CAMINHOS DE PAPEL

quarta-feira, setembro 06, 2006

VIVA O PEPINO




A programação da TV brasileira é uma porcaria, todos sabemos. Não passa dia em que não sejam exibidas besteiras monumentais, tudo justificado pela luta por alguns pontinhos no Ibope. Não se respeita idade, sexo, filosofias, enfim, qualquer tipo de pensamento que deveria, em tese, elevar a condição humana.
Desenhos animados, por exemplo, são uma lástima. Houve um tempo em que as emissoras apostavam em apresentadoras, geralmente loiras, de sainhas curtíssimas, para apresentar Frajola, Piu-Piu, e outros personagens. As crianças talvez nem ligassem (será?) para aquelas adolescentes, ou nem tanto assim, exibindo um belo par de coxas.
Hoje, exceção feita à TV Cultura, o que se assiste em matéria de desenhos animados deixa horrorizado qualquer educador.
Dia desses, zapeando pela TV, passei pelo programa da Xuxa, na Globo, especialista naqueles horrendos (estética e moralmente falando) desenhos japoneses, bem no momento em que um dos personagens, vilão, tinha esta fala: “é bom matar pessoas”.
Aí, a dúvida: perguntei a mim mesmo se a “nossa rainha” (como a chamadas da Globo a anunciam), deixa sua inocente filhinha Sasha assistir tal porcaria.
Por aí, vai: a Rede TV traz uma picareta, Luciana Gimenez, que deu certo (aquela que aplicou o golpe do baú no vovô Mick Jagger), num programa de entrevistas onde os temas são tão escabrosos quanto possível.
E por aí navega nossa TV, com programas humorísticos onde a tônica é o deboche, o preconceito, a grosseria, tudo recheado com mulheres que se auto-desvalorizam como gado no abatedouro.
A Rede TV, que mencionei aí acima, é medíocre, embora apresente algumas coisas onde se esforça (vá lá) para sair desse posso de indigências. O programa Show Business, apresentado aos domingos à noite, é (era) um deles. No último fim de semana, após uma entrevista com o presidente da Caixa Econômica, João Dória, Jr. entrevistou uma moçoila, que viemos logo a saber se tratar uma garota de programa.
Pasmem! Nos vinte minutos que se seguiram, o que se viu foi um show de vulgaridade travestido de programa sério. A senhorita (nem tanto), tambééém escreveu um livro (não era a tal de Bruna Surfistinha, novo prodígio das letras brasileiras), onde descreve suas estrepolias. Contava ela, que se auto-agenciava e dava um duro danado para atender a fregueses distintos em horários quase conflitantes. Era uma artista, a menina. Saía de um motel e ia para outro rapidamente, trocando de roupa no caminho e mudando a peruca. Nesse leva e trás (sem duplo sentido, por favor) contava a guapa mocinha, chegava a ter até treze clientes em cada jornada de trabalho.
O show de bizarrice continuou, ela sempre cutucada por João Dória, Jr, a quem, até aqui, eu considerava um dos poucos na TV a merecerem confiabilidade. Ao perguntar à menina (não lembro o nome e nem importa), se alguns de seus clientes eram chegados a alguma tara, ela responde que, certa vez, foi recepcionada por um homem, quando chegou ao local do atendimento, com um pepino enfiado num certo lugar da anatomia humana que não deixava dúvidas sobre a condição humana.
Por que escrevo tudo isso? É fácil depreender. Sem laivos de um moralismo rançoso e vendo, por exemplo, o show de horrores em que se transformou o horário gratuito para nossos políticos, penso que a televisão, antes de ser testemunha da evolução do homem, está sendo o registro de sua decadência. Como qualquer acontecimento da história, os resultados surgirão. Para o bem ou para o mal.

3 Comentários:

  • Às 3:11 PM , Anonymous Mônica Montone disse...

    E esse lixo todo já está vasando para nosso cinema, Carlos. Lamentável! Triste!

    beijos e bom feriadão,

    MM

    Ps: apareça quando puder e quiser ;o)

     
  • Às 2:42 PM , Anonymous Mônica Montone disse...

    Carlos, querido, eleições chegando, indignação aumentando: passe no Fina Flor e entenda o que estou dizendo ;o)

    beijos

    MM

     
  • Às 11:41 AM , Anonymous Mônica Montone disse...

    Ei, moço, não posta mais, não?

    Obrigada pela visita,

    MM

     

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