CAMINHOS DE PAPEL

quarta-feira, setembro 12, 2007

VERSALHES É AQUI

Vocês não acreditam, né?
Eu acredito. Acredito que a nobreza está, lentamente, a caminho do cadafalso. Por nobreza, entenda-se, eu me refiro àqueles que usam o Poder para se sentirem superior - e, conseqüentemente, isolados - ao povo. Não os estou classificando como elite, pois desde que me entendo por gente, aprendi que essa é a classificação que se dá àqueles que são os melhores daquilo que representam na sociedade.
A nobreza a que me refiro também vive em palácios, ou ao seu redor. Fazem política e dela se beneficiam. Fazem demagogia e acreditam ser ela o lenitivo que o povo procura. Não medem tempo e espaço para praticarem essa política que os levará à ruína.
Escrevi isso pensando nas notícias de dias atrás, exibidas nos notíciários de TV, quando um trem, levando dois ministros de estado, jornalistas e apaniguados, atravessou a periferia do Rio de Janeiro e foi alvo de balas disparados de uma favela.
Até aí, não vi muitas novidades; todos os dias ocorrem atos semelhantes, seja contra trens, ônibus, automóveis ou em pedestres.
O que me espanta, e até me envergonha, pois os telejornais do mundo todo também mostraram, foram as condições em que ocorreram os fatos: o trem, não era nenhum daqueles onde oito pessoas morreram há menos de um mês. Eram dois vagões adaptados dos antigos do trem Santa Cruz, que faziam a ligação entre Rio e São Paulo, de saudosa memória.
As favelas, não eram aquelas que se espraiam pelos fundões da cidade maravilhosa; eram dois corredores formados por centenas de barracos, e no meio deles um par de trilhos por onde corria o trem.
Ora, supondo que a violência não tivesse partido dos traficantes, mesmo assim não deixou de ser um insulto aos miseráveis aquele desfile de figurões que, a pretexto de estarem visitando obras públicas, se exibiram em vagões com vidros fumê, ar condicionado, poltronas estofadas e segurança armada.
Parece que ninguém entendeu que esse tipo de viagem ainda terá um fim junto à guilhotina. Pode parecer exagero, mas paciência tem limites e discursos demagógicos, também, ainda que o rei sonhe em proclamar um dia que "O Estado é eu".

1 Comentários:

  • Às 12:37 PM , Blogger FINA FLOR disse...

    concordo com você, querido!!!! e não acho exagero, não! uma hora a paciência dos que padecem da falta de tudo acabará.

    beijos e boa semana,

    MM.

     

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