CAMINHOS DE PAPEL

segunda-feira, junho 20, 2005

LUVAS VERMELHAS


Voltando para casa, dia desses, ouvi no rádio do carro uma música de Nat King Cole. Imediatamente me veio à memória um filme de Taiwan que assisti tempos atrás e chamado Amor à flor da pele. Era a história de um executivo chinês que descobre estar sendo traído pela mulher. Na procura por explicações ele acaba por se aproximar da mulher do outro, tema delicado e se nas mãos de um diretor inábil o levaria a resvalar para o dramalhão ou simplesmente para o erótico-pornô.
A aproximação entre os dois personagens é feita de uma forma que, em vários momentos, não sugere outras intenções senão a de cada um estar a procura de si mesmo. Não há apelos eróticos baratos, nem mesmo quando a personagem traja com toda naturalidade um longo e insinuante vestido chinês com um corte lateral sugerindo um palmo de coxa. Exótico, talvez, para nós ocidentais. No entanto, não há lugar para a vulgaridade nem mesmo quando, em outra cena, a personagem aparece com um inesperado par de longas luvas vermelhas. Como num quebra-cabeça, cada situação encontra o lugar exato para se encaixar.
As surpresas desfilam desde a abertura quando rolam os créditos do filme ao som de Aquelles ojos verdes, surpresas essas que acompanham as canções do velho Nat como pano de fundo em cenas entre os dois personagens, onde sempre há o mínimo de palavras. Gestos e olhares dizem tudo e eu estou longe de querer ironizar dizendo que essas canções caem como uma luva.



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