CAMINHOS DE PAPEL

quinta-feira, setembro 14, 2006

O VERMELHO E O NEGRO



Na cama, ao lado de Marcinha, ele sente não ter mais aquele tesão que um dia sentiu por ela. Sob os lençóis, no quarto escuro, Eduardo olha para o mostrador do rádio-relógio, cujos dígitos vermelhos e brilhantes lembram-lhe momentos encarnados de longa duração. Inquieta e sabedora das coisas, Marcinha leva a mão até os pêlos plantados naquele peito de mármore. Ele apenas suspira, mesmo quando ela insiste em beijá-lo na boca. Eduardo talvez esperasse um sutil sabor de cereja, quase perdido no fundo da memória, mas tudo o que sente é o gosto do dentifrício barato.
Como que por instinto, ele puxa o lençol quase até o queixo. O sufocante negror do ambiente é quebrado pelos números vermelhos que mostram um tempo terrivelmente lento.

1 Comentários:

  • Às 2:11 PM , Anonymous Mônica Montone disse...

    Meu Deus, que horror!!!!!!

    De duas uma: ou ele tem que pedir para Marcinha lambuzar-lhe os momentos com chantily e cerejas e promover-lhe algumas surpresas [se é que acha que vale a pena investir nessa relação]

    Ou tenta encontrar outros aromas.....

    Beijos, querido

    MM

     

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