CAMINHOS DE PAPEL

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A FÁBULA DO GALINHEIRO

De tanto criticarem seu galinheiro, o dono da granja resolveu consertar o lugar. É verdade que as reformas já se faziam necessárias antes mesmo de ele comprar o local mas, indiferente aos apelos até de suas criações, deixara para trás esses consertos que, com o tempo, passaram a pedir cada vez mais sua atenção.
Tratou, então, de verificar o dinheiro de que poderia dispor para tais obras e resolveu começá-las. Seus vizinhos, quando souberam do fato, puseram-se a criticá-lo. Como podia o granjeiro, argumentavam eles, efetuar os grandes consertos que o galinheiro exigia com uma verba, concluíram, insuficiente?
Além disso, consideraram outro aspecto: não era a época apropriada para se realizar os trabalhos, pois chovia muito nesses tempos e boa parte do trabalho seria perdida já que o dinheiro disponível não permitia compra de matérias de primeira qualidade.
O granjeiro ficou irritado com a postura dos vizinhos. Não eram eles que criticavam o estado lamentável do galinheiro? Pois agora iriam ter o conserto, agradasse-lhes ou não.
Não vai dar certo, diziam os outros. Da maneira que o trabalho seria feito, não agüentaria a investida das raposas. As galinhas é que pagariam o pato ( este, a bem da verdade, nada comentou pois estava acostumado a pagar sempre). Houve até um galo que reclamou, pois achava que os remendos não iriam durar muito. Mas, com a ameaça de acabar numa panela, fechou o bico.
Das galinhas, então, nem se fala. Ficaram quietinhas ciscando aqui e ali. Não reclamavam de nada e as más línguas até diziam que se elas não sabiam nem voar, seria melhor que ficassem caladas mesmo.
E o granjeiro, sempre se manteve indiferente às críticas, pois não acreditava nem na existência das raposas. Eu nunca soube de nada, garantiu.
As obras começaram; o granjeiro ia sempre verificar os andamentos dos trabalhos e, na sua percepção, via a alegria estampada na cara dos galos, galinhas e patos. Sobretudo estes.
Enquanto isso, as raposas se aproximavam mais e mais.




1 Comentários:

  • Às 7:08 PM , Anonymous Sonia disse...

    Eu lembro que o granjeiro, no dia em que assumiu a granja, disse que todas as despesas de sua famíli seriam cortadas, pois suas reservas se destinarim todas à construção de belos e melhores galinheiros. Mas tanto passeou por outras granjas que o dinheiro acabou e só lhe restou fazer uns remendos no cercado.

     

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