CAMINHOS DE PAPEL

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

VIVER É ARRISCADO



Quem já não perseguiu um sonho? Muitos de nós? Todos, talvez? A verdade é que, também muitos de nós, muitas vezes paramos pelo caminho para reavaliarmos o trajeto, tentamos medir as conseqüências e, mesmo antes de nos certificarmos se estávamos fazendo o certo, desistimos.
Uma busca pressupõe obstáculos. O bom-senso, sempre ele, nos orienta a procurar algo dentro de parâmetros que as convenções, mais do que aquele juízo das coisas, têm como normas a serem seguidas, atitudes e pensamentos incostestáveis pelo seu pragmatismo na medida em que não deixam espaço para críticas.
Nesse último fim de semana, aconteceria num bairro da zona sul de São Paulo, um show de um grupo musical juvenil, para mim até então totalmente desconhecido mas, para muitos adolescentes e crianças, “da hora”, usando uma terminologia da garotada.
A imprensa registrou a tragédia que se deu graças a incúria dos organizadores e a incompetência das autoridades: três mortos, muitos feridos e um sonho pisoteado no pátio de estacionamento de um shopping.
Num primeiro momento, admito, critiquei a falta de bom-senso (sempre ele) dos jovens, totalmente incapazes de terem o discernimento de perceber o risco que tal improvisação acarretava.
Mas, parando para pensar, percebi ser um sonho o que aquela multidão juvenil perseguia, tal como o garoto que conseguiu juntar trinta reais para vir de Piracicaba, ou então a jovem mãe, com seu filho de um ano no colo, que viajou oito horas para conhecer pessoalmente ídolos que nós, adultos ditos sensatos, deixamos há muito de ter. Centenas, milhares, estabeleceram seu objetivo mirando num momento mágico de suas vidas e arriscaram.
Neruda disse num de seus poemas que morre lentamente quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho. Morre lentamente, concluiu, quem não se permite, ao menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Os adolescentes pagaram a mão dessa rodada de cartas mas, na vida, joga-se para ganhar ou para perder. É mais do que ficar assistindo a tudo do lado de fora sem poder dizer que, pelo menos um dia, arriscou viver.



2 Comentários:

  • Às 10:22 AM , Blogger Gabriela disse...

    Muito bom o blog. Interessante esse ultimo post. Realmente, não dá pra fingir que vive e dizer que viveu!!
    Beijos!

     
  • Às 5:56 PM , Anonymous Sonia disse...

    Sim, tem-se que pagar um preço pelo que se quer. Mas que seja por algo que valha o preço que se vai pagar.

     

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