CAMINHOS DE PAPEL

sexta-feira, julho 14, 2006

A CORDA, AS DUAS PONTAS E SUA METADE



Quem nunca brincou de cabo-de-guerra? Provavelmente, nem que tenha sido pelo menos uma vez na vida, todos tivemos essa brincadeira onde uma pessoa, ou várias, em cada ponta de uma corda a puxavam a seu favor, querendo desbancar a turma oponente.
Esse brinquedo pode, curiosamente, ter várias interpretações; desde uma atividade pueril até uma disputa, no sentido figurado, da conquista de posições na sociedade, sejam estas éticas ou não.
O que estamos assistindo nestes últimos dias (repetição de outros passados e alerta sobre aqueles que poderão vir) em São Paulo (cidade e estado), mostra um horripilante jogo de cabo-de-guerra. De um lado, uma facção criminosa que conseguiu se organizar de tal forma a poder afrontar o Estado e seus representantes. De outro, esses representantes e seus prepostos, escolhidos pelo cidadão comum, que dão mostras de uma tibieza inaceitável a despeito de seus discursos pomposos, promessas mirabolantes, sempre escudados em intenções políticas, dissimuladas ou não.
O curioso é que nesta brincadeira, há três grupos de competidores; os dois acima citados, e no meio da corda, a população, que é puxada de um lado para outro, sem forças para controlar a disputa.
Curioso, também, e não menos repulsivo, é o fato de que em qualquer disputa entre grupos, é sempre o do meio que carrega o ônus dessa luta dos contendores nas pontas da corda.
Vejamos: quando uma determinada categoria (metroviário, motoristas e cobradores, metalúrgicos, professores (eles também), trabalhadores da construção civil, médicos e enfermeiros, agentes da Receita Federal, bancários, camelôs, Sem-terra, Sem-teto) quer reivindicar algo, sem o menor escrúpulo tomam a população como refém: paralisam os transportes, fecham avenidas ou simplesmente cruzam os braços como fizeram os fiscais da Anvisa, não permitindo a entrada de materiais médicos importados, muitos de urgência e pondo em risco a vida de cidadãos que pagam impostos.
Do outro lado da corda, o poder público: o Executivo, quando é o caso, faz ouvidos de mercador, mas com uma voz de tenor: discursos, promessas e só. O Judiciário, vítima de sua própria lerdeza e de leis mais do que ultrapassadas, não se impõe, não decide e não faz cumprir.
E o Legislativo? Ora, neste caso, eu precisaria de mais tempo, mais paciência e mais estômago para falar sobre essa instituição cada vez mais desmoralizada. Deixa quieto, portanto.
E sobramos nós, no meio a corda. Puxados de um lado, de outro, aguardamos a mesma arrebentar.
Parece, contudo, que ninguém está percebendo que, se isso acontecer, todos cairemos juntos ao fundo do poço.

1 Comentários:

  • Às 12:30 PM , Anonymous Mônica Montone disse...

    Falou e disse, Carlos, querido..... O que os opositores não percebem é que apesar de estarem nas extremidades da corda, também estão ao meio [ainda que seja por conta de suas famílias].

    beijocas e boa semana,

    MM

    Ps: Passe no novo Fina Flor qualquer dia desses ;o)

     

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