CAMINHOS DE PAPEL

terça-feira, janeiro 02, 2007

NÃO FALTAVA MAIS NADA. OU AINDA VEM MAIS POR AÍ?

JOGO DA FRONTEIRA

Quando nasceram meus filhos, isso lá pelo começo da década de 70, prometi a mim mesmo que tudo faria para deixar-lhes uma herança de elevado valor moral e que resultasse na formação de seu caráter. Hoje, posso dizer que me orgulho de ter conseguido isso e, principalmente, ver que eles repassam a seus filhos tais valores.
Mas, sabemos, o mundo não é cor-de-rosa e, neste nosso país, tais conceitos de integridade parecem desmoronar mais e mais a cada dia que passa.
Ao ouvir na Rádio Jovem Pan AM, hoje, no Jornal da Manhã, comentários do jornalista e advogado Joseval Peixoto sobre o "Jogo da fronteira", brinquedo das Indústrias Estrela, fiquei, num primeiro momento, estarrecido. O brinquedo nada mais é do que uma disputa entre jogadores, os quais devem, através de subornos, trapaças e outros engodos, fazer entrar no país produtos ilegais. Ganha quem conseguir burlar a fiscalização e trazer a mercadoria aqui para dentro da nossa pátria mãe gentil.
Lentamente, contudo, fui entendendo que não chega a ser uma aberração diante dos parâmetros de comportamento que temos observado nos dias de hoje. Contrabandear, subornar, levar vantagem, parece ter se tornado norma de conduta neste país.
Eu ainda me lembro do programa "Pim-Pam-Pum Estrela", dos primórdios da televisão brasileira. Ironizando, hoje se chamaria "Pum-Pum-Pum Estrela", mais adequado ao estado de coisas que acontece neste Brasil.
O que receberemos agora? Algum brinquedo chamado "Congressso Nacional"? Neste caso, as regras seriam simples: ver quem tem mais poder, quem pode barganhar cargos ou negociar propostas, ou então, desviar verbas, criar CPIs. A meta do jogo seria obter a absolvição e dar uma banana para o povo.
Poderiam criar, também, outros jogos, tais como "Crie sua ONG Fajuta", "Faça contabilidade paralela e engane o fisco", "Brinque de presidiário (em cadeia de segurança máxima) e comande quadrilhas" (que poderia se chamar, também, de "Gestão de Negócios a partir das celas do RDD).
Sinceramente, apesar das promessas que fiz naqueles longínquos anos, e mesmo com os resultados que obtive, sinto-me frustrado. Ganhei uma batalha, mas fica o indisfarçável sentimento de que perdi a guerra.

5 Comentários:

  • Às 6:24 PM , Anonymous Mônica Montone disse...

    Tô chocada!!!! Como assiiiiiiiiiiiiiim??????????????

    Onde estão os orgãos e agências que fiscalizam o que chega nas mãos [e mentes] das nossas crianças?

    Aff.... Seja como for, Carlos, querido, bom fim de semana e bom começo de ano

    beijos, saudosos

    MM

     
  • Às 7:28 PM , Anonymous Sonia disse...

    Estou começando a pensar que fui educada para viver em outro país, e fiz o mesmo com meus filhos. Acho que se criarem mesmo o tal Jogo do Congresso vou estudá-lo com afinco. Quem sabe assim eu aprendo a viver no Brasil e dou certo na vida? (rs)

     
  • Às 6:00 AM , Blogger perolasaosporcos disse...

    é, assim caminha a humanidade. Seu texto é perfeito! Jornalista? Dê uma olhada no meu blog se puder e gostar de poesia. Estou cansada de só receber cantadas quero que alguém leia de verdade e opine... Até!

     
  • Às 2:34 PM , Anonymous Anônimo disse...

    Vi que o jogo foi lançado primeiro na Alemanha, bem recebido pela crítica e até premiado. Pelo menos o Brasil não está sozinho nessa! A versão brasileira é apenas uma adaptação. O jogo original, pelo que li, se passava no Velho Oeste.

    Ah, mais um detalhe. Segundo comentários, o jogo é voltado para adultos, não para crianças.
    Só para enriquecer a discussão.

     
  • Às 12:24 PM , Anonymous Mônica Montone disse...

    felizmente foi proibido, não? pelo foi isso que fiquei sabendo....

    beijos

    MM

    EM TEMPO: pior ainda que está em diversos países, sinal de que a peste se alastrou, rs*.....

     

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