essa cidadezinha de 7 mil habitantes, perdida nos altos da serra gaúcha, fiquei sabendo que um bando de homens armados com fuzis AR-15 e metralhadoras  dominou a pequena guarnição policial e levou todo o dinheiro que se encontrava na unica agência bancária local.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia anterior à ocorrência, o brasileiro havia dado um recado direto a seus  governantes:  trabalhem mais pela segurança e chega de se isentar da responsabilidade que lhes cabe quanto a questão da segurança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mito do desarmamento foi derrubado bem mais depressa do que se poderia esperar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-113080627442496828?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/113080627442496828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=113080627442496828' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113080627442496828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/113080627442496828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/10/no-muda-nada.html' title='NÃO MUDA NADA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112964451133868180</id><published>2005-10-18T07:06:00.000-07:00</published><updated>2005-10-18T07:08:31.350-07:00</updated><title type='text'>DESARMAMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; Içami Tiba, psiquiatra, psicodramatista e educador:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mais do que com armas, é com conhecimento que se pode fazer uma&lt;br /&gt;reviravolta neste país, que sobrevive, apesar da falta de ética de&lt;br /&gt;parte grande dos nossos governantes.&lt;br /&gt;Não é possível que o povo brasileiro seja mobilizado a ir às urnas&lt;br /&gt;neste plebiscito - cujo sentido é ainda discutível - num momento&lt;br /&gt;político de comprovados e vergonhosos "mensalões" e "mensalinhos",&lt;br /&gt;demonstrativos de que boa parte dos políticos brasileiros visam mais o&lt;br /&gt;seu próprio bem do que o cumprimento com honra, ética e sensatez, dos&lt;br /&gt;cargos para os quais foram eleitos.&lt;br /&gt;Me revolta um governo que promove um plebiscito, fingindo querer ouvir&lt;br /&gt;o povo, mas com uma pergunta capciosa. Por que não perguntar se o&lt;br /&gt;brasileiro gostaria de ver sua mulher e filhos estuprados e sua casa&lt;br /&gt;arrebentada porque os "maus elementos" estavam armados e ele&lt;br /&gt;desarmado?&lt;br /&gt;Qual a diferença que existe entre tais "maus elementos" que nos&lt;br /&gt;assaltam, armados com armas de fogo, e outros que tendo o poder nas&lt;br /&gt;mãos, nos assaltam com uma caneta, nos tirando quase três meses de&lt;br /&gt;cada ano trabalhado para lhes sustentar, enquanto a nossa família&lt;br /&gt;praticamente passa fome?&lt;br /&gt;O mal está no espírito das pessoas e não no que elas têm nas mãos.&lt;br /&gt;Morre-se, também, em números assustadores, em acidentes de automóvel.&lt;br /&gt;Não seria o caso também de se fazer um plebiscito para proibição da&lt;br /&gt;venda de carros e combustíveis? Tudo dependeria de como se direciona a&lt;br /&gt;pergunta à população: Você é contra as pessoas continuarem morrendo&lt;br /&gt;ou matando por atropelamentos e acidentes de automóvel ? Então vote a&lt;br /&gt;favor da proibição da comercialização de carros e combustíveis.&lt;br /&gt;O que me deixa indignado neste país é a absoluta de falta de&lt;br /&gt;transparência das autoridades. Manobras e campanhas são realizadas&lt;br /&gt;para ocultar a falta de ética de nossos governantes - e nenhum país&lt;br /&gt;sobrevive à falta de ética, com ou sem arma de fogo...&lt;br /&gt;Me preocupa, ainda, saber quem será o grande beneficiário de mais&lt;br /&gt;este gasto com este plebiscito. Muito mais útil e correto seria&lt;br /&gt;utilizar esta importante verba para a educação.&lt;br /&gt;Dos grandes problemas deste país não destacamos somente a falta de&lt;br /&gt;estudos, cultura e educação, mas também o mau uso econômico e ético&lt;br /&gt;que as elites políticas fazem deste povo. O povo brasileiro tem bom&lt;br /&gt;coração. É um povo tão carente, necessitado e crédulo que bastam&lt;br /&gt;algumas palavras bem ditas, que mexam com a sua emoção, basta que&lt;br /&gt;recebam chaveirinhos, camisetas e bonés, que dentro do contexto de&lt;br /&gt;falta de consciência política que impera, seja facilmente manipulado,&lt;br /&gt;em detrimento de sua própria dignidade e condição de vida.&lt;br /&gt;O governo, através de uma inteligente manobra de massas, mais uma vez&lt;br /&gt;vende ao povo a idéia que são as armas de fogo as culpadas pela&lt;br /&gt;violência e, numa eficiente estratégia de marketing, "mata dois&lt;br /&gt;coelhos com uma cajadada só": a) demonstra estar adotando providências&lt;br /&gt;contra a criminalidade; e b) esconde sua ineficiência e incapacidade&lt;br /&gt;de lidar com a situação da violência desmedida que se encontra nosso&lt;br /&gt;país;&lt;br /&gt;Mais que isso, o governo afasta de si a responsabilidade e a transfere&lt;br /&gt;ao povo, através de uma pergunta simpática à primeira vista, e pela&lt;br /&gt;qual já vem fazendo uma campanha oculta há muito tempo. Assim, no&lt;br /&gt;futuro, quando a violência e criminalidade não diminuírem, sempre&lt;br /&gt;restará a resposta da elite política de que a vontade do povo foi&lt;br /&gt;cumprida...&lt;br /&gt;Mais uma vez, com a experiência de educador que tenho, reforço: Não&lt;br /&gt;são esses tipos de medidas populistas que farão efeito. Somente os&lt;br /&gt;livros, a educação a longo prazo, e a ética - palavra em falta no&lt;br /&gt;vocabulário de nossos políticos - é que poderão mudar esse Brasil. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Içami Tiba&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112964451133868180?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112964451133868180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112964451133868180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112964451133868180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112964451133868180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/10/desarmamento.html' title='DESARMAMENTO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112940265968399220</id><published>2005-10-15T11:50:00.000-07:00</published><updated>2005-10-15T11:57:39.690-07:00</updated><title type='text'>REFERENDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma perguntinha:  depois do referendo, independentemente de qual venha a ser o resultado, teremos mais SEGURANÇA?  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra perguntinha:  era preciso se fazer um referendo para termos mais SEGURANÇA?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112940265968399220?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112940265968399220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112940265968399220' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112940265968399220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112940265968399220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/10/referendo.html' title='REFERENDO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112768724895645118</id><published>2005-09-25T15:19:00.000-07:00</published><updated>2005-09-26T04:17:26.630-07:00</updated><title type='text'>FELICIDADE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No rosto emoldurado por longos cabelos loiros, dois olhinhos faiscavam refletindo as sete velinhas rutilantes espalhadas sobre o bolo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao seu redor, expectativas e suspiros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luane, então, fechou os olhos e ao apagar as velas fez um pedido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava feliz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112768724895645118?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112768724895645118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112768724895645118' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112768724895645118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112768724895645118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/09/felicidade.html' title='FELICIDADE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112674380633495718</id><published>2005-09-14T17:13:00.000-07:00</published><updated>2005-09-14T17:23:26.343-07:00</updated><title type='text'>O QUE FAZ A DIFERENÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Diariamente vejo, leio e ouço coisas que me incomodam.   São atitudes, escritos e palavras (e mesmo sons), disparados a esmo como se seus autores estivessem se lixando pelos outros.   Aliás, penso ser isso mesmo.&lt;br /&gt;            Ver alguém abrir o vidro do seu carrão de luxo e jogar uma carteira vazia de cigarros na rua me incomoda.  Muita coisa que vai para o papel ou painéis também mexem com o meu fígado.   Ouvir asneiras e de uma forma gratuita como nos brindam freqüentemente também não melhora meu humor.&lt;br /&gt;            Na verdade, e não quero aqui tentar fazer um estudo comportamental, pois não é minha praia, vejo que as pessoas estão se deseducando e, o que é pior, parecem acreditar em  assertivas como “ah, todo mundo faz”...  De forma consciente ou não, as atitudes de muitos parecem atropelar as mais comezinhas regras da educação e do bom-senso.   Dão a entender que não trouxeram para fora de suas casas normas que regem uma sociedade dita civilizada.&lt;br /&gt;            Para focar num caso que vejo com freqüência e mexe comigo, cito o fato de na academia que freqüento, ver quase diariamente um grupelho de meninos bem nascidos, certamente freqüentadores de bons colégios, pois esse local fica situado num bairro de classe média alta, em constante algazarra que geralmente ultrapassa os limites do suportável.   Naquilo que acham ser brincadeira, por exemplo, sobem em três ou quatro na balança do vestiário (que já quebrou mais de uma vez) ou então largam resíduos pelo chão embora existam recipientes para tal, sem falar da gritaria e de uma linguagem que certamente não usam (será?) dentro de casa.&lt;br /&gt;            São meninos de seus doze anos, idade mais do que suficiente para apresentarem atitudes compatíveis com o mundo onde estão entrando para ficar.&lt;br /&gt;            Entretanto, certas cenas me surpreendem; dias atrás, enquanto aguardava minha mulher, vi na área da lanchonete daquele local uma menina de seus sete ou oito anos, empurrando um carrinho com duas bonecas.   Ela ocupou uma das mesas, deslocou uma cadeira para perto da sua e colocou suas bonecas ali, enquanto tomava seu suco e comia um lanche.  Fiquei observando-a.  Compenetrada, ela conversava com suas “filhas” enquanto saboreava os alimentos&lt;br /&gt;            Aí veio a surpresa; ao terminar, pegou suas bonecas, ajeitou-as no carrinho, pegou a cadeira “delas” e recolocou-a no lugar,  amassou o papel do lanche e jogou-o no cesto de lixo e, finalmente, ainda passou a mão sobre o tampo da mesa tirando algumas migalhas que ali estavam.&lt;br /&gt;            Quando minha esposa chegou, comentei o caso  apontando-lhe a menina, ao que ela me perguntou:&lt;br /&gt;            —  “Você notou uma coisa nela”?&lt;br /&gt;            Sim, eu havia notado.   Tratava-se de uma japonesinha, bonitinha e delicada.&lt;br /&gt;            Foi então que resolvi escrever o que aí está.   Não é nenhum estudo sociológico nem algo que o valha, mas é a constatação de que culturas mais adiantadas sempre dão exemplos àquelas que ainda estão aprendendo.&lt;br /&gt;            Mas será que estamos mesmo aprendendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112674380633495718?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112674380633495718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112674380633495718' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112674380633495718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112674380633495718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/09/o-que-faz-diferena.html' title='O QUE FAZ A DIFERENÇA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112593245419700676</id><published>2005-09-05T07:57:00.000-07:00</published><updated>2005-09-05T08:00:54.203-07:00</updated><title type='text'>O ONTEM E O SEMPRE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi outro dia, há pouco mais de um ano.   Quando assisti à &lt;em&gt;Sanwaad, rua do encontro&lt;/em&gt;, espetáculo de Ivaldo Bertazzo, fiquei fascinado com o trabalho desse gênio que foi garimpar jóias brutas nas camadas mais humildes da população e as transformou em seres humanos.   A respeito disso, escrevi na época a crônica Os malabaristas.&lt;br /&gt;O tempo não parou e ontem fui ao SESC Pompéia redescobrir aquele com quem as artes e a dignidade humana passaram a ter uma dívida eterna.&lt;br /&gt;Se no ano anterior, Bertazzo uniu numa só alma as culturas musicais do Brasil e da Índia, agora, no espetáculo &lt;em&gt;Milágrimas&lt;/em&gt;, funde os espíritos da brasileira e a africana.&lt;br /&gt;É bom esclarecer aqui que esse trabalho traz apenas e tão somente (se é tão somente assim), a trilha musical do que será a apresentação dos integrantes do Projeto Dança Comunidade, em novembro próximo.&lt;br /&gt;Dizer “apenas e tão somente” é quase um sacrilégio.   Ivaldo Bertazzo criou uma trilha musical para as danças, apoiado em autores tais como Aldir Blanc, Nelson Cavaquinho, Itamar Assumpção, Dorival Caymmi e até Alice Ruiz (em parceria com Itamar), que deu uma canja cantando junto com Anelis Assumpção.&lt;br /&gt;Não bastasse isso, o palco recebeu figuras, além da própria Anelis (mostrando que tem no sangue a genialidade do pai), como Benjamim Taubkin, Arthur Nestrovski e, surpresa, pelo menos para este que vos escreve, os Kholwa Brothers, conjunto vocal da África do Sul, de presença fundamental para o desenvolvimento do show.   E o que dizer do não menos surpreendente “Sapopemba”, José Silva dos Santos, que colocou no encerramento do espetáculo, a cereja no bolo?&lt;br /&gt;Em todos esses anos de estrada, e bota estrada nisso, ainda fico emocionado quando encontro manifestação cultural e de sentimentos desse porte.   Já estou de prontidão para, quando da apresentação do espetáculo completo, em novembro, correr para a bilheteria e garantir meu lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Obs.  “&lt;em&gt;Os malabaristas&lt;/em&gt;” pode ser lido no site Leia Livro, da  Secretaria de Educação do Estado, buscando-se pela data de 22/6/2004.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112593245419700676?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112593245419700676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112593245419700676' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112593245419700676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112593245419700676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/09/o-ontem-e-o-sempre.html' title='O ONTEM E O SEMPRE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112570610331293440</id><published>2005-09-02T16:57:00.000-07:00</published><updated>2005-09-02T17:08:23.320-07:00</updated><title type='text'>CONCURSO LITERÁRIO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;V Concurso Literário "Cleber Onias Guimarães" - versão 2005, nas modalidades Conto, Crônica e Poesia Livre.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Realização Conselho Comunitário de São Paulo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Para jovens e adultos de todo o Brasil.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Envio de trabalhos até 30 de setembro.  Inscrições gratuitas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Informações:  &lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:folhassoltas@uol.com.br"&gt;&lt;strong&gt;folhassoltas@uol.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112570610331293440?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112570610331293440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112570610331293440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112570610331293440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112570610331293440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/09/concurso-literrio.html' title='CONCURSO LITERÁRIO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112536622151420036</id><published>2005-08-29T18:39:00.000-07:00</published><updated>2005-08-29T18:43:41.523-07:00</updated><title type='text'>NO TEMPO DAS GALOCHAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            O tempo está passando e eu indo com ele.   Não que isso seja mau pois me dá espaço para recuperar fatos marcantes de minha vida, como propaganda e televisão.  &lt;br /&gt;            Hoje, penso não haver propagandas que criem uma imagem duradoura, daquelas a serem lembradas daqui a quinze ou vinte anos.   Liga-se a TV e o que aparece é um belo automóvel ao lado de uma mulher sedutora; parece que os dois estão à venda.  Com a cerveja, idem.   Se não aparecer uma garota semi-nua, a marca do produto será desprezada.&lt;br /&gt;            Lembro-me do tempo de criança, mesmo antes da chegada da televisão, dos assim chamados reclames a anunciar produtos populares, mas cujo apelo tinha grande penetração no público e, por isso mesmo, até hoje não me saem da memória as músicas que os acompanhavam.&lt;br /&gt;            A que anunciava o creme Rugol era um clássico.  Seus versos diziam "&lt;em&gt;as rosas desabrocham/com a luz do sol/e a beleza das mulheres/com o creme Rugol&lt;/em&gt;".  E a do Run Bacardi, alguém aí lembra?  Para não falar das Pílulas de Vida do Dr. Ross.&lt;br /&gt;            &lt;em&gt;Dura lex, sed lex&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;nos cabelos só Gumex&lt;/em&gt;.  Esse slogan era a chave de apresentação de um preparado, um pó, que misturado à água, transformava-se num gel (não era esse o termo usado na época).   Aplicado aos cabelos masculinos, deixava-os duros como arame e nem um tufão os desmancharia. &lt;br /&gt;            Bons tempos aqueles, do Óleo de Fígado de Bacalhau, que trazia no rótulo a figura de um pescador trazendo nas costas um belo exemplar da família dos gadídeos.  E se lhe doessem as costas, não haveria problema; uma massagem com o Linimento de Solan resolveria.&lt;br /&gt;            Essas propagandas não vingaram na televisão.   Dela, quase nada me lembro nesse campo, mas recordo-me com saudade da série Perdidos no Espaço, das lutas-livres dos sábados à noite, fã que era do terrível &lt;em&gt;Rikidozan&lt;/em&gt; ou de &lt;em&gt;Fantomas&lt;/em&gt;.  E havia o infantil &lt;em&gt;Pim, Pam, Pum&lt;/em&gt;, patrocinada por brinquedos Estrela, muito, muito antes do aparecimento dos brinquedos descartáveis de Taiwan.   Era pura ingenuidade; não havia loirinhas rebolantes e insinuantes e os desenhos não traziam monstrinhos japoneses, tudo isso na tela da antiga TV Record, ainda a anos-luz das atuais igrejas mercenárias.   Justiça seja feita, havia também o Clube do Papai-Noel, na PRF3, TV Tupi, apresentado por Homero Silva e uma garotinha chamada Sonia Maria Dorse, hoje uma provecta advogada.&lt;br /&gt;            Era também a Record (a Globo da época, só que com boas intenções), que trazia Maria Aparecida Baxter, cuja figura sempre me vem à mente quando vejo o logotipo da Casa do Pão de Queijo, contando historinhas que antecediam o seriado &lt;em&gt;Baskhala, o terror do deserto&lt;/em&gt;.   Dela, Record, me lembro também de Cinderela (jamais soube seu nome), que aparecia  vestida de rumbeira anunciando produtos de uma loja que vendia jogos de jantar.  Nunca liguei uma sopeira com as pernas da loirinha.   Mas era tão inocente, tadinha, que faria as Cicarellis de hoje rolarem de rir.&lt;br /&gt;            Eram tempos bons mesmo, e que lembrados hoje trazem saudades para uns enquanto outros me acham um chato de galochas, as quais, diga-se, um dia cheguei a usar.&lt;br /&gt;            E não me conformo até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112536622151420036?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112536622151420036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112536622151420036' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112536622151420036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112536622151420036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/08/no-tempo-das-galochas.html' title='NO TEMPO DAS GALOCHAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112493022550561719</id><published>2005-08-24T17:34:00.000-07:00</published><updated>2005-08-24T17:37:05.510-07:00</updated><title type='text'>LOTERIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Não deu cobra, não deu leão.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Pedacinhos de sonho,&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;espalhados pelo chão.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112493022550561719?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112493022550561719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112493022550561719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112493022550561719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112493022550561719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/08/loteria.html' title='LOTERIA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112415283736345821</id><published>2005-08-15T17:31:00.000-07:00</published><updated>2005-08-15T17:40:37.370-07:00</updated><title type='text'>CAFÉ DA MANHÃ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(releitura do poema de Jacques Prévert,  &lt;em&gt;Déjeuner du matin&lt;/em&gt;, 1º lugar do Prêmio Paul Harris, de Crônicas, no Algarve, Portugal, 2003)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            &lt;span style="font-size:130%;"&gt;S&lt;/span&gt;entado à minha frente, calado,  ele acendeu o cigarro sem mesmo me olhar, numa indiferença atordoante, medida exata de seu desprezo.  Enterrei-me dentro de mim ainda mais, numa fuga dessa realidade.  Era terrivelmente doloroso admitir que nosso relacionamento chegara ao fim, num ritual de flagelação se estendendo além daquilo que alguém pudesse aceitar como razoável, fosse ali à mesa do café, fosse em qualquer outro lugar.&lt;br /&gt;            Loucura!  Parecia inadmissível  haver algo de razoável num fim de caso como o nosso.  A noite anterior fora de uma dilaceração canibalesca fazendo-me, agora, sangrar em silêncio sobre a toalha branca.  Ele desistiu de mim; como mulher, como pessoa, como nada.  Resvalou no  patético eu pensar em continuar algo  definitivamente interrompido, assustada  demais para aceitar a verdade.&lt;br /&gt;            Cabeça baixa e cotovelos sobre a mesa, ele girou lentamente a colherinha na xícara de café quase vazia, como se procurasse ler algum futuro na  borra enegrecida da bebida.   Tenho certeza que, como eu, não viu nada além do líquido escuro, como escura fora nossa vida.&lt;br /&gt;            Displicente, amassou o cigarro no cinzeiro e engoliu o resto da bebida, fazendo-me  imaginar como se a ele tivesse sido dada cicuta.  Sorri para dentro por pensar assim.  Senhor de si e de suas ações, ele não se daria a esse sacrifício.  Senhor de mim também, mesmo não me querendo. Numa inexplicável contradição, manteve-se cabisbaixo, dedo indicador empurrando algumas migalhas de pão de um lado para outro. &lt;br /&gt;              Isso me paralisou.  Agoniada, esperei por seu momento de carrasco, que me encarasse e me destruísse de vez, pondo de lado aquela indiferença de víbora adormecida, sempre pronta para atacar.&lt;br /&gt;              Suspirou fundo; parecia estar carregando um enorme peso sobre os ombros.  Olhou para a janela que mostrava uma manhã de chumbo.  As gotas da chuva escorrendo  pelo vidro, fizeram-me ainda mais infeliz ao procurar por minhas  próprias gotas para colocar sobre a mesa.&lt;br /&gt;Empurrou a xícara para um lado, levantou-se e vestiu o paletó.  Depois de acender outro cigarro, foi até a porta da cozinha  deixando sobre seus passos um fio tênue de fumaça, que aos poucos foi desaparecendo.  Imóvel  por instantes olhou, sempre calado,  as poças no quintal. &lt;br /&gt;               Saiu para a chuva e eu fiquei vendo seu vulto  lentamente desmanchando-se na cortina de água.  Do fundo da memória, tal um aviso tardio, ocorreram-me fragmentos de Prévert, descrição amarga de um amor transformando-se em migalhas: “&lt;em&gt;Et il est parti sous la pluie; sans une parole, sans me regarder.  Et moi,  j’ai pris ma tête dans ma main, et j’ai pleuré&lt;/em&gt;” &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;               Veio uma lágrima, e outra, e outra, de uma mulher mergulhada numa torrente  da qual, em verdade,  jamais tenha saído.&lt;br /&gt;                                                   &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1)  E ele partiu sob a chuva, sem uma palavra, sem me olhar.   E eu, pus as mãos na cabeça, e chorei.                                                    &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112415283736345821?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112415283736345821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112415283736345821' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112415283736345821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112415283736345821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/08/caf-da-manh_15.html' title='CAFÉ DA MANHÃ'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112303062521220150</id><published>2005-08-02T17:54:00.000-07:00</published><updated>2005-08-02T17:57:05.220-07:00</updated><title type='text'>OLHAR DE HELENA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            Foram tempos tristes. Tempos cinzentos, de homens duros e suas almas corrompidas.  A prepotência dominou-os e interesses mesquinhos violentaram a vontade das gentes.   Foram tempos de mistérios, de sangue e de nenhuma explicação.   Ou de explicações que a eles convinham.&lt;br /&gt;            Helena viveu esses tempos.   O azul-mar de seus olhos fazia contraponto àquela escuridão.   Mas trazia, também, um mistério abissal.  &lt;br /&gt;            Quando  ela chegou à cidadezinha,  instalou-se num antigo casarão ao alto da rua de calçamento de pedras pé-de-moleque onde, por horas, debruçava-se à janela numa espera angustiada.   Fossem outros os tempos e alguém diria ser ela a musa de algum poeta lá das Gerais.&lt;br /&gt;            Não era.   A candura de seu olhar  contrastava com a dor que trazia no peito. &lt;br /&gt;            Ela teve, souberam, seu homem arrancado dos braços e levado por figuras sem rosto, sem nome, soturnos como  aqueles tempos. Levado dali, nunca reapareceu.&lt;br /&gt;            Em seu desespero, Helena bateu em portas, percorreu salas escuras e corredores tortuosos.  Questionou, suplicou, sempre em vão.  Aos poucos foi perdendo a luta da procura por idéias desaparecidas nos porões dos homens.&lt;br /&gt;            E Helena postou-se à janela numa longa e vazia espera.  Os dias foram caindo folha a folha, e ela sempre debruçada no peitoril.   Derramava pela rua a tristeza de seu olhar; os longos cabelos faziam-se de cortinas a emoldurar o rosto alvo  e desciam até as bordas dos seios redondos.&lt;br /&gt;            O segredo maior aos poucos revelou-se.   Em seu ventre ficara uma semente que germinou, cresceu e floriu.&lt;br /&gt;            Helena colheu aquela flor,  fechou a janela e partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112303062521220150?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112303062521220150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112303062521220150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112303062521220150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112303062521220150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/08/olhar-de-helena.html' title='OLHAR DE HELENA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112285184675522273</id><published>2005-07-31T16:15:00.000-07:00</published><updated>2005-07-31T16:17:26.756-07:00</updated><title type='text'>DOR DE CABEÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Domingo à noite.  Sem inspiração e dor de cabeça.  Também, pudera!   Quatro a dois para o Santos F.C. sobre o meu Corinthians.   Escrever o quê? Mas eu volto, eu volto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112285184675522273?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112285184675522273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112285184675522273' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112285184675522273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112285184675522273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/07/dor-de-cabea.html' title='DOR DE CABEÇA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112242592059974431</id><published>2005-07-26T17:51:00.000-07:00</published><updated>2005-07-26T17:58:40.603-07:00</updated><title type='text'>PAPA FINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dias 12, 13 e 14  de agosto, Sesc Vila Mariana, São Paulo:  "&lt;strong&gt;Balé Stagium dança Chico Buarque&lt;/strong&gt;".   Imperdível.   Marika Gidali sabe o que faz.   Quem perder vai ter de ajoelhar no milho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112242592059974431?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112242592059974431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112242592059974431' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112242592059974431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112242592059974431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/07/papa-fina.html' title='PAPA FINA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112191041547375944</id><published>2005-07-20T18:43:00.000-07:00</published><updated>2005-07-20T18:46:55.480-07:00</updated><title type='text'>HERMÉTICO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;            Claudinha foi categórica:&lt;br /&gt;            —  Você...  você é um hermético!&lt;br /&gt;            Foram suas últimas palavras antes de me deixar. &lt;br /&gt;            Era uma mulher decidida, de posições firmes e eu sabia que ao me adjetivar dessa maneira estava colocando-me numa categoria da qual dificilmente seria removido  num improvável ato de arrependimento. &lt;br /&gt;            Parado frente ao espelho, com a cara coberta de espuma de barbear como procurando me esconder de mim mesmo queria, nesse momento, ser de fato fechado às suas acusações em não poucas vezes mescladas com impropérios.&lt;br /&gt;            Que diabo!  Eu tinha direito à introspecção e não devia nada a ninguém, nem mesmo a ela, amante que só fazia me cobrar, e cobrar e cobrar.  Queria retalhar meu íntimo em tiras e desfilar com meus sentimentos qual porta-bandeira pretendendo-se rainha da passarela. &lt;br /&gt;            Conhecíamo-nos há seis meses, se tanto.  Depois de uma noite de bebedeira num aniversário, nem lembro direito de quem, resolvemos nos assumir e o clima foi rolando.&lt;br /&gt;            De início, eu não sabia direito quais eram suas expectativas sobre nós mas logo a percebi querendo puxar a agulha de minha bússola para o seu lado, tentativa que entendi como procurando um relacionamento duradouro.   Ora, ver minha vida repartida, minhas meias e as dela na mesma gaveta não estava em meus planos.  Meu único compromisso, a despeito de nosso convívio,  era com aquele sujeito ali à minha frente, cara cheia de sabão e sem explicações a dar ou receber.  Na verdade, eu me sentiria bem se estivesse em qualquer dos lados do espelho.  Só que aquele olhar não era o meu, aquele que eu pensava conhecer.&lt;br /&gt;            Passei a mão pelo rosto retirando uma boa porção de espuma e esfreguei-a nos olhos daquele curioso me encarando.  Parecia acusador.  Parecia meu grilo falante, ainda que de boca fechada.&lt;br /&gt;            A torneira continuava jorrando e meus pensamentos também escorriam para dentro de mim.  Certa vez, depois de um pileque, Claudinha me barbeara na cama.  Em seguida,  encheu-me de espuma de alto a baixo;  fiquei parecendo um boneco de neve.  Fizemos amor em meio a bolhas e derrapadas deliciosas.  Eu estava agora jogando isso fora e pela primeira vez invadiu-me a dúvida:  era isto que eu queria?&lt;br /&gt;            Passei a toalha pelo rosto e em seguida pelo do meu parceiro à minha frente.  Pareceu sorrir como se soubesse o que eu iria decidir.&lt;br /&gt;            A agenda, a agenda...  Não sou bom em guardar números e o telefone de Claudinha estava lá.  C, C, C... Ah, aqui está.&lt;br /&gt;            Tudo bem, Claudinha.  Por enquanto,  você venceu.  Vamos ver o que dá para fazer com o meu hermetismo.  Você  me ajuda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112191041547375944?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112191041547375944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112191041547375944' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112191041547375944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112191041547375944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/07/hermtico.html' title='HERMÉTICO'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112104121402615625</id><published>2005-07-10T17:07:00.000-07:00</published><updated>2005-07-10T17:27:06.113-07:00</updated><title type='text'>OUTRO TIRO NA CULTURA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lutamos para quê? Ainda estão em minha memória os fatos que levaram à criação da Oficina Cultural Raul Seixas, no começo dos anos 90. Capitaneados pelo saudoso Cleber Onias Guimarães, então presidente do Conselho Comunitário do Tatuapé, a comunidade se mobilizou para conseguir a criação da Oficina. Não foi fácil, pois o governo estadual que começava naquela época, criava diversas oficinas, porém colocava de lado o Tatuapé e vasta região circunvizinha.&lt;br /&gt;Muitas reuniões aconteceram, líderes comunitários abraçaram a luta e quase dez mil assinaturas fizeram o governo ver que estava deixando de cobrir uma lacuna na região e a oficina foi criada.&lt;br /&gt;Posteriormente, quando a troca de comando no Palácio dos Bandeirantes, quatro anos depois, levou à medidas assim ditas como corte de despesas, a cultura sofreu novos golpes. Entre eles, o do anunciado fechamento da Oficina Raul Seixas. Mais uma vez a comunidade e a população em geral sairam às ruas, acontecendo até mesmo uma passeata na av. Paulista, em protesto contra tais atos cujo alcance não era apenas regional, mas em todo o estado. De novo, acompanhamos Cleber Onias à porta da sala do Secretário da Cultura e, finalmente, foi conseguido que se fosse mantida a oficina do bairro.&lt;br /&gt;Os tempos mudaram, mas os políticos não. Chega-nos agora a notícia de que a Oficina Cultural Raul Seixas pode ser fechada e mais uma vez, sob a alegação de falta de verbas. São tantos os acontecimentos que depõem contra os poderosos de plantão, que já devíamos estar acostumados.&lt;br /&gt;Mas não é bem assim. Assistimos recentemente à extinção da Orquestra Sinfonia Cultura. Prima pobre da OSESP, não teve a sorte desta para alcançar o destino que merecia, ainda que mais modesto pudesse ser. De pouco adiantaram os movimentos por sua renovação; o pouco oxigênio que ganhou com o apoio do SESC, deu-lhe uma sobrevida que se extinguiu neste meio de ano. A grita geral não demoveu os demolidores da cultura que agora nos presenteiam com mais essa má notícia.&lt;br /&gt;Lutamos para quê, então? Os impostos que pagamos não retornam à população como seria de seu direito. Há, talvez, prioridades na aplicação de recursos. O problema, e agora generalizando para o resto do país, é que o dinheiro existe, mas está escorrendo para caminhos pará lá de estranhos e até sendo escondido (desculpem a grosseria) em cuecas.&lt;br /&gt;Vamos, então, lutar novamente. Não podemos assistir de braços cruzados o desmonte da cultura, como já vem ocorrendo com a saúde, a educação, a segurança pública...&lt;br /&gt;Espero que esta carta não seja a única a clamar contra mais esse absurdo, pois aos poucos estamos sendo apequenados diante da mediocridade que se estabeleceu neste país.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Infrormação:  a Oficina Cultural Raul Seixas está localizada no bairro do Tatuapé,  cidade de São Paulo, bairro aquele vizinho ao do Belenzinho, onde a unidade do SESC ali existente  sediou por mais de cinco anos a Orquestra Sinfonia Cultura). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112104121402615625?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112104121402615625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112104121402615625' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112104121402615625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112104121402615625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/07/outro-tiro-na-cultura.html' title='OUTRO TIRO NA CULTURA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112095963835310141</id><published>2005-07-09T18:38:00.000-07:00</published><updated>2005-07-09T18:40:38.360-07:00</updated><title type='text'>FIM DE NOITE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele jogou o robe sobre uma cadeira, deixou os chinelos em posição de recebê-lo pela manhã e enfiou-se sob as cobertas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela, recostada no travesseiro lia uma revista.  A luz tímida do abajur focava caras de famosos e ilhas inatingíveis.  Com um suspiro jogou as páginas abertas sobre o tapete ao lado, olhou  para o marido que começava a ressonar e apagou a luz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112095963835310141?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112095963835310141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112095963835310141' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112095963835310141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112095963835310141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/07/fim-de-noite.html' title='FIM DE NOITE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112047705661038308</id><published>2005-07-04T04:25:00.000-07:00</published><updated>2005-07-04T05:37:36.270-07:00</updated><title type='text'>A VERDADEIRA FIEL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;(esta é uma crônica datada relatando um fato ocorrido há não muito tempo.  Com a inserção de uma outra no blog &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Os cronistas&lt;/em&gt; (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cronistas.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;www.cronistas.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;), recentemente, e que tem certa relação com esta, resolvi publicá-la, ligando-as entre si).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de futebol e sou corinthiano, o que para os piadistas de plantão é uma contradição. Sou também do tempo em que o time trazia expoentes como Cláudio, Gilmar, Luisinho e Baltazar. Anos e anos depois, surgiram nomes como Sócrates, Casagrande, Wladimir, que também honraram a camisa mosqueteira com vitórias que arrastaram multidões aos estádios.&lt;br /&gt;Não sei dizer se é desses tempos que sua torcida começou a ser chamada de Fiel. Ela tem, realmente, através dos anos mostrado um amor irrestrito às cores alvinegras e, não raro, podemos ver a bandeira mosqueteira flanando em la Bombonera, no Defensores del Chaco, ou em Belém do Pará. O amor pelo Coringão não conhece fronteiras.&lt;br /&gt;Mas conhece desgostos. A campanha atual tem sido abaixo da crítica chegando ao ponto da humilhação de ver o Timão ameaçado pelo rebaixamento à divisão inferior do futebol paulista ou nacional.&lt;br /&gt;Entretanto, não é sobre o time ou sua torcida que quero falar. Num domingão chuvoso, no qual a sorte do glorioso Corinthians, para evitar o rebaixamento às divisões inferiores do campeonato paulista, estava nos pés de seus jogadores, ironicamente estava também nos pés do rival São Paulo F.C.&lt;br /&gt;O Timão estava em situação crítica. Ficara na dependência humilhante de uma vitória do tricolor sobre o Juventus, pois se este vencesse, o rebaixado seria o Mosqueteiro. E aí assisti a um outro drama, pois o Moleque Travesso acabou derrotado.&lt;br /&gt;Nas arquibancadas molhadas do estádio onde haviam acabado de jogar tricolores e grenás, a televisão mostrou uma garota de seus catorze ou quinze anos. Em seu rosto, a expressão da mais pura desolação. Sentada nos degraus de cimento e vestindo uma camiseta juventina encolhia-se comprimindo os joelhos contra o peito. Parecia esperar por um terceiro tempo que jamais viria.&lt;br /&gt;No rosto emoldurado por cabelos escorridos pela água que caía sem parar, desceu uma lágrima que ela tentou enxugar com o dedo indicador dobrado.&lt;br /&gt;Nesse jogo, mesmo com o seu Juventus rebaixado para a segunda divisão, entre os pouquíssimos torcedores do time da Mooca ela simbolizava a verdadeira fidelidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112047705661038308?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112047705661038308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112047705661038308' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112047705661038308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112047705661038308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/07/verdadeira-fiel.html' title='A VERDADEIRA FIEL'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-112006290950904723</id><published>2005-06-29T09:31:00.000-07:00</published><updated>2005-06-29T09:35:09.516-07:00</updated><title type='text'>Eu no Blog</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir de agora e sempre às segundas-feiras, estarei escrevendo no blog &lt;em&gt;Os cronistas&lt;/em&gt; (&lt;a href="http://www.cronistas.blogspot.com"&gt;www.cronistas.blogspot.com&lt;/a&gt;).  Espero por vocês lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em tempo e com a maior vergonha:  quando aprender a acrescentar links, atualizarei o &lt;em&gt;Caminhos...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-112006290950904723?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/112006290950904723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=112006290950904723' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112006290950904723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/112006290950904723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/06/eu-no-blog.html' title='Eu no Blog'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111989493742747064</id><published>2005-06-27T10:39:00.000-07:00</published><updated>2005-06-27T10:55:37.883-07:00</updated><title type='text'>COM OS OLHOS DOS OUTROS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pois é.   A vida nos obriga a fazer coisas que anos antes, ou &lt;em&gt;muitos &lt;/em&gt;anos, se preferirem, a gente nem imaginava que viria a fazer.   Dias atrás, tive de me submeter a um implante  de lente ocular, na substituição de um cristalino gasto com o tempo, eis que minha visão de águia já não estava voando tão alto assim.   Tal fato, é claro, daria uma crônica mas, para surpresa minha, um dia depois da intervenção deparo na revista VejaSP (a nossa Vejinha), a crônica abaixo escrita pelo excelente Ivan Ângelo.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem pedir licença nem mais nada, resolvi fazer de suas palavras, as minhas.   E de seu olhar, o meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;BONS OLHOS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ivan Angelo&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De um dia para o outro percebo a cidade mais clara. O ar mais limpo, os prédios mais brancos, a luz mais intensa, as cores mais vivas, o verde das árvores mais luminoso. Como se a paisagem tivesse sido lavada. Mudou como um automóvel que vemos entrar e sair do lava-a-jato. Da minha janela, voltada para o oeste, distingo morros ao longe, em seqüência, bem para lá do Pico do Jaraguá, para os lados de Jundiaí.&lt;br /&gt;Explico: fiz uma cirurgia de catarata, substituí o cristalino avariado dos olhos por lentes implantadas e constato que uma parte da poluição da cidade, daquela névoa de tom sépia que dava à paisagem da minha janela uma aparência de foto antiga, era dos meus próprios olhos. A fuligem era minha.&lt;br /&gt;A língua portuguesa tem uma expressão que agora ficou mais rica para mim: "ver com bons olhos". Significa concordar, apoiar, receber bem uma coisa, um fato. Vejo com bons olhos a saída do ministro Fulano. Vejo com bons olhos o namoro de vocês. Bons olhos são pró, a favor. A expressão não indica apenas a simpatia do olhar, ou olhar com aprovação, boa vontade. Indica também que aquilo que se vê com bons olhos se revela, mostra o que tem de bom. Há aí embutida uma alusão à qualidade do olhar, ao enxergar melhor. Com bons olhos, o mundo melhora.&lt;br /&gt;"Bons olhos o vejam!" – se diz (ou se dizia, pois a língua vai perdendo poeira pelo caminho, como os cometas) a uma pessoa querida que não se vê há algum tempo. Quando dizemos que alguém "tem um bom olho" significa que é perspicaz, sabe das coisas, enxerga longe, tem talento para negócios, visão. Quem tem "olho clínico" acerta o ponto, enxerga exatamente o que é relevante.&lt;br /&gt;E o outro lado? "Ele não me vê com bons olhos" é o mesmo que "não gosta de mim". O pessimista e o mal-humorado vêem com maus olhos. É verdade que os olhos quando melhoram enxergam pequenos defeitos que antes não eram percebidos. Ah, se são mesmo pequenos os defeitos, que bons olhos os vejam.&lt;br /&gt;Em conversa com o oftalmologista, viajamos eu e ele para um futuro sem óculos. Ai de mim, na última vez que toquei no assunto óculos, há cinco anos, ousei dizer que eram jurássicos e recebi uma saraivada de mensagens ofendidas do mercado óptico. Que havia nessa área uma lentidão tecnológica, eu dizia, o avanço não fora grande coisa nos 750 anos da invenção. Vários problemas. Os de acrílico são facilmente riscados, os de cristal partem-se quando caem, a visão com o rabo do olho é sempre ruim, as hastes e o apoio desajustam-se com o uso, as lentes ficam embaçadas com o suor e também quando se desliga o ar-condicionado do carro, namorar é complicado pois antes de você tirar os óculos a maquiagem da parceira ou a pele do parceiro já embaçaram as lentes, crianças adoram pegá-los, arreganhá-los, babá-los, lambê-los, chuva vira um transtorno maior para quem não pode andar sem eles, a gente vive procurando-os em casa ou no escritório ("Alguém viu onde eu deixei meus óculos?") ou eles se perdem definitivamente.&lt;br /&gt;Eu e o doutor falávamos de um mundo que se avizinha, o das lentes implantadas, ou intra-oculares, LIOs, como eles chamam. E tínhamos a certeza de que assim que se tornassem inúteis os óculos virariam enfeite, um adereço da moda, um luxo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111989493742747064?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111989493742747064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111989493742747064' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111989493742747064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111989493742747064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/06/com-os-olhos-dos-outros.html' title='COM OS OLHOS DOS OUTROS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111931394322915776</id><published>2005-06-20T17:27:00.000-07:00</published><updated>2005-06-20T17:35:06.490-07:00</updated><title type='text'>LUVAS VERMELHAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltando para casa, dia desses, ouvi no rádio do carro uma música de Nat King Cole. Imediatamente me veio à memória um filme de Taiwan que assisti tempos atrás e chamado &lt;em&gt;Amor à flor da pele&lt;/em&gt;. Era a história de um executivo chinês que descobre estar sendo traído pela mulher. Na procura por explicações ele acaba por se aproximar da mulher do outro, tema delicado e se nas mãos de um diretor inábil o levaria a resvalar para o dramalhão ou simplesmente para o erótico-pornô.&lt;br /&gt;A aproximação entre os dois personagens é feita de uma forma que, em vários momentos, não sugere outras intenções senão a de cada um estar a procura de si mesmo. Não há apelos eróticos baratos, nem mesmo quando a personagem traja com toda naturalidade um longo e insinuante vestido chinês com um corte lateral sugerindo um palmo de coxa. Exótico, talvez, para nós ocidentais. No entanto, não há lugar para a vulgaridade nem mesmo quando, em outra cena, a personagem aparece com um inesperado par de longas luvas vermelhas. Como num quebra-cabeça, cada situação encontra o lugar exato para se encaixar.&lt;br /&gt;As surpresas desfilam desde a abertura quando rolam os créditos do filme ao som de &lt;em&gt;Aquelles ojos verdes&lt;/em&gt;, surpresas essas que acompanham as canções do velho Nat como pano de fundo em cenas entre os dois personagens, onde sempre há o mínimo de palavras. Gestos e olhares dizem tudo e eu estou longe de querer ironizar dizendo que essas canções caem como uma luva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111931394322915776?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111931394322915776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111931394322915776' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111931394322915776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111931394322915776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/06/luvas-vermelhas.html' title='LUVAS VERMELHAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111884523872793020</id><published>2005-06-15T07:18:00.000-07:00</published><updated>2005-06-15T07:20:38.730-07:00</updated><title type='text'>AVENIDA DANÇAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;         &lt;br /&gt;            Eu ainda estava praticamente saindo das calças curtas para arriscar uns passos na ansiada adolescência e, por serem outros os tempos, podia andar pela capital paulista sem maiores sustos e descobrir seus inúmeros segredos.&lt;br /&gt;            Ao passar pela avenida Ipiranga, que ainda não abrigava novos baianos, ficava fascinado com os letreiros e cartazes do Avenida Danças, nas imediações dos saudosos Parreirinha e Expresso Luxo.  Este com suas enormes limusines que faziam os sessenta quilômetros entre  São Paulo e Santos em rapidíssimas  duas horas.&lt;br /&gt;            Mas era na casa de danças que se concentrava minha atenção.   Em meio a cartazes anunciando o jovem e promissor crooner,  Agostinho dos Santos, e a animada orquestra de Osmar Milani, eu só me detinha diante dos que apresentavam as chamadas taxi-girls, moças de boa conduta que dançavam profissionalmente naquele lugar.&lt;br /&gt;            Nunca pus os pés lá dentro, é verdade.  Não tinha idade, não tinha dinheiro e nunca tive coragem de encarar as moçoilas que, segundo diziam, picotavam cartões a cada dança concedida.&lt;br /&gt;            Os anos se passaram, Caetano cantou e se desencantou com a Ipiranga, as meninas dos cartões deram lugar a outras que dispensavam a burocracia para ganhar a vida.  Nos anos modernos,  são os personal dancers que comandam os passos pelos salões.&lt;br /&gt;            Hoje as mulheres são maioria, mas quem sabe naqueles também poderiam ser; caso não tivessem que ficar trancadas em casa enquanto os maus pais de boas famílias caiam na boemia e nos braços das profissionais de dança.   Agora tudo é diferente: elas deixaram o lar e o cestinho de costura e também querem se divertir.&lt;br /&gt;            Nos atuais salões de baile, falando daqueles onde ainda se dança de  rosto colado, além de maioria,  boa parte delas chega desacompanhada.   Seja porque o marido não quis ir, seja porque não têm companheiro, o fato é que elas chegam e esperam.&lt;br /&gt;            Esperam porque os machos estão em retração. Aguardam para serem tiradas para dançar, o que significa uma verdadeira loteria no salão.   Com olho clínico, os organizadores desses eventos passaram a contratar cavalheiros —   também não sei dizer se insuspeitos ou não —   para tirar  as damas em eterna espera.&lt;br /&gt;            Chamá-los de taxi-boys soaria estranho e o nome de personal dancer, ainda que incorreto,  é mais moderno.   Não há necessidade de se picotar cartões e todos ficam satisfeitos.   Não interessa  às damas o nome ou a denominação dada aos dançarinos.  Também não importa a ponta do torturante band-aid em seus calcanhares.   O que vale mesmo são  dois pra lá, dois pra cá.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111884523872793020?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111884523872793020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111884523872793020' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111884523872793020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111884523872793020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/06/avenida-danas_15.html' title='AVENIDA DANÇAS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111862489412997804</id><published>2005-06-12T18:04:00.000-07:00</published><updated>2005-06-12T18:08:14.133-07:00</updated><title type='text'>OBRIGADO A SER FELIZ</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;                        Chico Buarque é um gênio.   Chega a ser redundante dizer isso diante da poesia transmitida pelas letras de suas músicas levando-nos a viagens diferenciadas.   Digo diferenciadas porque ele transita com a mesma desenvoltura por múltiplas emoções, seja na ingenuidade da banda passando —  e num paradoxo mostrando o lado insuspeito do conformismo de um povo, seja pela revolta desta vida severina ou ainda pela denúncia dos guris esmolando nos semáforos, entre um roubo e outro.&lt;br /&gt;                        Os vários retratos que ele pinta do Brasil têm lugar nas salas do povo ou das academias, mas nem em um e nem outro ambiente conseguimos ficar isentos do que ele transmite.   Somos atingidos por essas ondas, não poucas vezes trazendo um dedo acusador.   Felizmente, há também aquelas ocasiões em que somos tocados no mais profundo de nosso ser e nos deleitamos com amores, mesmo que com dores, pois sua sensibilidade traz ao mesmo tempo, o lenitivo necessário para curá-las.&lt;br /&gt;                        Contudo, a realidade que está aí na porta de nossas casas mostra o áspero cotidiano onde sempre há alguém morrendo na contramão só para atrapalhar o sábado.   E o que dizer dos meninos azuis do brejo da cruz insistindo em viver e tentando crescer neste sanatório geral?  Pior, talvez, é sermos alienados diante das vitrines das galerias.  &lt;br /&gt;                        Daí que, é essa uma realidade que não consegue saltar para dentro dos palácios.  De seus corredores saem projetos que não se integram às necessidades do povo e de onde vazam denúncias anestesiadas a peso de um ouro que compra o que resta de honra e por onde nascem notícias que determinam o que e como devemos ser.   Li em algum lugar, com palavras que não exatamente estas, estar o governo pretendendo lançar um pacote de otimismo para que o brasileiro volte a recuperar sua auto-estima.&lt;br /&gt;                        Concluo, então, que sábios mesmo eram João e Maria.   Ele, porque investiu-se de rei, bedel e também juiz,  obrigando tudo mundo a ser feliz.&lt;br /&gt;                        Ela, mais esperta, porque sumiu no mundo sem nada avisar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                       &lt;br /&gt;                                               &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111862489412997804?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111862489412997804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111862489412997804' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111862489412997804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111862489412997804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/06/obrigado-ser-feliz.html' title='OBRIGADO A SER FELIZ'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111780665415783269</id><published>2005-06-03T06:46:00.000-07:00</published><updated>2005-06-03T06:50:54.160-07:00</updated><title type='text'>DIA DE MARMELADA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;            É curioso como algumas expressões não se perdem com o tempo.   Elas vêm e vão, muitas têm origem desconhecida e algumas se perpetuam no imaginário popular.&lt;br /&gt;            Todo aquele que pelo menos uma vez na vida foi a um circo, já ouviu o bordão “hoje tem marmelada?”.   Bastava a figura do palhaço adentrar o picadeiro e entendia-se porque aquele era o dia de marmelada, dia de palhaçada e, consta, dia de ele roubar mulher.&lt;br /&gt;            Eu jamais soube, efetivamente, se algum desses cômicos figurantes sumiu mesmo com a mulher do atirador de facas, do domador ou mesmo de outro palhaço, o que aí já seria uma desunião da classe.&lt;br /&gt;            A figura do palhaço sempre povoou a mente de crianças, não importando se foi nos bons tempos do circo de arrebalde ou nos de agora, quando o picadeiro está globalizado, afinal criança é criança em qualquer época e elas sempre riram de seu humor ingênuo, tapas de mentirinha e baldes de água derramada sobre esses nobres comediantes.&lt;br /&gt;            Ele sempre esteve a rir.   O sorriso nos lábios prolongado com pintura, muitas vezes escondia uma dor, mas dor de palhaço sempre foi coisa exclusiva dele e de ninguém mais.   Ao adentrar seu reino, tinha a missão de provocar o riso e este vinha alto e em bom tom das platéias, o que lhe tornava eventuais dores mais fáceis de suportar.&lt;br /&gt;            Arrelia foi um desses entes que flutuam entre o real e o imaginário.   Seu boné, a grossa bengala e as estripulias com o parceiro Pimentinha marcaram minha infância quando a TV trazia para dentro de nossas casas o cirquinho domingueiro, bem sabor pipoca.  Agora esse palhaço está partindo para uma nova apresentação, numa outra dimensão onde com certeza fará anjinhos e querubins rirem como toda criança gosta de rir. &lt;br /&gt;            O circo ainda sobrevive.  A duras penas, em um ou outro lugar das periferias do Brasil, ainda podem ser vistas as lonas remendadas demarcando uma área onde a alegria impera.  O mágico e a trapezista, o engolidor de espadas e a passista ainda persistem.   O palhaço coroa-lhes a apresentação e seu humor contagia crianças que, sem hesitar, trocariam uma partida de vídeo game por uma tarde na arquibancada de madeira, comendo pipoca, olhando meio tímidas para a bela equilibrista e tendo a sensação de que o dia promete muita marmelada.   Coisa que nós, adultos, infelizmente entendemos com outra conotação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111780665415783269?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111780665415783269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111780665415783269' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111780665415783269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111780665415783269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/06/dia-de-marmelada.html' title='DIA DE MARMELADA'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111738304139865162</id><published>2005-05-29T08:51:00.000-07:00</published><updated>2005-05-29T09:10:41.413-07:00</updated><title type='text'>A DAMA DE VERDE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;                    &lt;br /&gt;        Depois de colocar três pedras de gelo no copo, fiz menção de preparar um outro.  Quieta em seu canto escuro, ela acenou recusando a bebida.  Preferia ficar sentada ali, calada, pernas cruzadas e pensativa, fumando seu cigarro cuja brasa ganhava vida a cada tragada.&lt;br /&gt;       Derramei o uísque que se acomodou tranqüilo entre os cubos e depois fui até a escrivaninha.   Colocado sobre o móvel, o copo deixou as gotas que escorriam pela parede de vidro formarem uma pequena poça sobre o verniz.   Fiquei a olhar para a máquina de escrever, vazia, pensando no que fazer.   Ao lado da velha Ollivetti, havia algumas folhas em branco, de onde extraí uma e coloquei atrás do rolo da máquina.&lt;br /&gt;        Girei-o e o papel apresentou-se a mim, virgem esperando pelo defloramento, mas sem me excitar.   Faltava aquele tesão quando os dedos, no momento certo, se transformam nos portadores do desejo.&lt;br /&gt;        Ela pigarreou.   Percebi que me olhava ao mesmo tempo que acendia outro cigarro.   Balancei a cabeça negativamente, em nada incomodando-a.&lt;br /&gt;        Inquieta, mexeu-se na poltrona, mas não se levantou.   Na esteira de uma baforada vieram algumas palavras:&lt;br /&gt;        —   Vai tentar de novo?&lt;br /&gt;        Não respondi.   Iria tentar mais uma vez, sim.   Iria escalar o rochedo de Acapulco e me jogar lá de cima.   Iria bater com força na água, emergir e perguntar:  “— Pra quê?”&lt;br /&gt;        A coragem irresponsável é a pior delas.   Salta-se sobre o teclado, cai-se sobre ele e os respingos são folhas e folhas amassadas jogadas no cesto de papeis.&lt;br /&gt;        Depois de apagar o cigarro no cinzeiro de coluna e mudando de idéia quanto à bebida, ela levantou-se e foi preparar seu próprio uísque.   O tilintar do gelo no copo não foi suficiente, contudo, para tirar-me da apatia.&lt;br /&gt;        Sentada novamente na penumbra, ela passava a imagem de um espírito a me vigiar,  sempre cobrando:&lt;br /&gt;        —   Vai tentar de novo? — insistiu.&lt;br /&gt;        Suspirei, com o acompanhamento de um gole:&lt;br /&gt;        —   Como a invejo...   Outro gole maior e completei:  —  Isso também acontece com você?&lt;br /&gt;        —  Ah, sim.   Uma, dez, mil vezes.   Já perdi o número de vezes em que fiquei como você está agora.  Olhava o teclado e as letras pareciam desordenadas, sem significado.   Acontece.&lt;br /&gt;        —  Mas você sempre achava o caminho.  Seus livros estão aí para atestar isso.&lt;br /&gt;        Ela riu gostoso:&lt;br /&gt;        —  Você é um tolo.   Penei para que meus livros enchessem as estantes.  Procurei soluções onde não havia soluções; tive de criá-las.  Procurei temas onde eles já estavam desgastados; foi preciso recriá-los.   E se fosse medir meu trabalho a partir do consumo de uísque, riu, provavelmente  teria morrido de cirrose antes.&lt;br /&gt;        Girei a cadeira e procurei localizar seus olhos na penumbra.   Ela os escondia muito bem; talvez não gostasse de ser confrontada.&lt;br /&gt;        —   Você é tão conflituosa quanto seus personagens.&lt;br /&gt;        —   Isso eu sou mesmo.   Nós brigamos o tempo todo.  Gosto de explorar suas fraquezas; não lhes abro o caminho da redenção assim tão facilmente.  Eles é que precisam achar força para se encontrar.  &lt;br /&gt;        —   E acabam mostrando-lhe o caminho.&lt;br /&gt;        —   Exatamente, meu caro.   Eles trabalham para mim, não o contrário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;        E era uma verdade.   O personagem tem sempre que sair na frente do autor e abrir caminhos não explorados.  Contudo, devem estar sempre ao alcance da vista, ou o autor é que correria sem rumo.  Ela parecia saber o distanciamento certo, nem mais nem menos, sempre pronta a explorar o que eles lhes mostrassem.&lt;br /&gt;        Levantando-se, foi até a janela espiar o sol poente.   Saída das sombras, seu vestido verde parecia criar vida.   Brilhava e a fazia brilhar.&lt;br /&gt;        —   O verde lhe cai bem,  — disse-lhe  num cumprimento.&lt;br /&gt;        —   Gostei de trabalhar com essa cor, — respondeu bebericando o scotch.&lt;br /&gt;        —   O conflito do verde, eu me lembro,  resultou numa solução belíssima.   A alegria da vida sobrepondo-se  ao compromisso com a morte.   &lt;em&gt;Comme il faut&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;        Ela não disse nada.  Não precisava.  Ambos sabíamos que, mesmo naquela solução aparentemente feliz, encerrava-se um mundo de incompatibilidades.  A sina de seus personagens era, e sempre foi, essa.&lt;br /&gt;          Por algum tempo, ficou olhando para o grande círculo vermelho descendo para lá do fim do mundo.  Suas palavras seguintes foram de ordem menos filosóficas:&lt;br /&gt;        —  Já pensou em usar um computador?&lt;br /&gt;        Ri, numa resposta lacônica e ao mesmo tempo idiota:&lt;br /&gt;        —   Com textos já preparados eletronicamente...&lt;br /&gt;        —   Por questões práticas, mesmo.   Veja só:  até o papa se utilizou da Internet  para pedir perdão para as cagadas que a Igreja fez.&lt;br /&gt;        Desta vez, ri livre:&lt;br /&gt;        —   Você tem classe para falar palavrões.   Aliás, ninguém fala &lt;em&gt;merde&lt;/em&gt;  melhor do que você.&lt;br /&gt;        —  Sou uma puta erudita, já esqueceu? —   E riu, completando:  —  Ah, “seu” Durval...  se você visse no que deu a sua filha...&lt;br /&gt;        Fiquei calado, sorrindo, balançando a cabeça mostrando um não contraditório, pois me agradava sua forma de botar os sentimentos para fora. Voltei a encarar a velha máquina:&lt;br /&gt;        —  Não sei como entrar nos conflitos alheios se não consigo resolver os meus.&lt;br /&gt;        Ela se tornou séria:&lt;br /&gt;        —  É mesmo?   E quem te disse que você precisa se livrar dos seus conflitos para encontrar os dos outros?   Nunca te passou pela cabeça que o que você chama de seu conflito pode ser o mesmo de seus personagens? Ainda que vocês devam crescer separados, estão, ao mesmo tempo, juntos, entende?  — Parou de falar para uma bebericada, mas voltou com toda a carga:&lt;br /&gt;        —  Juntem as cabeças.   Façam um brain storming. Fujam do melodramático.   Critiquem e critiquem-se. Uns ajudando aos outros.  E você, com certeza, acabará achando o caminho para depuração de seus textos.&lt;br /&gt;        —   Mas eu penso por eles.&lt;br /&gt;        De repente, a percebi nervosa.   Sabia que, quando necessário, impunha-se.   Mas não era uma imposição de cima para baixo; era na horizontal, olho no olho.   Tinha uma espada nas mãos, mas permitia que seu oponente também portasse outra.  &lt;br /&gt;        —  Não me faça ouvir isso de novo.   Você pensa &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; eles.&lt;br /&gt;        Verdade das verdades, admiti.   De uma certa maneira, estava unido a eles.   Se houvesse harmonia —    fosse o caso e ela apareceria  sem remorsos de minha parte    —     não poderia soar falsa, mas haveria uma seta indicando o caminho de um conflito inerente a todos nós,  autor e personagens.  Contraditório ou não, há a possibilidade da harmonia conflituosa.&lt;br /&gt;          Se houvesse harmonia,  não seria minha morte.   Para ela, talvez.  Sempre fora uma rebelde com muitas causas, alimentando-se das incompatibilidades que criava.  Mas seria o epílogo não desejado para seus dramas.  Não haveria espaço para a paz eterna, mesmo para alguém fadado à eternidade.&lt;br /&gt;        Meus dedos bateram algumas letras num começo de qualquer coisa.   Logo parei e fiquei com os cotovelos apoiados na escrivaninha, segurando o queixo.&lt;br /&gt;        A presença verde e onírica dela se espargia pela sala.  Um espírito que sintetizava todas as cores numa só flutuava pelo ambiente, passando por cima de tensões, mas comungando com elas.   Revirando desamores, mas neles procurando energia. &lt;br /&gt;        Deixei o papel esperando.  Uma olhadela cúmplice para ele e depois fui até a janela olhar o pôr-do-sol.     &lt;br /&gt;                                                             - - - - - - - - - - - -&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;conto premiado pela Academia de Letras de Maringá - 2002 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fundação Biblioteca Nacional   - Escrit. de  Direitos Autorais nº 288.438&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;permitida reprodução desde que mencionada a fonte&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111738304139865162?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111738304139865162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111738304139865162' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111738304139865162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111738304139865162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/05/dama-de-verde.html' title='A DAMA DE VERDE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111712844473461526</id><published>2005-05-26T10:22:00.000-07:00</published><updated>2005-05-26T10:27:24.736-07:00</updated><title type='text'>LIVROS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"LIVROS NÃO MUDAM O MUNDO,  QUEM MUDA O MUNDO SÃO AS PESSOAS.  OS LIVROS SÓ MUDAM AS PESSOAS".   &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;MÁRIO QUINTANA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111712844473461526?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111712844473461526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111712844473461526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111712844473461526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111712844473461526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/05/livros.html' title='LIVROS'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111663783520120755</id><published>2005-05-20T18:06:00.000-07:00</published><updated>2005-05-20T18:10:35.206-07:00</updated><title type='text'>FRAJOLA E PIU-PIU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;                Ainda que a voz do povo afirme que gosto não se discute, tenho direito aos meus mesmo que possam ser discutíveis.   Se compreendidos, melhor.&lt;br /&gt;            Diriam que não é normal ler o jornal do fim para o começo.  Mas eu gosto de fazer isso, pois ao que me consta não estou alterando a ordem dos acontecimentos.  &lt;br /&gt;            Gosto de bolacha maizena molhada no leite.   Frio, de preferência.&lt;br /&gt;            Gosto de ouvir as tiradas de humor do Salomão Schwartzman, no seu Diário da Manhã, ainda que o meu humor é que nem sempre seja lá essas coisas logo cedo.&lt;br /&gt;            Ao contrário dos normais, gosto de comer a fruta depois do café matinal.  &lt;br /&gt;            Ao acordar, gostava de abrir a porta da cozinha e ser festejado pela Bruna abanando o rabo de bom-dia.   Gosto de lembrar que em seus treze anos de vida nunca descurou desse compromisso.&lt;br /&gt;            Encarar o fogão também me dá prazer.   Faço um cação  com legumes abafados no vapor, que já foi elogiado por várias pessoas.   Mas nunca me considerei um chef. &lt;br /&gt;            E quem vai ao fogão, vai também à feira-livre.   Gosto mesmo é de encerrá-la na barraca dos imperdíveis pastéis de Dona Mieko. &lt;br /&gt;            A tarde eu reservo para escrever alguma coisa pelo computador.  Logo eu, que até há pouco tempo atacava de cronista  na minha Olivetti portátil, inseparável companheira de guerra.   Mas gosto das inovações.&lt;br /&gt;            Da escrita, vou para um passeio virtual.   Ainda me dá um prazer imenso receber cartas de papel.  No entanto, aos poucos vou entrando no século 21 e já estou até gostando de receber e-mails.    Dirão vocês, &lt;em&gt;pôxa, que cara atrasado; desde quando internet é novidade?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;                Curto assistir a desenhos do Piu-Piu e Frajola.   Já gostei dos do Pica-pau, mas com a dublagem ficaram chatos.   A voz esganiçada de Grace Sttaford era o seu charme.&lt;br /&gt;            Gosto de finalizar a tarde esparramado  no sofá e ouvindo Schubert ou Mahler.   De olhos fechados e com um copo de leite na mão.   E sem bolachas para não sujar o tapete. Se não for esse CD, pode ser outro,  de Mônica Salmaso e sua voz ligeiramente rouca e de uma musicalidade incrível (já a ouviram cantando &lt;em&gt;Menina do amanhã de manhã&lt;/em&gt;?).  Mas  também pode ser Elis e  &lt;em&gt;Atrás da porta&lt;/em&gt;.   Pura fascinação.&lt;br /&gt;            Gosto de brincar com os netos, mesmo sabendo que meu fôlego acaba bem antes que o deles.  &lt;br /&gt;            Gosto de ver a luz do sol passando através do vidro canelado da janela da cozinha,  repartido em tiras e iluminando o mármore molhado.&lt;br /&gt;                Gosto de receber a companheira quando chega em casa, cansada no seu ofício de ensinar, e dizer-lhe que amanhã será um outro dia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                             &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111663783520120755?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111663783520120755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111663783520120755' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111663783520120755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111663783520120755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/05/frajola-e-piu-piu.html' title='FRAJOLA E PIU-PIU'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111608533269177329</id><published>2005-05-14T08:37:00.000-07:00</published><updated>2005-05-14T08:42:12.696-07:00</updated><title type='text'>FIM DE NOITE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele jogou o robe sobre uma cadeira, deixou os chinelos em posição de recebê-lo pela manhã e enfiou-se sob as cobertas.  Ela, recostada no travesseiro lia uma revista.  A luz tímida do abajur focava caras de famosos e ilhas inatingíveis.  Com um suspiro jogou as páginas abertas sobre o tapete ao lado, olhou  para o marido que começava a ressonar e apagou a luz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111608533269177329?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111608533269177329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111608533269177329' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111608533269177329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111608533269177329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/05/fim-de-noite.html' title='FIM DE NOITE'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11655140.post-111567104176480200</id><published>2005-05-09T13:28:00.000-07:00</published><updated>2005-05-09T13:37:21.776-07:00</updated><title type='text'>ECONOMIA PARA PRINCIPIANTES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            Minha entrada no mundo da economia deu-se de forma pitoresca e insuspeita, considerando-se que na época eu era um pirralho de seus nove, dez anos.   Um tio meu presenteou-me com um cofrinho para que eu poupasse as minguadas moedas que ganhava de vez em quando.&lt;br /&gt;            Muitos daqueles de minha idade nem lembrarão do que era o Banco do Canguru-Mirim, mas essa foi a ferramenta que ganhei para aprender a conhecer o misterioso universo das finanças.   Consistia num aparato do qual constava um canguruzinho de matéria-plástica, segurando uma bandeja.   Quando se colocava uma moeda nessa bandeja, o bichinho se inclinava e a despejava num cofrinho, cuja abertura coincidia exatamente onde o níquel deveria cair.  Era, convenhamos, uma forma divertida de poupar, embora eu nem lembre mais que fim levou o pecúlio ali acumulado.&lt;br /&gt;            Poucos anos depois, já freqüentando o ginásio, foi minha mãe que meu deu mais um incentivo.   Toda segunda-feira entregava-me uma nota de cinco cruzeiros para que eu comprasse o lanchinho de mortadela da hora do recreio.   Junto, a recomendação: se gastasse todo o dinheiro antes da sexta-feira, ficava sem aquele delicioso acepipe.   Renegando sorvetes e doces, conseguia chegar ao fim da semana com uns trocados que, com um reforço da amorosa genitora, garantia a matineé dos domingos no saudoso cine Imperial.&lt;br /&gt;            Durante toda a vida criei e detonei várias cadernetas de poupança, pois meus conceitos de economia sempre diferiram daqueles aplicados pelos profissionais do ramo, que conseguem fazer o balanço de uma estatal saltar do vermelho para o azul num estalar de dedos.&lt;br /&gt;            Com uma freqüência que deveria ser bem menor, às vezes vejo nos jornais que nossos políticos se mobilizam para (desprezando esse detalhezinho técnico chamado índice de inflação)  reajustarem seus justos proventos.  Não que eles não mereçam; longe de mim pensar tal maldade.  Apenas penso que muitos desses senhores, alguns até mais provectos do que eu, jamais, quando meninos, sentiram o prazer de criarem suas poupanças colocando uma moedinha na bandeja do canguru-mirim.&lt;br /&gt;            Sanduíche de mortadela na escola, então, nem pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11655140-111567104176480200?l=caminhosdepapel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/feeds/111567104176480200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11655140&amp;postID=111567104176480200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111567104176480200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11655140/posts/default/111567104176480200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caminhosdepapel.blogspot.com/2005/05/economia-para-principiantes.html' title='ECONOMIA PARA PRINCIPIANTES'/><author><name>Carlos Bruni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17187633142454483643</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_4-7pZqHrCmg/S2YH_qCC4OI/AAAAAAAAACY/yvKzncX6-wY/S220/Canyon+do+Xing%C3%B3.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
